Sorocaba continua sem casos autóctones de Zika e chikungunya

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Em relação à dengue, município tem registrado média de oito novas ocorrências positivas por semana, contra mais de 4,1 mil no mesmo período do ano passado

 

As ações da Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde (SES) estão concentradas em evitar o surgimento de casos autóctones (locais) de dengue, de zika e chikungunya. Mais sobretudo destas duas últimas, uma vez que ainda não há registro no município de pessoas que tenham contraído alguma delas na cidade. Ou seja, os casos identificados até o momento são importados, contraídos por pessoas em outras localidades e que depois receberam atendimento em Sorocaba. Nesse sentido, as principais ações consistem na notificação de casos suspeitos e de bloqueio na região onde essas pessoas moram, a fim de evitar a propagação por meio do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

Em entrevista coletiva à imprensa nesta quarta-feira (24), a SES apresentou dados atualizados sobre as três doenças na cidade e as mudanças adotadas no protocolo de confirmação de casos de chikungunya e zika, conforme recomendação da Grupo de Vigilância Epidemiológica estadual. Isso, devido à insuficiência de kits de diagnóstico disponíveis no Instituto Adolfo Lutz, na capital, que é referência no estado para esses tipos de constatações.

“Até então só eram considerados positivos os casos confirmados via exame laboratorial. Agora, as ocorrências suspeitas em que o paciente tem quadro clínico compatível, e que é proveniente de regiões com alto índice de transmissão dessas doenças, passam a ser confirmadas pelo critério clínico-epidemiológico. Assim, a tendência é nas próximas semanas aumentar o número de casos de zika e chikungunya na cidade”, explica o secretário da Saúde, Francisco Antonio Fernandes.

Desde julho de 2015, Sorocaba tem confirmados 11 casos de febre chikungunya, sendo sete via exame laboratorial e quatro pelo critério clínico. Todos são importados. Ainda há oito em investigação. No último boletim epidemiológico, divulgado em 3 de fevereiro, havia o registro de sete casos. “Vale lembrar que mediante suspeita de chikungunya ou zika, inicialmente, sempre é feita também coleta de sangue para dengue”, lembra o diretor da Área de Vigilância em Saúde da SES, Rafael Reinoso.

No caso de zika, Sorocaba apresenta seis casos confirmados. Destes, dois foram anteriormente identificados por meio de exame laboratorial e quatro, em caráter clínico-epidemiológico. Desde julho de 2015 há ainda dezesseis sob investigação. A SES continua com o acompanhamento da gestante cujo bebê está com suspeita de microcefalia. A recomendação é aguardar o nascimento para confirmar ou não a anomalia e a possível relação com infecção por vírus zika.

“Fomos notificados também de outro caso, de recém-nascido há duas semanas em hospital público, que apresenta microcefalia. A mãe não apresentou sintomas de zika, mas esteve no Rio Grande do Norte na 23ª semana de gestação”, adiantou o secretário da Saúde. Os exames de praxe foram feitos e a rede municipal aguarda pelo resultado da análise do Instituto Adolfo Lutz, para constatar se o caso está também associado ao zika.

 

Dengue

Até o último dia 20 de fevereiro, Sorocaba contabilizava 96 casos de dengue (52 autóctones e 44 importados), isso desde julho de 2015. No período, são 4.455 notificações, uma incidência de 14,88 casos por 100 mil habitantes e não há óbitos causados por essa doença. Atualmente, uma média de 08 casos de dengue tem sido registrada em Sorocaba a cada semana.

“No ano passado eram mais de 4.100 por semana. Vivíamos uma explosão de casos, com os números se multiplicando a cada semana”, completa. De julho/2014 a fevereiro 2015, a SES contabilizou 12.395 casos positivos (12.282 autóctones e 113 importados), o que representava 1.945 para cada 100 mil habitantes. Eram 17.021 notificações.

“Hoje em dia, não estamos nem em fase de alerta para a doença e essa situação nos dá certa tranquilidade, mas todo cuidado é pouco para evitar a proliferação, pois estamos na época mais favorável de contágio”, avisa Rafael. A região da cidade com maior número de casos é a noroeste, com 17, que engloba a área de atuação das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Vila Barão (4), Lopes de Oliveira (4), São Guilherme (4), Maria Eugênia (2) e Nova Esperança (1). “Porém, há casos positivos em todas as áreas do município, inclusive, crescimento no Cajuru e Vitória Régia, com 05 casos cada”, acrescenta.

 

Ações

A SES mantém as ações diárias de combate ao mosquito transmissor e prevê para o dia 19 de março mais um dia “D” de combate ao Aedes. “Também haverá outro em abril, ambos nos moldes deste último dia 13 de fevereiro, com remoção de criadouros e trabalho de conscientização de moradores de bairros com maior índice de casos dessas doenças”, adianta o secretário. Enquanto isso, a orientação à população é hidratar-se bem em caso de suspeita de contágio e, imediatamente, procurar ajuda nos postos de saúde. “Somente a partir da notificação podemos desencadear de forma mais ágil e eficaz as operações para evitar a disseminação dessas doenças, ou seja, quanto maior o número de notificações, melhor, pois há a possibilidade maior de descartar hipóteses de casos de dengue, zika e chikungunya”, finaliza.

 

Tags:, ,