Pontualmente, às 19h34 desta segunda-feira (20), o inverno se inicia. E, com sua chegada, a incidência de doenças respiratórias aumenta, tendo como principais justificativas a queda de temperatura e a baixa umidade relativa do ar.
Em entrevista recente ao programa Papo Reto, da Sorocaba Web Rádio, o médico pneumologista da Policlínica Municipal de Especialidades, José Rosalvo Maia, destacou que, devido às condições climáticas desse período, os vírus apresentam maior resistência e, portanto, permanecem ativos por mais tempo.
“As baixas temperaturas ‘mexem’ muito com as mucosas das vias respiratórias. Então, com essa associação de lesão das mucosas e vírus vivos por mais tempo, é um prato cheio para que essas doenças (respiratórias) apareçam, principalmente em pacientes alérgicos, que têm rinite, asma, entre outros problemas”, explicou Rosalvo.
De acordo com o pneumologista, embora o público em geral seja acometido com problemas respiratórios nessa época do ano, quem mais sofre são idosos e crianças. “A imunidade desses grupos é menor, por diversos fatores. No caso dos idosos, por alterações hormonais, estresse e inflamações sofridas durante a vida. Mesmo os idosos ‘saudáveis’ têm imunidade menor”, declarou.
Rosalvo adiantou que, com a chegada do inverno, o aumento no número de atendimentos nas unidades de saúde é inevitável. “Estatisticamente chega a aumentar entre 40 e 50% por conta das doenças respiratórias”, apontou.
O pneumologista acrescentou que na estação também podem ser contabilizados mais problemas cardiológicos. “No frio, o sangue ‘foge da pele’, tentando manter a caloria da parte interna. Com isso, faz com que aumente a pressão arterial e haja alteração dos batimentos cardíacos. Então, a parte cardíaca também fica comprometida”, argumentou.
Gripe ou resfriado?
No inverno, é comum ouvir as pessoas dizendo que estão gripadas. Muitas delas, porém, não sabem a diferença entre gripe e resfriado. Gripe, descreveu Rosalvo, é “uma doença séria causada por diferentes tipos do vírus Influenza”. “Habitualmente surge com febre muito alta, entre 39 e 40 graus. Leva a dor no corpo intensa e compromete as vias respiratórias de maneira intensa”, exemplificou.
Sobre os resfriados, o pneumologista informou que são causados por outras centenas de vírus. “(Os resfriados) se manifestam de maneira menos grave, com febre entre 37, 37,5 graus e coriza. Normalmente, os sintomas duram um ou dois dias e desaparecem”, indicou.
Cuidados
Durante a entrevista, Rosalvo deu algumas orientações importantes para esse período do ano. Citou a importância de se deixar os ambientes limpos (bem arejados e sem pó). Lembrou da necessidade das pessoas manterem-se hidratadas e bem alimentadas. “(Líquidos) são os melhores expectorantes, pois podem eliminar as secreções”, ressaltou. Completou que não se deve sair de um ambiente quente para outro frio de maneira brusca, sem agasalhos.
Outra situação citada pelo pneumologista tem relação com o cigarro. “No caso dos pais fumantes, aumenta a probabilidade de doenças respiratórias nos filhos em até 40%. Quando esses pais fumam em casa, estão colaborando grandemente para a doença de seus filhos. Lembrando que para fumaça não há porta. O ideal é que fumem longe de casa”, enfatizou Rosalvo.
Chá de gengibre e vinho
Inverno, chás e vinho “caminham” praticamente de “mãos dadas” na vida de algumas pessoas. Em relação aos chás, um dos mais escolhidos na estação é o de gengibre, que é um termogênico. “O chá de gengibre mantém o metabolismo elevado, dá sensação de calor e bem estar. Mas não se têm estudos sobre quanto se pode tomar ou se causa interferência em outras medicações. Então não deve ser tomado indiscriminadamente”, esclareceu o pneumologista.
Quanto ao vinho, Rosalvo orientou que o ideal é tomar moderadamente. “Bebidas alcoólicas são extremamente calóricas. Então, causa uma sensação de calor, bem estar maior. No caso de quem têm doenças cardiológicas, o ideal é tomar, no máximo, meia taça de vinho tinto, pois protege as artérias coronárias”, recomendou.