A Secretaria da Saúde (SES) constatou aumento das confirmações de casos importados de dengue em Sorocaba, ou seja, de pessoas que contraíram a doença em outra cidade e a trouxeram quando retornaram ao município. O mesmo ocorre com as a febres chikungunya e zika – também transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti -, cujos casos positivos identificados têm todos relação com esse tipo de contaminação. Esse quadro, bem como a quantidade de casos quanto a cada uma dessas doenças, foram apresentados pela SES à imprensa nesta quarta-feira (3), durante entrevista coletiva.
A situação traz um alerta aos sorocabanos que pretendem viajar. É imprescindível a adoção de medidas preventivas – sobretudo por meio do uso de repelente, para a proteção contra exposição a mosquitos. Em casa, ou em outras áreas do Estado ou do país, manter portas e janelas fechadas ou teladas e usar calça ou camisa de maga comprida também é necessário. Mas, se de volta a Sorocaba houver o aparecimento de algum sintoma dessas doenças, a ação deve ser de procurar o mais rápido possível atendimento na rede municipal de saúde. “Desta forma podemos adotar medidas mais eficazes para evitar a disseminação dessas doenças em Sorocaba”, reforça o secretário da Saúde, Francisco Antonio Fernandes.
A perspectiva de aumento nas ocorrências de zika em Sorocaba nos próximos meses é real, uma vez que o Grupo de Vigilância Epidemiológica Estadual recomenda que todos os casos importados de locais com transmissão sabidamente estabelecida, devam ser considerados confirmados por meio de critério clínico-epidemiológico, ou seja, sem a necessidade de resultado laboratorial. “Os laboratórios não estão conseguindo atender a demanda de exames. O critério é o mesmo que utilizamos no ano passado quanto à dengue. Isso faz os números aumentarem, mas torna as ações de bloqueio mais eficientes”, destaca.
Dengue
Desde julho do ano passado, Sorocaba contabiliza 3.566 notificações e 67 casos de dengue (37 autóctones e 30 importados). A situação é mais favorável, considerando uma comparação com o período de julho de 2014 a janeiro de 2015, quando houve 6.496 notificações e 2.729 casos confirmados (2.632 autóctones e 97 importados). Ou seja, os casos importados, que hoje representam 44,785% do total, no período anterior eram de apenas 3,56%.
A incidência de dengue é de 10,39 casos para cada 100 mil habitantes, contra 428,29 por 100 mil no período 2014-2015. No atual ano-dengue 2015-2016 também não há registro de óbito por este tipo de doença. “Isso tem relação com o vírus de dengue do tipo 1, que é o mesmo identificado no ano passado; o que significa que muita gente agora está imune. E também às ações preventivas desencadeadas pelo poder público ao longo do ano todo, aliado ao apoio de parte da população em remover os criadouros de larvas do Aedes”, analisa o diretor da Área de Vigilância em Saúde da SES, Rafael Reinoso.
Os casos de dengue estão espalhados por toda a cidade, com predominância pela região Noroeste, onde foram constatados 15 positivos (14 autóctones e um importado). Essa área tem abrangência de cobertura pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Vila Barão, Lopes de Oliveira, Maria Eugênia, Nova Esperança, São Guilherme e Parque São Bento, onde as ações de bloqueio foram intensificadas.
Chikungunya
Em relação à chikungunya, Sorocaba totaliza 18 notificações de casos suspeitos desde julho de 2015. Desses, seis se confirmaram por meio de exame laboratorial e todos importados. Cinco casos ainda permanecem em investigação e sete foram descartados.
Os importados foram identificados em munícipes que viajaram para estados na região Nordeste do Brasil, sobretudo, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Ceará, onde há alta incidência de pacientes com esse tipo de doença.
Zika
A SES recebeu 17 notificações de suspeitas de zika, das quais oito estão sob investigação e sete foram descartadas. Sorocaba tem dois casos confirmados, ambos via exame laboratorial, em pacientes que moram na região das UBSs Márcia Mendes e Wanel Ville. As duas ocorrências também são importadas: uma em paciente que esteve no Rio de Janeiro e outra em Ribeirão Preto.
“Agora, a zika é um problema mundial. O fato de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional para zika, e sua possível associação à microcefalia e outras síndromes neurológicas, facilita a união de esforços de governos e especialistas para enfrentar a situação”, analisa o secretário da Saúde.
Aliás, a SES ainda aguarda o resultado do exame encaminhado em dezembro passado ao Instituto Adolfo Lutz que vai mostrar se o caso de microcefalia em feto de paciente local está relacionado à zika. “É mais um sinal de que a rede não dá conta da demanda. Estamos acompanhando a paciente e, possivelmente, uma confirmação só ocorra após o nascimento da criança, após exame detalhado nela e na mãe”, adianta Francisco Fernandes.
Alerta
A SES informa que em todos os casos suspeitos de doenças relacionadas ao Aedes, o procedimento é a coleta de sorologia para confirmação do diagnóstico no primeiro atendimento. Na suspeita de zika ou chikungunya, o paciente é tratado como dengue num primeiro momento, com hidratação abundante. Num segundo, caso negativo, uma segunda amostra de sangue é enviada para nova análise referente ao outro tipo de doença.
“Em caso de surgimento de sintomas, antes mesmo de ir ao médico, a dica é hidratar-se muito, para amenizar a infeção”, completa o secretário. Vale ainda a máxima de semanalmente monitorar o imóvel para evitar criadouros de larvas do mosquito transmissor. “É a única forma de controlar a disseminação dessas três doenças. Quanto à dengue, embora os números sejam favoráveis, estamos na época da sua fase aguda e, ainda, não é possível afirmar se Sorocaba estará livre de uma nova epidemia”, finaliza.