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Acessado em: 17/01/2026 - 19h34

SES pede apoio da população no combate ao Aedes aegypti

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Zaqueu Proença - zbueno@sorocaba.sp.gov.br

Objetivo é evitar nova epidemia de dengue em 2016 e ainda o surgimento de casos relacionados às febres Zica e Chikungunia

Embora muita gente tenha incorporado iniciativas de combate e prevenção à dengue no dia a dia, para tentar evitar uma nova epidemia em 2016, uma maior adesão por parte da população é cada vez mais necessária, ainda mais para conter, em Sorocaba, a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que também é transmissor das febres zica e chikungunya. Por enquanto não há registro de casos locais destas duas últimas doenças, informa a Secretaria da Saúde (SES), mas o risco não está descartado, pois ainda há resistência por parte de alguns munícipes em colaborar e, para piorar a situação, porque cerca de 80% dos focos do mosquito têm sido identificados em residências.

A Área de Vigilância em Saúde mantém as ações diárias de prevenção, por meio de visitas de casa em casa, para orientação da comunidade, bem como para recolher materiais inservíveis que podem servir de criadouros para o Aedes. Nesta semana, tais ações estão programadas para ocorrer na Vila Hortência, Barcelona, Nova Esperança, Jardim Marcelo Augusto, Nova Sorocaba, Aparecidinha, Vila Fiori, Jardim Baronesa e Jardim São Paulo. Três equipes realizam o serviço e cada uma vistoria, em média, 25 imóveis por dia.

A nebulização de casa em casa, com aplicação de inseticidas, também prossegue e esta semana está sendo realizada na Vila Hortência. Na sequência ela chega ao Jardim Baronesa. “Muita gente está colaborando, mas ainda tem muitas pessoas quem se negam a receber a equipe. Até alegam que estão fazendo sua parte, mas não permitem a entrada da equipe”, frisou Roberval Rodrigues, agente de Vigilância Sanitária da SES, lembrando de duas residências do bairro Cidade Jardim, de onde a zoonoses retirou, nas últimas semanas, mais de 1,5 tonelada de materiais inservíveis que serviam de criadouros para o Aedes aegypti.

Na Vila Hortência a nebulização começou no último sábado e de lá para cá, aponta Roberval, moradores de duas em cada dez casas visitadas não autorizam a nebulização. São duas equipes que devem atuar até esta terça-feira (1º/12). “A gente explica, tenta convencer da importância, mas não tem jeito. A maioria diz que não tem mosquito em casa e muitos resistem em admitir que o Aedes pode chegar ali.”

A advogada Laila Prado, 30 anos, saiu de casa acompanhada da mãe, de duas cadelinhas e do passarinho para que a equipe da Zoonoses fizesse a nebulização de sua casa, nesta segunda-feira (30) pela manhã. “Tem que valorizar essa ação preventiva. Não sei porque tem gente que não colabora. Isso aqui é questão de saúde pública e uma iniciativa positiva para quem mora por aqui. Minha mãe, sogra e vizinha já tiveram dengue e não desejo isso pra ninguém”, comentou.

A nebulização é feita depois que a equipe de visita de casa em casa passa por determinado bairro para identificar e remover inservíveis que podem acumular água. “Enquanto a remoção de materiais é feita para evitar a formação de larvas, a nebulização acaba com o mosquito adulto. Uma ação é complementar à outra, daí a importância do apoio da população durante todas as ações”, ressalta médica veterinária Thaís Buti, da Divisão de Zoonoses.

Zica e chikungunya

Diretor de Área de Vigilância em Saúde da SES, Rafael Gonçalves Reinoso reitera a necessidade de cada cidadão monitorar semanalmente sua casa e local de trabalho para eliminar recipientes que acumulem água, tendo em vista não apenas o perigo da dengue, mas também para evitar a proliferação da zica e da chikungunya.

A temerosidade é ainda maior após o Ministério da Saúde confirmar a relação entre o zica vírus e o surto de casos de microcefalia no Nordeste do Brasil, situação inédita na pesquisa científica mundial. O receio é que alguém viaje ao Nordeste e volte contaminado pela doença. “Basta ser picado por um mosquito, por aqui, para iniciar a transmissão. O risco é muito grande, daí a importância de estar atento aos sintomas e informar as autoridades de saúde em caso de suspeita, para que as ações de bloqueio sejam adotadas”. Em Sorocaba houve este ano cinco notificações descartadas quanto ao zica.

O mesmo se aplica à febre chikungunya, que teve confirmados três casos positivos em Sorocaba, sendo um deles importado da Bahia, outro de Alagoas e um terceiro de procedência indeterminada. “Diante de tantas doenças ligadas ao Aedes, cada vez mais temos que fazer a nossa parte, ainda mais porque tem chovido muito, o que favorece a proliferação do mosquito. Tem que fiscalizar e o povo precisa ajudar”, detalha a professora Ana Cristina de Carvalho, 51 anos, moradora da Vila Hortência, que recebeu em casa a equipe de nebulização nesta segunda-feira (30).

A SES reitera que é importante, na presença de sintomas de dengue, que o paciente procure atendimento de saúde imediatamente, se hidrate em abundância, permaneça em repouso, use repelente e só faça uso de medicamentos sob prescrição médica. Em caso de piora dos sintomas, o paciente deve retornar ao serviço de saúde. Na suspeita de zika ou chikungunya, a notificação de dengue também deve ser feita e o paciente, num primeiro momento, deve ser tratado como enfermo desta última.