Vegetação mais alta próxima ao rio Sorocaba e lagos são estratégias ambientais
Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br
Foto: Zaqueu Proença
A grama roçada à beira do rio Sorocaba e dos lagos pode ser bonita, mas para a conservação da biodiversidade não é. O objetivo é proteger a flora e a fauna local
Em Sorocaba, desde o ano passado, uma iniciativa da Prefeitura está permitindo que o entorno do rio Sorocaba e de lagos de alguns parques municipais – Áreas de Proteção Permanente (APPs) – permaneça com uma pequena faixa de vegetação mais alta. O manejo diferenciado mantendo as gramíneas visa promover a restauração ecológica destes locais e proteger a fauna local, além de auxiliar no combate a erosão das margens.
Coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), a proposta inovadora é chamada Projeto “Refúgios da Biodiversidade” e integra o Programa “Sorocaba a Cidade da Biodiversidade”. O trabalho é fruto da interação entre os técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e Secretaria de Serviços Públicos (Serp), além de universidades, e parte do princípio de se aumentar a convivência da espécie humana com as outras espécies.
O desenvolvimento do município é responsável pelos impactos sofridos em alguns trechos das margens do rio Sorocaba em perímetro urbano. Esta vegetação muitas vezes não possui mais mecanismos para retornar naturalmente ao seu estado original ou, caso conseguisse, seria de forma muito lenta. O “Refúgios da Biodiversidade”, num trabalho realizado com critérios e respeitando as características do rio, está restaurando a mata ciliar, que é muito importante para a fauna local, que vive e se reproduz nestas áreas.
Além deste manejo na roçagem, estes habitats também são conservados utilizando outras estratégias, como plantios de árvores nativas, que garantem a cobertura do solo e a proteção contra erosão, além de alimentação e refúgio para aves e outros animais; controle de espécies invasoras e enriquecimento de habitats.
“É importante que as pessoas saibam que não se trata de uma má condição destes locais, mas sim uma estratégia ambiental, já que nestas áreas habitam inúmeras espécies de animais, como, por exemplo, as aves”, explica o secretário do Meio Ambiente Clebson Ribeiro. “Nós estamos criando condições de refúgio para estes animais”, completa o titular da pasta.
Para isto, a Secretaria do Meio Ambiente orientou as equipes que realizam a roçagem para que o serviço seja feito de forma mais criteriosa, respeitando onde os animais estão ou se reproduzem. O capim é mantido alto, possibilitando o estabelecimento de ninhais de aves ribeirinhas a abrigo para os peixes, pequenos mamíferos, anfíbios e répteis.
Entre as áreas públicas que estão sendo conduzidos por essa iniciativa estão: Parque das Águas (Jardim Abaeté), Parque “Carlos Alberto de Souza” (Campolim), Parque “Amedeu Franciulli” (Vitória Régia), Parque Kasato Maru (Campolim), Parque da Formosa (Vila Formosa), Parque dos Espanhóis (Vila Assis), o Rio Sorocaba em seu perímetro urbano e os parques ecológicos, como o Parque da Água Vermelha “João Câncio Pereira” e o Parque Natural “Chico Mendes”.
Placas educativas sinalizam os refúgios
“É uma proposta inovadora e, aos olhos dos leigos, pode parecer que o local esteja mal cuidado, mas não é verdade. Inclusive em todos estes locais foram colocadas placas educativas, que esclarecem acerca do projeto e a iniciativa nestes locais”, afirma o diretor de Educação Ambiental Welber Smith, da Secretaria do Meio Ambiente.
Além de evitar a erosão e proteger as margens do Rio Sorocaba e dos lagos, a ação já vem promovendo o aumento de espécies nestes locais. “Hoje vemos com mais frequência animais como o preá, o ratão-do-banhado, lagartos, como o teiú, além de diversas aves e ninhos”, cita Welber.
Interessados em obter mais informações podem acessar o site meioambiente.sorocaba.sp.gov.br ou ainda entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente pelo telefone (15) 3219.2280.
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