Nesta quinta-feira (11), data em que se comemora o Dia do Cerrado, a Prefeitura de Sorocaba promoveu o 1º Seminário Regional para Conservação da Biodiversidade do Cerrado. Cerca de 60 pessoas, entre estudantes, professores e pesquisadores da área, participaram do encontro no Jardim Botânico “Irmãos Villas-Bôas”.
Promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), dentro da programação em comemoração ao Dia da Árvore, lembrado no dia 21 de setembro, o objetivo do seminário foi de promover ações que contribuam para a preservação, a recuperação e a pesquisa sobre o Cerrado na região de Sorocaba.
“Além de valorizarmos o Dia do Cerrado, este seminário vai nos trazer mais conhecimento, inclusive o que podemos fazer para protegê-lo. É uma ótima oportunidade para os estudantes e pesquisadores que estão aqui. Obrigado pela presença”, destacou o secretário do Meio Ambiente, Clebson Ribeiro, na abertura do encontro.
Sorocaba está localizada na zona de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado – dois grandes biomas brasileiros, havendo o predomínio do último no território municipal.
O professor da Universidade Federal do ABC, Waldir Mantovani, falou sobre “O Complexo do Cerrado”, onde abordou as fitofisionomias do bioma. Segundo ele, o Cerrado é um complexo formado por campo limpo, savana e floresta estacional semidecidual.
Para Mantovani, o que mantém o Cerrado no interior do Estado de São Paulo são o solo arenoso profundo e as queimadas, esta última determinante para o tipo de vegetação que existe hoje no Brasil. “Hoje sabemos que há milhares de anos, tivemos queimadas naturais na região central do nosso país, antes mesmo de ser habitado, e isso foi selecionando as espécies adaptadas ao fogo. Mas quanto maior o número de queimadas, maior é o enfraquecimento da vegetação arbustiva do Cerrado”, ressaltou.
Mantovani ainda falou sobre o processo de aquecimento global e a ameaça à extinção de diversas espécies da flora. “O aquecimento global é natural, iria acontecer de qualquer maneira, o grande problema é que estamos acelerando esse processo e as plantas não vão conseguir sobreviver a essa mudança muito rápida”, alertou.
Em seguida, a professora da UFSCar Sorocaba, Fátima Marques Pina Rodrigues, falou sobre as estratégias de conservação ex situ do Cerrado.
À tarde, foi realizada a Mesa-Redonda “O poder público na Conservação da Biodiversidade”, com Vidal Mota Júnior, diretor de Gestão Ambiental da Sema e professor da Uniso, e Welber Senteio Smith, diretor de Educação Ambiental da Sema e professor da Uniso.
Welber Smith falou sobre os instrumentos legais que Sorocaba hoje possui que norteiam as ações da Secretaria do Meio Ambiente, como a Política Municipal do Meio Ambiente, o Plano Diretor Ambiental, Política Municipal de Educação Ambiental e o Programa de Educação Ambiental. “A política municipal, por exemplo, trata e define em um capítulo a importância do Cerrado, da Mata Atlântica e da biodiversidade para a nossa cidade”, afirmou.
O diretor de Educação Ambiental da Sema ainda falou sobre o trabalho que desenvolve na área de Educação Ambiental, como o Tour do Rio e o Tour das Árvores, as atividades realizadas nos parques naturais, entre outras ações.
Ele também abordou a importância da parceria do poder público municipal com as faculdades e universidades de Sorocaba nas pesquisas acadêmicas e citou a publicação do livro “Biodiversidade do Município de Sorocaba”. “Conversando com pessoas de outras universidades, como Rio Claro e São Carlos, vimos que Sorocaba é um dos poucos municípios do Estado de São Paulo que promoveu este tipo de iniciativa. E isso foi graças a ótima relação que temos com essas instituições”, afirmou o diretor de Educação Ambiental da Sema.
A obra conta com a participação de 59 pesquisadores de instituições e universidades da cidade. Os 14 capítulos que compõem o livro fornecem, de forma clara e objetiva, um panorama sobre a biodiversidade de Sorocaba, abordando temas como: embasamento legal, remanescentes florestais com identificação de áreas de alto valor ambiental, criteriosos levantamentos de flora e fauna, entre outros.
Por último, a professora da Ufscar Sorocaba, Eliana Cardoso Leite, e o professor da Uniso, Nobel Penteado, coordenaram a Mesa-Redonda “Estratégias e critérios para definir áreas prioritárias para conservação”.
Sobre o Cerrado
A vegetação do Cerrado é caracterizada por diversas fisionomias, principalmente pela presença de árvores retorcidas, com cascas grossas. Em alguns casos perdem as folhas nas épocas de estiagem, com folhagem adaptada a esses períodos, que podem formar florestas junto com várias espécies arbustivas ou estar dispersas em campo aberto de gramíneas.
Entre as espécies do Cerrado estão: ipês (amarelo, roxo, rosa e branco), angico, açoita-cavalo, baru, cagaita, araticum, sucupira, mangaba, uvaia, araçá, entre outras.
O cerrado brasileiro é um bioma bastante ameaçado, que sofre com os impactos causados por atividades que vão deste a extração ilegal de madeira e de carvão, avanço desregrado da agropecuária, da urbanização e até mesmo a geração de energia.
Apesar das agressões e grande pressão impostas a ele, o Cerrado abastece grandes aquíferos e bacias hidrográficas do país, sendo por isso conhecido como “berço das águas”. É nele que estão as principais nascentes dos rios que pertencem as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul: São Francisco, Amazonas e Paraná. Além disso, concentra a terceira maior biodiversidade vegetal dentre todos os biomas brasileiros.