Violência contra a mulher é tema de palestra no CREAS Zona Norte

Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Assis Cavalcante

Para celebrar o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher (25 de novembro), a Prefeitura de Sorocaba está promovendo desde o início de novembro a Campanha “Basta! Diga não à violência contra as mulheres”, com a realização de palestras envolvendo o tema. Na manhã desta quarta-feira (25), o bate-papo ocorreu com os munícipes atendidos no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) Zona Norte, localizado na Vila Progresso.

Promovida pela Coordenadoria da Mulher, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), a campanha visa mobilizar a população para o enfrentamento da violência contras as mulheres e disseminar informações buscando soluções para esta situação. A ação também visa mostrar que todos são responsáveis, cada um com o seu papel, na busca de soluções para mudar a realidade de mulheres agredidas física, psicológica e moralmente.

No bate-papo, Paula Andreia Vial Silva, da Coordenadoria da Mulher, acompanhada da psicóloga Bianca Bonassi Pichiguelli, do Centro de Referência da Mulher (Cerem), falou sobre como surgiu o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, o problema da existência do machismo na sociedade e da importância da reflexão de algumas atitudes das famílias no próprio lar.

“Pensem em como fomos criados e como ainda hoje criamos os nossos filhos. Quais os brinquedos que damos aos meninos e às meninas?”, questionou, se referindo à distinção que já é feita desde criança, enquanto garotos ganham bola, bicicleta e videogame, e as meninas ganham panelinhas, vassourinhas e bonecas, já sendo instruídas que os deveres numa casa devem ser feitos por pessoas do sexo feminino. “Não está errado compartilhar as tarefas em casa”, enfatizou.

“Muitos homens tratam suas esposas como empregadas. O meu filho de quinze anos me ajuda em casa e a criação dos filhos é responsabilidade dos dois”, afirmou a dona de casa Railda Maris Oliveira Costa, uma das participantes da palestra, que mora numa chácara próxima ao loteamento Santa Paulina, na Zona Norte de Sorocaba.

Paula Andreia ainda falou sobre a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340/06), os mecanismos de medida protetiva de urgência e os cinco tipos de violências – sexual, física, moral, psicológica e patrimonial – previstas na legislação. “A violência psicológica é a mais comum e a que mais machuca a vítima, deixando a mulher extremamente atingida emocionalmente, com a autoestima muito baixa”, ressalta a psicóloga Bianca Bonassi Pichiguelli.

Outro assunto abordado foi o ciclo da violência. “Muitas vezes depois da agressão o companheiro pede desculpas, fala que não vai fazer de novo e até faz algo para agradar a vítima. Com isso muitas mulheres continuam com seus agressores e isso se passa anos e anos. Muitas vezes elas até engravidam nesta fase de ‘lua de mel’. A única pessoa que pode romper com este ciclo é a própria mulher. Cada uma sabe o seu limite”, destacou Paula Andreia.

Os participantes ainda puderam conhecer como funciona o trabalho realizado no Centro de Referência da Mulher (Cerem) e todo o trabalho realizado pela rede de serviços existente na cidade, que hoje conta com equipamentos como o Cerem, o Juizado Especial Criminal e da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Campanha Patrulha da Paz, a Delegacia da Mulher, os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), as Unidades Básicas de Saúde, o Ônibus da Mulher, a Defensoria Pública, a Casa Abrigo “Valquíria Rocha”, o Centro Especializado de Reabilitação do Autor em Violência Doméstica (Cerav) e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM).

Ao final do bate-papo, os munícipes receberam a cartilha “Uma Vida sem violência, um direito da mulher” e ainda puderam tirar dúvidas e falar sobre a questão.

Na ocasião, uma das munícipes declarou que é vítima de violência do seu ex-marido. “Ele me atormenta, me xinga e disse que se eu arrumar um companheiro ele mata nós dois. Não quero voltar com ele, não dá mais, fico muito nervosa com tudo isso e às vezes até penso em me cortar inteira para acabar com a minha vida, mas penso nos meus filhos”, contou.

A equipe do Cerem ouviu o relato da munícipe e aconselhou que ela vá ao Cerem para ser atendida na unidade. “Tudo tem uma boa solução e tirar a própria vida não é a melhor maneira de resolver isso. Vá até o Cerem e nós vamos ouvir sua história mais detalhadamente e te ajudar a resolver esta situação”, foi a orientação de Bianca Bonassi à mulher.

A dona de casa Railda Maris Oliveira Costa achou muito interessante a palestra realizada no CREAS Zona Norte. “Isso tudo abre a nossa visão e se depararmos com uma situação como esta vamos saber informar e orientar outras mulheres”, declarou. A munícipe não sabia da existência do Cerem e de toda a rede de serviços ofertados em Sorocaba. “Conhecia o prédio do Cerem, mas achava que era voltado à saúde da mulher”, afirmou.

Para Áurea Sofia Hollanders de Sousa, terapeuta ocupacional do CREAS Zona Norte, o bate-papo foi muito bom. “É muito importante trazer este esclarecimento a elas, pois facilita a aproximação com estes serviços”, enfatizou.

Sobre a Campanha

As palestras da Campanha “Basta! Diga não à violência contra as mulheres” tiveram início no dia 13 de novembro e já ocorreram no Colégio Objetivo Zona Norte; Obra do Berço; Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Salto; Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Brigadeiro Tobias e UBS Paineiras. Até dia 3 de dezembro a ação ocorrerá ainda no Fórum de Proteção Escolar de Votorantim (27/11 – 18h30), CREAS Zona Leste (02/12 – 14h) e no CRAS Aparecidinha (03/12 – 14h30).

O Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, para homenagear três irmãs ativistas políticas latino-americanas (Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal) que foram assassinadas em 1961 pela ditadura de Leonidas Trujillo (1930-1961), na República Dominicana.

Toda esta ação também atende à lei municipal nº 11.059, de 25/02/2015, de autoria da vereadora Neusa Maldonado, que dispõe sobre a inclusão no calendário oficial municipal o Mês do Ativismo pela Não Violência Contra a Mulher, a ser comemorado anualmente no mês de novembro.

Sobre o Cerem

Inaugurado em 2009, o Centro de Referência da Mulher presta, gratuitamente, atendimento interdisciplinar especializado e contínuo às mulheres acima de dezoito anos e residentes em Sorocaba. O Cerem conta com o apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM).

No local, essas mulheres recebem gratuitamente orientações jurídicas e atendimento psicossocial. A unidade funciona como uma articuladora de prestação de serviço de todos os órgãos existentes em Sorocaba.

Quando uma mulher passa pela porta de entrada do Centro de Referência da Mulher, ela é recebida pela assistente social, que faz o acolhimento. Nesse primeiro momento, a profissional ouve, verifica os encaminhamentos necessários e a direciona para o profissional mais indicado que atua na unidade: a psicóloga ou a advogada.

“A assistente social também verifica se a pessoa está inserida em algum programa social, se ela trabalha ou não e apresenta cursos de capacitação oferecidos, inclusive pela própria administração municipal”, explica a coordenadora do Cerem, Paula Andréa. Na área jurídica, a Secretaria de Desenvolvimento Social oferece orientação e mediação de conflitos na própria unidade.

Já na área psicológica, a profissional orienta e aconselha a “paciente” focando no seu trauma para fortalecer a vítima de agressão para sair desse relacionamento destrutivo e fazê-la refletir o que ela quer para a sua vida. Em média, são realizadas 12 sessões com cada pessoa.

Somente neste ano de 2015, de janeiro a outubro, foram realizados 2.119 atendimentos no Cerem, seja social, psicológico, jurídico, mediação de conflitos, orientação e acolhimento. De acordo com a Coordenadoria da Mulher, foram atendidos 473 casos de violência física, 624 de violência psicológica, 109 de violência sexual, 184 de violência patrimonial e 209 de violência moral, sendo que muitas mulheres relatam sofrer mais de um tipo de violência.

A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e está localizada na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, 440, no Centro, próximo à Rodoviária. O telefone é (15) 3235.6770.

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