Porém, momento é de fortalecer a prevenção, com a eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti, também transmissor da chikungunya e zika
Conforme novo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (26) pela manhã, pela Secretaria da Saúde (SES), Sorocaba está há sete semanas sem registro de novos casos confirmados de dengue. Porém, não é hora de baixar a guarda, pelo contrário, é momento de fortalecer as ações de combate e prevenção à doença, sobretudo, com o apoio da população na eliminação de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que também é transmissor das febres chikungunya e zika.
“Enfatizamos a necessidade de cada cidadão monitorar semanalmente sua casa e local de trabalho, para eliminar recipientes que acumulem água e, assim, evitarmos a proliferação do mosquito transmissor”, ressaltou o secretário da Saúde, Francisco Fernandes, em entrevista coletiva à imprensa, na Prefeitura. Desde o início de julho, Sorocaba constatou 1.221 notificações de casos suspeitos de Dengue, dos quais 22 foram confirmados, sendo dezessete autóctones (pessoas que se infectaram no município), e cinco importados. A incidência é de 3,41 casos para cada 100.000 habitantes e não houve registro de mortes decorrentes dessa doença no período em questão.
No ano passado, em relação ao mesmo período, havia na cidade 1.601 notificações, com 41 ocorrências positivas de dengue e um índice de 6,43 casos para cada 100.000 habitantes. “Isso comprova que as ações desencadeadas pelo poder público surtiram efeito e que há maior adesão da população nas ações preventivas. Mas é cedo para dizer se Sorocaba terá ou não nova epidemia em 2016. O combate ao mosquito precisa ser permanente”, alerta Francisco.
Neste segundo semestre os casos de dengue foram registrados nas regiões de atuação das seguintes Unidades Básicas de Saúde (UBSs): Sorocaba 1 (1), Lopes de Oliveira (1), Jardim São Guilherme (3), Parque São Bento (1), Vila Fiori (1), Nova Sorocaba (2), Jardim Maria do Carmo (1), Parque das Laranjeiras (2), Barcelona (1), Vila Haro (1), Éden (2), C.S. Escola (1). “Há casos espalhados pela cidade e toda ela tem a presença do mosquito transmissor, sobretudo nas regiões Norte e Noroeste”, destaca Rafael Reinoso, Diretor de Área de Vigilância em Saúde da SES.
Renata Guida Caldeira, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica da SES, enfatiza que é definido como caso suspeito de dengue aquele paciente que apresenta febre alta de início súbito, com duração de dois a sete dias, acompanhada de pelo menos duas das seguintes manifestações: náusea, vômito, exantema, dor muscular, dor nas articulações, dor de cabeça, dor nos olhos, petéquias ou prova do laço positiva, e leucopenia. Crianças com quadro febril agudo de dois a sete sem focos de infecção aparentes (exemplo: amidalite, otite, faringite) também podem ser considerados casos suspeitos.
Zika
Em relação à febre pelo Vírus Zika, em Sorocaba contou, neste segundo semestre, com cinco notificações, todos descartados com a realização de exames.
A doença leva o paciente a apresentar quadro de febre baixa (menor que 38,5 ºC), acompanhada de manchas pelo corpo e um dos seguintes sintomas: conjuntivite, coceira, dor articular ou inchaço de membros inferiores.
Apenas 18% dos casos de Zika vírus apresentam sinais ou sintomas da doença. A doença é conhecida por apresentar evolução clínica benigna e autolimitada, desaparecendo os sintomas espontaneamente num período de três a sete dias, não apresentando formas crônicas como é o caso da Chikungunya. “Ela é silenciosa e estamos em alerta, especialmente após o Ministério da Saúde indicar que o aumento dos casos de microcefalia em Estados no Nordeste do Brasil, principalmente em Pernambuco, pode estar associado à infecção por vírus Zika”, menciona o secretário da Saúde. Ou seja, quem viajar para essa região do País deve estar mais atendo à doença e procurar pelo médico em caso de identificação dos sintomas.
Em Sorocaba não foi registrado aumento no número de casos de nascimentos com microcefalia: houve uma ocorrência em 2014 e outra em 2015, mas que não têm relação com o zika. “Mas todo cuidado é pouco. Não podemos pedir para que as mulheres não fiquem grávidas, mas cuidados extras são necessários, pois a chance de contrair uma doença transmitida pelo Aedes aegypti aumenta durante o primeiro semestre do ano, quando as condições são favoráveis para a proliferação do mosquito”, complementa Francisco Fernandes.
O Ministério da Saúde orienta as grávidas a terem sua gestação acompanhada em consultas pré-natal, realizando todos os exames recomendados pelo médico; a não consumirem bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas; não utilizarem medicamentos sem a orientação médica; evitarem contato com pessoas com febre, exantema ou infecções; adotarem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças, com a eliminação dos criadouros; protegerem-se de mosquitos mantendo portas e janelas fechadas ou teladas, usando calça e camisa de manga longa, bem como fazendo uso de repelentes indicados para gestantes. Ainda orientam às mulheres que queiram engravidar a conversar com a equipe de saúde para avaliar as informações e riscos antes de tomar a decisão.
Chikungunya
Também neste segundo semestre, em Sorocaba foram confirmados três casos de febre chikungunya, sendo todos importados: um da Bahia, outro de Alagoas e outro indeterminado.
Define-se como caso suspeito desta doença o paciente com febre de início súbito maior que 38,5 ºC, dores nas articulações ou inflamação intensa das articulações (inchaço e vermelhidão) não explicadas por outras condições (exemplo: trauma, doenças reumáticas e/ou autoimunes), sendo o paciente residente ou tendo visitado áreas endêmicas/epidêmicas até duas semanas antes do início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com outro caso confirmado.
Ações preventivas
O prefeito Antonio Carlos Pannunzio assinará, na tarde desta quinta-feira (26), documento para contratação de empresa que será responsável pelo processo seletivo voltado ao preenchimento de mais 120 vagas de agentes de saúde. Esse grupo vai atuar, especificamente, nas ações antidengue. “Já iniciamos procedimento para a compra dos equipamentos que esse pessoal vai usar no dia a dia, como nebulizadores e uniformes, além da locação de veículos”, garante Rafael Reinoso.
“Nos próximos meses vamos intensificar ainda mais as ações educativas de prevenção, sobretudo em locais de grande concentração de pessoas. O único meio de evitar essas três doenças é acabando com o mosquito transmissor”, adianta o secretário da Saúde. Já Renata Caldeira ressalta a importância da notificação de casos suspeitos, para agilizar as ações de bloqueio da doença e o manejo clínico dos pacientes. O alerta é tanto para a população em geral, quanto para os profissionais da área de saúde.
A SES prossegue com as ações de combate ao Aedes, por meio de visitas de casa em casa, orientação de munícipes, nebulizações, busca de pacientes suspeitos e retirada de possíveis criadouros. Em outubro foram recolhidas 71,2 toneladas de inservíveis de várias residências da cidade, por meio de atuação em imóveis mais críticos identificados pela Zoonoses, onde residiam pessoas acumuladoras. Em novembro, o dado é parcial e foram contabilizadas 27,7 toneladas de materiais.
Vale destacar que a Divisão de Zoonoses realiza, até esta sexta-feira (26), uma série de atividades alusivas à Semana Estadual de Mobilização Contra a Dengue. Além da entrevista coletiva em que foi anunciado o novo boletim epidemiológico da dengue, constam na programação: aulas teóricas sobre sintomas e prevenção da dengue para alunos e familiares da Guarda Mirim, distribuição de material informativo e orientações nos Terminais Santo Antônio e São Paulo, vistorias em empresas e uma exposição itinerante pelas Casas do Cidadão, sobre a dengue, que está na Unidade Éden (R. Bonifácio de Oliveira Cassu, nº 180 – Éden) e, na sexta-feira (27), na Itavuvu (Av. Itavuvu, 3.415 – Parque das Laranjeiras).
Cada UBSs tem ainda uma programação específica, conforme calendário próprio (ver arquivo em anexo), em parceria com entidades, escolas e outras organizações da sociedade e do poder público. Há desde orientações e palestras dirigidas a quem está no aguardo de consultas nas unidades, assim como vistorias em busca de possíveis criadouros, apresentações teatrais nos postos de saúde, escolas e demais locais públicos, além de mutirões de limpeza, passeatas e caminhadas pelas ruas dos bairros.