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Acessado em: 30/11/2025 - 04h11

Ultrapassando os limites do tatame

Por: Esdras Felipe Pereira (Programa de Estágio) Supervisão: Tânia Franco – ttferreira@sorocaba.sp.gov.br

 

 

Kung fu contribui no desenvolvimento e aprimoramento do controle emocional de quem pratica; arte marcial é oferecida em Territórios Jovens da cidade

Muito mais do que apenas uma luta. O kung fu, arte marcial milenar chinesa, pode proporcionar benefícios além do aspecto físico. É o que diz o professor Henrique Alison de Barros, 24, responsável por repassar seus conhecimentos aos alunos das oficinas da modalidade, oferecidas nos Territórios Jovens (TJs) dos bairros Ipiranga, Iporanga, João Romão, Ana Paula Eleutério (Habiteto) e Maria Eugênia, em Sorocaba. O projeto da Prefeitura é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

A partir das oficinas, Barros destaca que a principal intenção não é a profissionalização dos praticantes. Pelo contrário, o objetivo, com o kung fu, é contribuir no desenvolvimento e aprimoramento do controle emocional dos participantes. O interesse pela modalidade surge, muitas vezes, graças à curiosidade despertada por alguns filmes, revela o professor. “O pessoal vem inspirado por Jackie Chan, Jet Li…”, conta.

No treino, os praticantes não usam nenhum tipo de proteção, o que é uma característica do esporte. Justamente por isso, Barros explica que, nas oficinas, procura orientar sobre o bom senso e respeito com o corpo do colega de tatame. “A gente tem os momentos de calejamento, em que há troca de socos e chutes para poder deixar calejadas algumas partes do corpo. Mas, antes disso, há muita conversa, para respeitar os limites do outro, sem utilizar força desproporcional”, exemplifica.

A tentativa de fazer com que o kung fu vá além dos benefícios físicos -melhora na respiração e coordenação motora, é constante nas oficinas do professor. Não só o esporte interessa. Nos treinos, ele costuma passar um pouco da cultura chinesa – através de músicas e filmes -, e também traz técnicas de meditação e concentração. “Tinha um aluno que direto brigava no serviço. E isso já melhorou muito desde que começou. Agora ele consegue segurar o ímpeto. A mente tem que controlar o corpo, e não o contrário”, diz.

De graça é muito melhor

O estudante Igor Havy, 16, não esconde o real motivo para ter iniciado a oficina de kung fu no TJ Maria Eugênia: “Não tinha dinheiro para pagar numa academia, mas sempre gostei de artes marciais, então me inscrevi”, conta ele, que já havia praticado muay thai e jiu-jitsu.

Segundo o jovem, o esporte passou a fazer parte de sua vida há um mês. Os ensinamentos aprendidos, no entanto, não são deixados no tatame, já que o garoto os tem levado para a vida pessoal. “Tenho tido muito mais respeito pelas pessoas. Uso as técnicas que aprendo aqui para ter menos desentendimentos em casa e procuro sempre evoluir”, ressalta.

Medo? Aqui não!

Os meninos alongam antes de a oficina começar. Com um pequeno atraso, surge uma garota. Logo, ela tira os chinelos, pisa no tatame e começa os exercícios passados pelo professor. A estudante Nicoly Silva Alves Pena, 14, não se intimida no meio dos “marmanjos”. “Algumas vezes dói, principalmente na hora de calejar, mas acostuma rápido”, garante a menina.

Nicoly começou a frequentar o kung fu por ter ouvido relatos do irmão, que pratica artes marciais. Na última quarta-feira (30), ela era a única menina presente. Mas nem sempre é assim. “Na verdade venho com uma amiga, mas hoje ela me abandonou”, brinca.

Cabelos brancos e muita energia

Em meio aos jovens, uma figura costuma se destacar nos treinos. Os cabelos brancos não tiram sua disposição. O aposentado Nivaldo Fernandes, 54, participa da oficina no Maria Eugênia há um ano e meio. “Quando menino jogava capoeira e praticava karatê, mas sempre quis aprender kung fu e era muito caro. E aqui o acolhimento dos jovens foi fantástico”, comenta.

Além de conhecer o esporte, Fernandes elogia o clima dos treinos e a possibilidade de socialização por meio do kung fu. “Até a convivência lá em casa melhorou. Aqui eu libero minhas energias e busco meu equilíbrio. É uma espécie de válvula de escape para alguns problemas”, enfatiza.

E quem tiver interesse em participar das oficinas, conhecendo mais sobre o esporte, pode procurar qualquer uma das unidades, assistir a um aula e conversar com o professor Henrique Barros. No mínimo, será um bate papo muito interessante.

 

Confira horários e locais das oficinas

TJ Ipiranga – segundas-feiras (13h às 15h)

TJ Iporanga – quintas-feiras (15h às 17h)

TJ João Romão – terças-feiras (13h30 às 15h)

TJ Ana Paula Eleutério (Habiteto) – quartas-feiras (10h30 às 12h)

TJ Maria Eugênia – quartas-feiras (15h às 17h) / quintas-feiras (13h às 15h)