Técnicos da Sedes são capacitados em bons tratos em família
Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br
Foto: Emerson Ferraz
Dinâmicas, oficinas lúdicas e dramatização fazem parte da programação do curso
Técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e de três entidades que atuam na execução de medida socioeducativa em Sorocaba estão aprendendo a utilizar uma nova ferramenta lúdica para atuar com as famílias em situação de vulnerabilidade social. Com oficinas lúdicas, dinâmicas e dramatização, utilizando a metodologia de Bons Tratos em Família, do Programa Claves Brasil, o curso ocorrerá até quarta-feira (dia 22), das 8h às 17h, no auditório da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Promovido pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Coordenadoria da Criança e do Adolescente da Sedes, o objetivo da capacitação é apresentar aos profissionais a metodologia para que os mesmos repliquem às famílias nas comunidades, disseminando a promoção de bons tratos e a cultura de paz.
Para a coordenadora da Criança e do Adolescente Marilene de Oliveira, atualmente as famílias estão muito fragilizadas. “A família que deve ser o lugar de maior proteção, muitas vezes é o lugar que mais fere e prejudica o desenvolvimento de crianças e adolescentes”, ressalta. O público-alvo é o de técnicos do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), Centro de Referência do Idoso (CRI) e as três entidades que atuam na execução de medida socioeducativa em Sorocaba: Associação Educacional e Beneficente Refúgio, Serviço de Obras Sociais – SOS e Centro Social São José.
“A nossa proposta é que eles aprendam essa metodologia lúdica e consigam realizar mais trabalhos em grupos nas unidades, o que é muito mais efetivo. Além de potencializar o tempo, o trabalho é enriquecido quando uma família consegue visualizar o formato de ser da outra”, destaca a coordenadora.
O kit educacional do Claves é um conjunto de ferramentas que busca ajudar as famílias a descobrirem-se e pensarem, juntas, as histórias familiares, conhecerem-se melhor, desenvolverem habilidades de comunicação, encontrarem novas formas de expressar afeto e aprenderem a valorizar a singularidade de cada integrante, construindo dia a dia a cultura dos bons tratos.
Capacitação
Neste primeiro dia, a temática trabalhada foi a Cultura de Família. “Queremos resgatar a convivência em família, a relação entre o avô e o neto, este hábito de se fazer coisas juntos, fortalecendo a relação”, explica Marilene de Oliveira. Para isso, a primeira dinâmica foi cada um dos técnicos desenhar a sua própria família, conversar em grupo sobre ela e apontar as fragilidades e as potências de cada uma. “Para saber como trabalhar com a família do outro é muito importante repensar a sua família”, explica.
Na terça-feira (dia 21), o grupo aprenderá mais sobre a questão da sexualidade. A ideia é fortalecer as famílias para saberem enfrentar algumas situações, como a gravidez na adolescência, a identidade de gênero e a orientação sexual. “Esta é uma temática que traz geralmente um grande estresse para as famílias”, afirma Marilene.
Por último, na quarta-feira os técnicos vão conhecer mais sobre como trabalhar a questão da imposição de limites de forma não violenta e como desenvolver novas alternativas para essas famílias. Nesse último dia, cada participante ainda vão elaborar um plano de ação para trabalhar na unidade no segundo semestre deste ano.
A pedagoga Valéria Dias, orientadora social da Associação Refúgio, está feliz em participar da capacitação. “Utilizar dinâmicas e outras atividades lúdicas é uma excelente ferramenta para trabalhar com o nosso público, no fortalecimento de vínculos”, destaca. “A fragilidade da maioria das pessoas atendidas na medida socioeducativa vem da própria família”, afirma a orientadora.
Quem também está participando da ação é a assistente social Débora Moraes, que atua na Regional Sul/Leste do Centro de Referência Especializado de Assistência Social. “Estou achando fantástica esta oportunidade de descobrir novas estratégias para trabalhar com as famílias, melhorando a nossa atuação e a qualidade do atendimento à população. É muito gratificante”, garante a técnica.
Segundo Débora, as famílias atendidas no Creas são extremamente vulneráveis; já tiveram violação de direitos. “E essa violação nunca vem sozinha, tem violação de diversas formas e os fatores são internos, ou seja, ocorrem dentro da própria família. Elas estão muito frágeis, sem saber qual é o papel de cada um”, enfatiza a assistente social.
A Secretaria de Desenvolvimento Social está localizada na Rua Santa Cruz, 116, no Centro.
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