SES adota protocolo de notificação de suspeitas de microcefalias
Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br
Secretaria investiga caso suspeito da doença possivelmente relacionada ao zika vírus em paciente que está na 27ª semana de gravidez
A Secretaria da Saúde (SES) de Sorocaba adotou novo protocolo para identificações, de forma mais precoce possível, de casos suspeitos de microcefalias, para constatar se há relação com o zika vírus e evitar uma proliferação dos casos. Duas circulares (SES/GR nº 04 e 05) indicam os procedimentos a serem adotados em maternidades e demais estabelecimentos da rede municipal de saúde, com atendimento obstétrico e de assistência a gestantes e recém-nascidos. A medida tem como base as recomendações do Ministério da Saúde (MS), que declarou estado de emergência em saúde pública no país, a partir da constatação de alteração do padrão de ocorrência de microcefalias sobretudo no Nordeste do Brasil.
Até a divulgação do último boletim epidemiológico, em 26 de novembro, Sorocaba tinha registrado este ano cinco notificações de zika, todas descartadas. Agora, a SES investiga ainda um caso suspeito de microcefalia possivelmente relacionado com o zika vírus – que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti – em paciente na 27ª semana de gravidez e cujos familiares viajaram recentemente para Pernambuco. Esse Estado brasileiro tem a maior incidência de ocorrências do tipo. Também não há constatação no município de aumento no número de casos de microcefalia: um em 2014 e outro em 2015, mas, nenhum deles relacionados à zika.
Notificação imediata
O secretário da Saúde, Francisco Fernandes, explica que a SES será notificada imediatamente em caso de microcefalia em nascimentos. Esse procedimento será feito mediante preenchimento de formulário específico e encaminhado à Divisão de Vigilância Epidemiológica da SES. “Todos os ultrassons realizados este ano, além dos novos, também serão reavaliados a fim de verificar a possibilidade de se identificar novos casos de microcefalia em Sorocaba”, acrescenta.
Diretor de Área de Vigilância em Saúde, Rafael Gonçalves Reinoso adiantou que reuniões estão sendo realizadas com os representantes das instituições de saúde que atendem a esse público, com o objetivo de ressaltar a importância da notificação. “Enviamos as circulares, bem como a Portaria e a Nota Informativa do Ministério da Saúde que tratam do assunto. Em caso de suspeita de Zika, as unidades de saúde notificam, por meio de respectivas fichas, também para dengue, com coleta de duas amostras de sangue. A suspeita para Zika prossegue caso os exames para dengue sejam negativos.
Caso suspeito e orientações
A SES esclarece que a paciente grávida, com suspeita de microcefalia no feto associado à zika, vai passar por novos exames para confirmar a doença. A identificação do caso ocorreu durante exame de ultrassom durante o pré-natal realizado numas das unidades de saúde do município. “A paciente está em casa, passa bem e um novo ultrassom, mais detalhado, vai mostrar se de fato há diminuição do perímetro encefálico do feto. A suspeita de zika leva em conta o histórico de saúde dela”. A previsão é que o resultado do novo exame saia até o fim da semana.
Mesmo sem a confirmação do caso, Fernandes destaca que as ações de bloqueio foram realizadas no bairro onde a paciente mora de forma a eliminar criadouros de larvas do Aedes, o mosquito em sua fase alada, identificar possíveis novos casos e orientar a população quanto às medidas preventivas.
A orientação à população, pontua Renata Caldeira, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica da SES, é que em caso de sintomas de febre baixa (menor que 38,5ºC), acompanhada de erupções vermelhas na pele, além de conjuntivite, coceira, dor articular ou inchaço de membros inferiores, deve-se procurar a unidade de saúde mais próxima. “Principalmente se pessoa ou algum familiar ou conhecido próximo tenha realizado viagens ao Nordeste ou regiões com grande quantidade do Aedes.”
“O paciente com febre zika tem um quadro semelhante à gripe comum, de difícil diagnóstico, porque apenas 18% dos casos apresentam sinais ou sintomas da doença. Ela chega silenciosa”, alerta o secretário da Saúde. Os sintomas desaparecem espontaneamente em 3 a 7 dias, não apresentando formas crônicas como é o caso da chikungunya.
Para evitar o aumento de casos de microcefalia associado à zika, o município segue as recomendações do Ministério da Saúde e orienta as grávidas a terem sua gestação acompanhada em consultas pré-natal, realizando todos os exames recomendados pelo médico. Além disso, é aconselhável não consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas; não utilizar medicamentos sem a orientação médica; evitar contato com pessoas com febre, manchas avermelhadas ou infecções; adotar medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças, com a eliminação dos criadouros; proteger-se de mosquitos mantendo portas e janelas fechadas ou teladas, usando calça e camisa de manga longa, bem como fazendo uso de repelentes indicados para gestantes. Ainda aconselha as mulheres que queiram engravidar a conversar com a equipe de saúde para avaliar as informações e riscos antes de tomar alguma decisão.
