Sorocaba tem registro de 53 espécies de peixes

Um estudo realizado em Sorocaba identificou a presença de 53 espécies de peixes no município, tanto no rio principal – que dá nome da cidade – como em outros habitats, tais como córregos, represas, lagos e lagoas. Entre as espécies mais comuns estão o lambari (Astyanax fasciatus), tambiú (Astyanax altiparanae), cará (Geophagus brasiliensis), traíra (Hoplias malabaricus) e bagre (Rhamdia quelen).

A lista de espécies foi feita por intermédio de informações contidas em monografias, relatórios de iniciação científica, artigos, e hoje integra um dos capítulos do livro “Biodiversidade do Município de Sorocaba”, lançado pela Prefeitura de Sorocaba em abril de 2014.

Para Clebson Ribeiro, secretário do Meio Ambiente (Sema), todos os dados coletados nesta pesquisa permitem afirmar que Sorocaba possui uma fauna bastante rica. “E não apenas envolvendo os peixes. Principalmente quem caminha ou anda de bicicleta na ciclovia da Avenida Dom Aguirre pode conferir diariamente diversas espécies de aves, como o biguá e o socó, répteis como o cágado, e até mesmo o jacaré-de-papo-amarelo”, comenta o titular da pasta.

O peixe Tabarana (Salminus hilarii) é uma das espécies nativas encontradas no rio que pode ser considerada indicadora de boas condições do manancial. Outro exemplo é o lambari, pois trata-se de uma espécie mais sensível que precisa de mais oxigênio para sobreviver. “A presença e o comportamento dessas espécies mostra a recuperação das águas do nosso rio”, confirma Welber Smith, diretor de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente. 

Entre as espécies não nativas encontradas na cidade há registros de carpa (Aristichthys nobilis), pacu (Piaractus mesopotamicus), sardinha (Triportheus nematurus), cascudo (Pterygoplichthys anisitsi), barrigudinho (Poecilia vivipara) e a tilápia (Tilapia rendalli).

 

As melhorias quem vem sendo feitas

 

Um dos fatores predominantes para a manutenção e aumento da biodiversidade existente no local é o fato de rio Sorocaba estar recebendo, já há alguns anos, uma baixa quantidade de esgoto in natura. Tudo isso graças ao Programa de Despoluição do Rio Sorocaba, realizado desde o ano 2000 pela Prefeitura de Sorocaba, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

O programa resultou numa série de intervenções que consistem na coleta, afastamento e tratamento do esgoto produzido na cidade, livrando o leito dos córregos e do rio dessa carga orgânica, e que resulta na quase totalidade do tratamento do esgoto e o saneamento de inúmeros córregos.

Além da despoluição do rio Sorocaba, Welber destaca que é muito importante a recuperação e a preservação das Áreas de Proteção Permanente (APPs), a revitalização dos córregos da cidade, a redução das intervenções nos corpos hídricos e a criação de unidades de conservação e parques municipais.

Apesar desta rica fauna habitando o rio Sorocaba, a Secretaria do Meio Ambiente alerta sobre os impactos que a bacia de drenagem vem sofrendo e que interferem diretamente na vida aquática, como a retiradas das matas ciliares. Esse tipo de mata (ou a mata de galeria) tem um importante papel na manutenção dos mananciais, pois preserva as margens evitando erosões, desmoronamentos e outros problemas ambientais.

Neste sentido, o governo municipal vem desenvolvendo ações de Educação Ambiental, como o Tour do Rio Sorocaba, e a recomposição da mata ao longo do rio Sorocaba por meio do plantio de árvores nativas. A Secretaria do Meio Ambiente também realiza um trabalho permanente junto às nascentes. Para isso, foi realizado um levantamento que registrou 2.815 nascentes em todo o território sorocabano. E, neste momento, estas nascentes estão sendo georreferenciadas, cadastradas, fotografadas e diagnosticadas em seu entorno imediato, bem como nas áreas adjacentes para recuperá-las.

Outros impactos se referem principalmente ao crescimento da população e ao desenvolvimento econômico crescente nos últimos anos, que incentivam atividades humanas que interferem direta ou indiretamente nas condições naturais da bacia, como a industrialização, a urbanização e o reflorestamento com plantas exóticas. 

 

Sobre o livro

 

Os 14 capítulos que compõem o livro “Biodiversidade do Município de Sorocaba” fornecem, de forma clara e objetiva, um panorama sobre a biodiversidade de Sorocaba, abordando temas como: embasamento legal, remanescentes florestais com identificação de áreas de alto valor ambiental, criteriosos levantamentos de flora e fauna, políticas públicas municipais e as atividades do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” na conservação da biodiversidade faunística da região. Além disso, identificam lacunas de conhecimento, nas quais deverão se concentrar esforços maiores em próximos trabalhos de pesquisa.

As instituições que participaram da confecção dessa obra foram: Secretaria do Meio Ambiente de Sorocaba, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) campus Sorocaba, Universidade de Sorocaba (Uniso), Universidade Paulista (Unip) campus Sorocaba, Universidade Estadual Paulista (Unesp) campus Sorocaba, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) campus Sorocaba, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), University of St. Andrews e Universidade de Coimbra.

Todo o conteúdo do livro está disponível no site www.meioambientesorocaba.com.br.

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