Sorocaba terá representante na Paralimpíada

Por: Esdras Felipe Pereira (Programa de Estágio) Supervisão: Mariana Campos/Secom
Fotos: Fred Hoffmann

Embora seja paranaense de nascimento, a paratleta Marinalva de Almeida, da vela adaptada, morou na cidade de 2009 a 2012 e projeta retorno em breve

Sorocaba teve uma representante na Olimpíada do Rio de Janeiro, a jovem Priscila Stevaux Carnaval, de 22 anos, do BMX. Na Paralimpíada, a população também poderá torcer especialmente por uma mulher: Marinalva de Almeida, de 39 anos de idade, que vai competir na vela adaptada. Embora seja paranaense de nascimento, a paratleta morou na “Manchester Paulista” de 2009 a 2012. Teve de deixar a cidade em 2013 para se dedicar intensamente aos treinos, mas não esconde que deseja voltar a viver no município.

Aos 15 anos de idade, Mari, como prefere ser chamada, sofreu um acidente de moto que mudou sua vida. Como consequência, precisou amputar a perna esquerda. Na época, reconhece que “ninguém sabia como lidar com uma situação assim”, mas decidiu não ficar se lamentando. “Pensei: ‘não tem o que fazer. Se eu ficar chorando, não vai nascer outra perna em mim’. Então meu lema foi sempre deixar de reclamar do que não tenho, e sim agradecer pelo que tenho”, conta.

Desde o ocorrido, o apoio familiar foi incondicional. Ganhou, também, outro aliado: o esporte. Já fez de tudo um pouco: natação, tênis de mesa, assim como arremessos de dardo, disco e peso. Na corrida de rua, no entanto, conseguiu uma projeção maior. Em 2012, foi a única paratleta feminina a disputar a São Silvestre, em São Paulo. Completou o percurso de 15 quilômetros em 2h19 graças a duas muletas – ela ainda não tinha prótese.

A São Silvestre, então, serviu como vitrine para Mari. Despertou o interesse do Time São Paulo Paralímpico, já que precisavam de uma mulher para a vela adaptada. Resolveu aceitar o desafio, mesmo admitindo não ter conhecimento suficiente sobre o esporte naquele momento. Passou num teste e, em 2013, deixou a residência onde morava, no bairro do Éden, em Sorocaba, para seguir à Capital.

“É muito gratificante estar em uma Paralimpíada em pouco mais de três anos de vela. Esse esporte é como uma faculdade, geralmente não é em pouco tempo que se aprende. Grandes velejadores dizem que, no mínimo, é preciso seis anos para entender do mar, do barco, das velas, do vento e tudo que há ao redor”, afirma.

 

A Paralimpíada

 

Na vela adaptada, Mari compete na chamada classe Skud-18, formada por um homem e uma mulher. Tem como companheiro Bruno Landgraf, que é tetraplégico. Sua função é ser proeira no barco, cuja responsabilidade, entre outras coisas, é dar direção às velas, bem como ajustá-las, para cima e para baixo. Landgraf é o chamado timoneiro, tendo a direção em suas mãos e dando velocidade ao veículo aquático.

A dupla garantiu vaga na Paralimpíada após participar do campeonato mundial na Holanda, em maio deste ano. E já treinam na Baía de Guanabara – local das provas da Paralimpíada do Rio de Janeiro – há pouco mais de dois anos. Ansiosa para suas provas, que terão início em 12 de setembro, Mari quer que a “hora chegue logo, para arregaçar as mangas e fazer o melhor”.

Pela frente, Mari e o companheiro da modalidade vão enfrentar concorrentes de renome, que segundo ela “nasceram em famílias de velejadores”. Ao menos 11 países devem disputar, além do Brasil, os lugares mais altos do pódio. Sobre chances de medalha, ela é enfática: “Quero dar o meu melhor, mas isso não significa que virá medalha. Se eu não conseguir e meu coração estiver tranquilo de que fiz o máximo, está ótimo. Mas é lógico que se a consequência disso tudo for uma medalha, melhor ainda”.

Além da Skud-18, o Brasil também vai competir na vela adaptada nas classes 2.4mr, que é individual, e na Sonar, em que o barco é composto por três tripulantes. A Paralimpíada terá início em 7 de setembro e termina no dia 18 do mesmo mês.

 

Sorocaba

 Mesmo tendo se mudado de Sorocaba há mais de dois anos, a cidade ainda está presente carinhosamente na memória de Mari. Em sua convocação à Paralimpíada, listada no site do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a cidade consta (equivocadamente) como sendo a de nascimento da paratleta. “Será que é uma premonição que vou voltar a viver aí? De repente é”, diz ela, aos risos, após ser questionada.

 Mari recorda que, em Sorocaba, tomou decisões importantes, inclusive a de “jogar tudo pro alto” e viver exclusivamente do esporte. Antes de um possível (e próximo) retorno ao município, ela espera poder contar com a torcida dos sorocabanos na Paralimpíada. “Só posso pedir que torçam muito por mim e pelo Bruno, porque as energias positivas, com certeza, vão fazer a diferença”, finaliza.

 

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