Tratamento contra a tuberculose é feito exclusivamente na rede pública

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Campanha de orientação e detecção da doença prossegue até sexta-feira (13) nas unidades de saúde e prisionais de Sorocaba

 

Embora muita gente ainda acredite que a tuberculose é uma doença erradicada, ela continua fazendo vítimas, inclusive em Sorocaba. O problema é que ela tem cura em 100% dos casos, desde que tratada em tempo, procedimento que é realizado exclusivamente pela rede pública de saúde que, inclusive, distribui os medicamentos de forma gratuita. Em Sorocaba, os pacientes diagnosticados são encaminhados para a Policlínica Municipal de Especialidades – unidade ligada à Secretaria da Saúde (SES) -, onde funciona permanentemente o Programa de Controle da Tuberculose, com uma equipe específica para atendimento a esse público.

Esse quadro ganha ainda mais relevância neste momento, quando a SES realiza mais uma Campanha de Busca do Sintomático Respiratório, que marca a passagem do Dia Mundial da Tuberculose, em 17 de novembro. Segundo a enfermeira Valquíria Carnio Gomes, coordenadora do Programa Municipal de Controle da Tuberculose da SES, a campanha tem o objetivo de examinar as pessoas que apresentam os sinais da doença e identificar novos casos em fase inicial de evolução.

A ação prossegue até esta sexta-feira (13) e visa orientar a população sobre os sintomas, bem como detectar casos da doença na cidade. Ela ocorre nas 31 Unidades Básicas de Saúde (UBSs); nas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) Norte, Leste e Oeste; na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden; nos Pronto Atendimentos (PAs) Laranjeiras e São Guilherme; no Serviço de Assistência Municipal Especializada (Same); no Centro de Orientação e Aconselhamento de Sorocaba (Coas) e no Hospital Vera Cruz. O Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aparecidinha e as penitenciárias da cidade também estão participando da iniciativa.

Em Sorocaba, neste ano, até o dia 30 de outubro foram registrados 126 casos novos de tuberculose. Em todo o ano passado foram 167 casos, sendo 116 (69,5%) em homens e 51 (30,5%) em mulheres. Também em 2014 houve o registro de sete mortes. “O número é alto. As mortes são decorrentes de casos avançados, cujo diagnóstico é feito tardiamente, quando chegam à rede pública devido aos agravamentos”, destaca Valquíria. Segundo ela, o ideal é tratar desde o início da constatação, para evitar a transmissão. “Todos os casos que chegam à Policlínica são tratados, não há demanda reprimida.”

Surpresa, sintomas e tratamento

“Quando descobriu que tinha a doença, nem sequer imaginava que ela ainda existisse. Nem sei como peguei, foi uma surpresa para mim, que não bebo, não fumo e nem tomo gelado”, revela um aposentado de 68 anos de idade que prefere não sem identificar. Descobriu a doença após uma ida ao médico, que solicitou o exame de escarro, que comprovou a tuberculose. “De imediato comecei o tratamento na Policlínica, que dura seis meses. O atendimento é nota onze, nem dez é, de tão bom”, destacou ele, que há dois meses recebeu alta médica.

De Acordo com a enfermeira, muita gente confunde os sintomas da tuberculose com gripe ou pneumonia. O certo é que se a pessoa tiver tosse por três emanas consecutivas, o ideal é fazer o exame do sintomático respiratório. Já o tratamento é feito à base de quatro antibióticos que devem ser tomados diariamente ao longo do tratamento todo. Os medicamentos não são vendidos em farmácias e o acesso é somente via rede municipal de saúde, de forma gratuita.

“Em três meses a pessoa está boa, mas não significa que está curada. Tem muita gente que para e a doença volta”, comenta o aposentado. Neste caso o tratamento iniciado – que também não está disponível na rede particular – se perde e é necessário dar início a outro, mas com duração de dois anos. “O risco de agravamento da doença e de morte aumenta muito nestes casos”, alerta Valquiria.

 

Atenção

Todas as UBSs da cidade fazem o exame do escarro e passam orientações sobre a doença durante o ano todo. Os casos identificados são encaminhados para acompanhamento e tratamento na Policlínica Municipal de Especialidades. “Os casos de pacientes com tuberculose e que soropositivos para Aids ainda são atendidos pelo Servico de Assistência Municipal Especializada (Same), ligado à SES, ou no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), do Estado, mas são situações específicas”, complementa a enfermeira.

Conforme Valquíria, em geral as campanhas preventivas contra tuberculose são realizadas duas vezes ao ano pela rede municipal – em março e novembro. “O ideal é levar a informação à população, pois tem muitos que nem sabem que existe exame para detectar a doença. A hora é de mobilização e a atenção à doença deve ser permanente”, finaliza.

Mais informações sobre a tuberculose podem ser obtidas diretamente nas UBSs e unidades da rede municipal de saúde, inclusive na Policlínica, que fica na Av. Senador Roberto Simonsen, s/nº, Santa Rosália, e cujos telefones de contato são: 3219-2203/2250/2237.

 

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