Verão começa nesta terça e Zoonoses orienta quanto aos criadouros do Aedes
Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br
Foto: Zaqueu Proença
O verão tem início nesta terça-feira (22) e com ele tende a crescer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue e as febres chikungunya e zika. Isso, por conta das altas temperaturas e o clima chuvoso, que contribuem para acelerar o ciclo de vida do mosquito e potencializar as chances de contágio. Como 80% dos criadouros de larvas do Aedes têm sido identificados dentro das residências, a Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde (SES) orienta sobre os principais locais dentro de casa que merecem atenção especial do morador.
Constatação feita pelo setor em outubro passado, em cerca de 4 mil imóveis, aponta que a grande maioria dos criadouros localizados dentro de casa está em recipientes com utilidade para o morador, como vasos de plantas, pratos/pingadeira, comedouro/bebedouro de animais, piscina desmontável, lata/frasco/garrafas, balde/regador, bandeja de geladeira/ar-condicionado e material de construção.
“Em números absolutos, naquela ocasião foram removidos 2 mil objetos do tipo, conforme levantamento em vários bairros da cidade”, alerta João Ricardo Pereira Ensser, biólogo da Divisão de Zoonoses. Em segundo lugar do ranking de risco, aparecem os recipientes fixos, como lajes, ralos, calhas, vaso sanitário/caixa de descarga e piscinas, com 1.500 constatações. Segundo ele, em geral, a simples atitude do proprietário em lavar periodicamente os recipientes ou colocar sabão em pó ou detergente onde costuma acumular água, já evitaria o risco de proliferação.
O terceiro grupo de potenciais criadouros nas residências é composto por recipientes passíveis de remoção ou sem utilidade ao dono, como latas, frascos, plásticos, garrafas, lonas, entulho e peças/sucatas, entre outros. “Aí é só fazer o manejo adequado, como colocar materiais em local coberto e virados de modo a não juntar água ou entregá-los para a coleta de lixo. Embora as equipes tenham encontrado quase 3 mil materiais do tipo com água durante as visitas, a presença de larvas foi menor em relação ao dois outros já mencionados”, frisa o biólogo.
Nas visitas de casa em casa que continuam sendo feitas pelos agentes de vigilância em saúde, diariamente, a quantidade de recipientes passíveis de se tornarem criadouros continua alta. “Esse cenário é preocupante. Embora o poder público faça a sua parte, ainda tem muito morador que não colabora em adotar medidas simples para manter sua casa livre do Aedes. Basta vistoriar o imóvel uma vez por semana e não deixar materiais e pontos que juntem água.”
Mais pontos e equívocos
Outros pontos que merecem atenção do morador são as caixas d´água, pneus e criadouros naturais, como bromélias, oco de árvore e bambu. Neste caso, a casca vazia de ovo ou de um caramujo é potencial local para formação de uma colônia de ovos do Aedes aegypti. E há outros locais inusitados onde as equipes e vigilância já acharam larvas do Aedes, como em tampinhas de garrafa, canudos de plástico e latas de alumínio.
“Ainda tem gente que pensa que terreno sujo é mais arriscado. Até pode haver algo que acumule água escondido no meio do mato, mas o problema mesmo está dentro de casa. E o mosquito gosta é de água limpa. Esse negócio de mosquito em água suja ou com matéria orgânica é outro equívoco”, reitera João Ricardo.
Adaptação e colaboração
A médica Veterinária Thaís Buti, também da Divisão de Zoonoses, ressalta que o Aedes é adaptável e que o ovo pode sobreviver, em média, por um ano em ambiente seco. “Basta que entre em contato com a umidade para ficar ativo. Vira pupa, depois larva e chega à fase adulta em sete dias.” Alerta que todos precisam fazer a sua parte, independente da condição social. “Não adianta uma pessoa fazer a sua parte e o vizinho não fazer a dele. Todos correm o mesmo risco de ter alguma doença relacionada ao Aedes”, enfatiza.
Morador do bairro Mineirão, o operador de máquina Ronaldo Canovas, 52 anos, fez questão de receber a visita da agente de vigilância sanitária Cleide Barbosa, nesta segunda-feira (21). “Tem gente que alega que está tudo certo, limpinho, mas quando se vê direito, tem dengue. Aqui em casa fazemos a nossa parte”, mencionou.
De fato, não havia criadouros, segundo a agente Cleide que, em imóveis na mesma rua, tinha acabado de localizar dois vasos sanitários com água parada e caixas d´água com tampas irregulares. “Em geral, a população tem sido receptiva ao abrir o portão de casa para as equipes de vistoria, mas sempre tem um ou outro que não colabora.” Para esta semana, a Divisão de Zoonoses tem programadas visitas domiciliares, para o controle de mosquitos, nos seguintes bairros: Vila Hortência, Nova Esperança, Nova Sorocaba, Éden, Jd. Hungarês, São Conrado, Jd. Guadalupe e Mineirão.
Para evitar uma nova epidemia da dengue em 2016 e o surgimento, sobretudo, de casos locais de chikungunya e zika, o poder público pede a colaboração da sociedade na adoção de medidas preventivas, permanentemente, contra o Aedes aegypti, e não apenas neste verão, que também coincide com o período de férias escolares. Isso, uma vez que é impossível vistoriar com frequência todos os mais de 260 mil imóveis do município, quantidade que tem como base o número de carnês emitidos de IPTU.
