Secretaria da Educação realiza curso sobre gênero e sexualidade
Por: Sandra Fonseca
Serão oito encontros com as equipes de gestão para abordar o tema
Um círculo de diretores, vice-diretores e coordenadores escolares se forma no auditório do Centro de Referência em Educação. Cada um segura a ponta de um barbante e explica porque se inscreveu no curso de gênero e sexualidade. Daquela roda de conversa saem inúmeras respostas. Os profissionais que atuam na linha de frente da edução municipal trouxeram para o curso uma série de vivências do dia a dia carregada de muitos incômodos também.
No círculo, ao segurar a ponta do barbante, uma diretora diz: “Todo mundo tem algum preconceito escondido, eu quero descobrir os meus e me libertar para poder trabalhar as questões de gênero na escola”.
Um diretor, ao receber outra ponta do barbante admite: “Eu tenho uma mente aberta para a diversidade, mas muitas vezes não sei lidar com ela, orientar alunos, pais e professores quando a questão vem a tona”.
Uma orientadora pedagógica segura mais uma ponta do barbante no círculo e relata: “Eu me incomodo de ver os banheiros nas escolas separados por cores azul e rosa, mas é difícil quebrar essa sequência normatizada na sociedade”.
Depois que o barbante está cruzado no círculo de debate, que todos os gestores falaram, entra em cena Luiz Fábio Santos, supervisor de ensino da rede municipal de educação de Sorocaba, mestre em Educação, que vai ministrar o curso. Luiz traz um pensamento de Paulo Freire para explicar a dinâmica do barbante. “Cada ponto de vista é um ponto”. O supervisor de ensino se refere ao olhar de cada pessoa, que é único, mas depende do ponto de vista para mudar ou ampliar a visão.
O Curso
Com essa expressão, na abertura do curso, Luiz Fábio inicia as aulas, que terão oito encontros para explicar o conceito de gênero, questões de sexualidade, e vai mostrar como o preconceito está embutido na escola por meio das práticas educativas e o quanto essas práticas são capazes de também moldar o preconceito social dos alunos.
“A proposta do curso é fazer uma reflexão sobre as questões de gênero e diversidade sexual lá no chão da escola. Então, é por meio de vídeos, textos e depoimentos que vamos dialogar com os profissionais pensando no atendimento às crianças e na formação dos professores, para que haja uma inclusão de todas as pessoas na escola, baseada nos princípios que regem a modernidade, que são: liberdade, igualdade e fraternidade a todos que circulam no espaço escolar”, destaca o supervisor de ensino Luiz Fábio.
A diretora do CEI-77, Daniele Cazari, lembra que as questões de gênero são muito silenciadas, principalmente na educação infantil. “A gente percebe nas práticas do dia a dia, em jogos, em brincadeiras, nas questões pedagógicas um preconceito, que desde cedo já vai embutido na criança. A menina tem que ser sempre a princesinha, o menino não pode chorar. Então, levar esse debate para a escola é sair do senso comum, é tratar todas as crianças com igualdade desde os primeiros anos de vida. Quando a gente silencia essas questões, nós já estamos praticando o preconceito”, afirma a diretora.
O orientador pedagógico Eduardo Luiz de Almeida Júnior diz que é muito importante levar esse tema para a escola de forma problematizadora. “Tem que ter debates consistentes com professores e pais para que possamos desconstruir preconceitos e desfazer posturas inadequadas. Assim, nós formamos junto com os professores, a família e os alunos uma corrente de uma sociedade melhor, fazemos a diferença junto com as crianças”, diz o orientador.
Lei
Falar de gênero e identidade de gênero nas escolas é dever legal previsto na Constituição Federal, artigo 5º e 227, que trata da educação, bem como na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/1996 , que considera um compromisso social da instituição de ensino o dever de exercitar a igualdade e a cidadania.
O secretário de Educação de Sorocaba, André J. Gomes, diz que o curso é uma forma de quem trabalha diretamente com o aluno identificar formas de preconceito no ambiente escolar e quebrar essa barreira no trabalho diário com as crianças. “Eu acho que o maior perigo do preconceito é quando ele existe e nós não o identificamos, muitas pessoas são preconceituosas sem saber. O curso do supervisor de ensino Luiz Fábio é muito importante, porque lança luz nas terminologias, modos de comportamentos e atitudes há muito tempo arraigados entre as pessoas que nem mesmo elas percebem. A secretaria da educação vai dar todo o apoio para estender essa formação ao máximo de profissionais da rede municipal de ensino”, garante o secretário.
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Tags:Educação, Gênero e Sexualidade
