Eventos educativos começam nesta sexta-feira (5). O objetivo é informar a população sobre prevenção, tratamento e sintomas relativos a esta e outras zoonoses
Para orientar os munícipes sobre doenças transmitidas por animais, bem como os métodos de prevenção, a Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde (SES), juntamente à Secretaria de Planejamento e Gestão (SPG), promovem a Semana Municipal de Prevenção de Zoonoses. As ações ocorrerão nas seis Casas do Cidadão, entre esta sexta-feira (5) e o dia 18 de agosto, das 9h às 16h. Um dos assuntos que serão abordados com os munícipes e funcionários das unidades é a raiva.
Conforme a médica veterinária da Divisão de Zoonoses, Thais Buti, a raiva é uma encefalite viral grave (inflamação do cérebro). Segundo ela, a doença é transmitida dos animais aos homens pela introdução do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado ao tecido humano, principalmente por meio de mordidas. “Apenas os mamíferos transmitem e adoecem pelo vírus da raiva”, ressalta. Segundo ela, o morcego é a espécie de alto risco de transmissão, que ocorre por contato em humanos e em animais.
Apesar disso, Thais frisa que, na literatura, existe o relato de dois casos de transmissão inter-humana na Etiópia, ocasionados por mordida e contato com saliva infectada em mucosa. “Há ainda descrições de casos de contágio por meio de transplante de órgãos infectados”, complementa.
Ainda conforme a médica veterinária, o vírus da raiva tem atração pelas células nervosas, por isso, sua ação no sistema nervoso central ocasiona inflamação no cérebro. “A doença apresenta letalidade de aproximadamente 100%. Poucos pacientes sobrevivem à doença, a maioria com sequelas graves”, comenta.
Sintomas
Depois da introdução do vírus, há um período de incubação de 20 a 90 dias. A partir daí se iniciam sintomas inespecíficos como febre, dor de cabeça, tontura, coceira e formigamento no local da agressão (mordida, por exemplo). De acordo com a profissional, pode haver ainda dor de garganta, dificuldade para engolir, salivação, diarreia, dor abdominal e outras alterações do trato digestivo. “A pessoa começa a ficar desorientada, com alterações de visão e audição”, explica.
Em alguns dias, as alterações neurológicas se intensificam, segundo Thais, e há hipersensibilidade a qualquer estímulo visual, auditivo, olfatório ou tátil. “Frequentemente, o paciente reage a esses estímulos com espasmos e convulsões. Começam alterações de comportamento como agitação, falta de coordenação, delírios e alucinações”, conta.
De acordo com ela, a doença segue com intensa agitação psicomotora e crises convulsivas alternadas com torpor. “O torpor vai aumentando com o tempo e o paciente entra em coma. O óbito ocorre por parada cardíaca e morte cerebral.”, destaca.
Animais e tratamento
Em animais, Thais explica que os sintomas variam conforme a espécie. “Quando a doença acomete animais carnívoros, com maior frequência eles se tornam agressivos (raiva furiosa) e, quando ocorre em animais herbívoros, sua manifestação é a de uma paralisia (raiva paralítica)”.
No entanto, em todos animais costumam ocorrer os seguintes sintomas: dificuldade para engolir; salivação abundante; mudança brusca de comportamento; mudança de hábitos e paralisia das patas traseiras. “Os morcegos, com a mudança de hábito, podem ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais”, exemplifica.
Segundo Thais, não existe tratamento específico para a doença. Após o início dos sintomas, ele se limita em diminuir o sofrimento do paciente humano. “Em casos de contato com animais suspeitos, realiza-se um protocolo profilático com aplicações de sor/vacina para evitar a replicação do vírus e o aparecimento dos sintomas”, acrescenta.
Prevenção
Os maiores cuidados devem ser tomados ao ter contato com um morcego. Thais orienta que, em caso de manipulação do animal, é indispensável o uso de equipamentos de proteção. “O ideal é cobri-lo com um balde ou caixa e ligar para a Divisão de Zoonoses fazer o recolhimento do animal e encaminhamento para exame de raiva”. Após o contato, Thais orienta ainda que a pessoa procure imediatamente um serviço de assistência à saúde para iniciar o tratamento preventivo da raiva.
No caso de mordidas de cães ou gatos, a instrução é lavar imediatamente o local com água corrente abundante e sabão ou detergente para diminuir o risco de infecção. Depois disso, é importante procurar uma unidade de saúde para orientações. O animal agressor deve ficar em observação por 10 dias quanto aos sinais da doença.
Além disso, cães e gatos devem ser vacinados contra a raiva todos os anos. Em casos de animais suspeitos da doença, a recomendação é levá-lo a um médico veterinário. “Este é o único profissional capacitado para realizar a suspeita diagnóstica, pois existem outras enfermidades que acometem o sistema nervoso em animais”, alerta. Em caso de suspeita confirmada, o veterinário deverá entrar em contato com a Divisão de Zoonoses, para notificar o caso.
Casos e vacinação
No início da década de 90, foi registrado um caso de raiva em cão no município, de acordo com dados da Divisão de Zoonoses. Em humanos não há relato e, em morcegos, houve uma ocorrência em 2011. Segundo estimativa da Zoonoses, em 2015, 80.591 animais foram vacinados contra a raiva no município. Desses, 72.724 cães e gatos foram imunizados nas campanhas antirrábicas, conforme relatório do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações. Ainda foram imunizados no canil da Zoonoses, em ações de rotina, mais 527 animais, entre cães e gatos. Nas clínicas veterinárias do município foram notificadas 7.340 doses de vacina.
Ações de orientação
A ação educativas nas Casas do Cidadão Brigadeiro Tobias, Ipiranga, Itavuvu, Ipanema, Éden e Nogueira Padilha serão realizadas sempre das 9h às 16h. Haverá exposição com material didático e ilustrativo. O público também será abordado por meio da distribuição de folhetos educativos sobre a Leishmaniose Visceral Canina e posse responsável visando à prevenção de zoonoses, incluindo a raiva.
| Dias e locais da exposição | |||
| Dia | Casa do cidadão | Bairro | Endereço |
| 5 | Brigadeiro Tobias | Brigadeiro Tobias | Av. Bandeirantes, 4.155 |
| 8 | Nogueira Padilha | Vila Hortência | Av. Nogueira Padilha, 1.460 |
| 9 | Ipiranga | Jardim Ipiranga | Rua Estado de Israel, 424 |
| 10 | Ipanema | Vila Helena | Av. Ipanema, 3.349 |
| 11 | Éden | Éden | Rua Bonifácio de Oliveira |
| 12 | Itavuvu | Parque das Laranjeiras | Av. Itavuvu, 3.415 |