Rede municipal tem projeto educativo a crianças do Gpaci

Por: André Reis - areis@sorocaba.sp.gov.br

Mais de 800 atendimentos foram realizados neste ano por meio do projeto Classe Hospitalar

 

Desde o início do ano letivo, a Classe Hospitalar mantida pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Educação (Sedu), no hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci), realizou mais de 800 atendimentos pedagógicos a alunos que vão desde a Educação Infantil ao Ensino Médio. A ação faz parte do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Atualmente, das crianças que passam por tratamento médico no Gpaci, 50 recebem ainda atendimento pedagógico, que é é realizado por quatro professoras: duas de educação infantil e fundamental I (AEE) e duas de fundamental II e ensino médio. O objetivo principal é fazer com que a criança não desista da atividade escolar. Durante o atendimento, além de fazer o trabalho de escola, há a preocupação com o emocional do paciente. “Durante essas ações não tratamos as crianças como se estivessem doentes, fazemos com que elas desenvolvam todo o aprendizado”, explica a professora Edilaine de Jesus Dias Rehder.

 

Superação

No rosto de cada criança um sorriso. Assim são os alunos que frequentam diariamente a Classe Hospitalar que fica no espaço família do Gpaci. Thaís Vitória Proença Gomes, 12 anos, é um desses exemplos. Em tratamento desde o ano passado, frequenta o 7º ano do Ensino Fundamental, na cidade de Pilar do Sul. A menina, que foi diagnosticada com leucemia, passou pela fase mais intensa do tratamento e hoje comparece ao hospital uma vez por semana, para exames e para a Classe Hospitalar. Isso porque ainda não foi liberada pelos médicos para retornar à escola.

Thaís é a mais velha dos seis filhos de Camila Jesus Proença, 28 anos. A mãe destaca a dedicação da menina com os estudos, bem como com o tratamento. “Ela é incrível, adora ler livros, brincar e é muito carinhosa com os irmãos.” Camila considera que as atividades escolares no hospital são de fundamental importância, inclusive para o tratamento da saúde da filha. “Aqui eles são tratados como alunos, claro que há ressalvas devido às condições, mas isso faz esquecer as dificuldades de se encarar um tratamento de câncer”, explica.

Diagnosticada com dois tipos de leucemia, a linfoide e mieloide, Sthefany de Matos Santos, 10 anos, precisou se afastar das aulas na rede municipal de ensino de Sorocaba. Ela conta que adora fazer as tarefas da escola. A mãe da menina, Delza Cristina Reis, 32 anos, frisa que a filha está na fila para transplante de medula. “Essas atividades escolares aqui no Gpaci ajudam muito o processo de tratamento dela”, conta.

Quem também fica na expectativa da entrada das professoras, na sala, nos dias em que está na sessão de quimioterapia, é o pequeno Luís Eduardo Silva dos Santos, 4 anos. Ele que mora no município de Itu. A mãe diz que periodicamente vai à escola do menino para apresentar as atividades que faz no hospital. “Isso é muito bom, olha só a alegria dele ao manter contado com as professoras.”

Conteúdo

A professora Edilaine conta que na Classe hospitalar é trabalhado com a criança o conteúdo pedagógico, após contatada a equipe da escola de origem do paciente. Além das atividades do ensino regular, também são desenvolvidos projetos em parceria com os profissionais do próprio hospital.

Também professora no projeto, Lucimeire Prestes de Oliveira Tomé complementa que o atendimento é realizado de acordo com a demanda. “Dependendo do tratamento, os pacientes chegam a frequentar o hospital todos os dias da semana.” Geralmente, o atendimento é feito no intervalo de uma consulta ou exame.

A Classe Hospitalar fica situada no Espaço Família do Gpaci, local onde as crianças passam parte do dia na companhia do responsável. Os atendimentos são realizados na própria sala, no ambulatório onde a criança geralmente passa horas pela sessão de quimioterapia ou ainda na ala de internação.

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