Ora silêncio, ora palmas ao ritmo da música, gargalhas, bem como caras e bocas de surpresa e espanto. As intervenções demonstram o quanto uma plateia repleta de crianças mostra-se interessada pela história, neste caso sobre o Rio Tietê. O espetáculo teatral “Rio que Passa Lá” está sendo encenado, desde esta segunda-feira (26), em escolas da rede municipal de ensino de Sorocaba, para um público de 788 estudantes do Ensino Fundamental I e da Educação Infantil.
Sorocaba está entre os cem municípios paulistas contemplados para receber o espetáculo patrocinado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. As apresentações ocorrem duas vezes ao dia em cada unidade, sempre às 10h e às 14h, numa parceria local com a Secretaria da Educação (Sedu).
Na manhã desta segunda-feira (26), cerca de 150 crianças da Escola Municipal “José Carlos Florenzano”, no Jardim Santa Esmeralda, com idade entre 7 e 10 anos, puderam conferir a peça encenada pelo Grupo Último Tipo, que há 25 anos teatraliza música e musica o teatro, levando com bom humor e alegria sua visão de mundo, sempre tendo como enfoque as questões ambientais e regionais.
Em o “Rio que Passa Lá”, o Tietê toma a forma de um viajante para falar com o homem de igual para igual e, junto de outros personagens, deixa claro sua fundamental importância no ecossistema. Conta a sua história desde o nascimento, até chegar a ser o rio mais importante do Estado de São Paulo. A fábula detalha festas, tradições, danças típicas, música e elementos do folclore de várias cidades que são banhadas pelo rio Tietê.
“Achei demais a peça. Deu para aprender o quanto esse rio é importante e que temos de preservá-lo”, destacou Luís Felipe Lima Silva, 10 anos, aluno do 4º ano da E.M “José Carlos Florenzano”. “Tiveram umas partes mais assustadoras, a lenda da cabeludinha. Mas, para mim, nem deu para assustar”, revelou. Ao término do espetáculo, apresentado na quadra da escola, uma avalanche de perguntas da criançada comprovou o interesse. Sobretudo, queriam saber mais detalhes sobre as lendas, além de curiosidades do cenário, todo confeccionado em materiais reciclados.
Conscientização e turmas
“Achei bem legal. Mostrou ainda a importância de praticar a reciclagem. Aqui na escola temos vários projetos sobre isso e lá em casa também fazemos muitas ações. As pessoas têm que se conscientizar dos problemas que podem acontecer”, frisa Ana Clara de Souza Baltazar, 10 anos, aluna do 5º ano na E.M “José Carlos Florenzano”.
Uma das atividades dos estudantes dessa unidade de ensino é a construção de uma casinha com caixas usadas de leite. “Só falta agora o telhado. Essa peça teatral veio bem a calhar com as ações trabalhadas na escola, quanto à reciclagem e preservação ambiental. Até fizemos a retirada de lixo numa nascente aqui próxima da escola, com professores e alunos. Outras iniciativas são aquelas preventivas, contra a dengue, que ocorrem desde o início do ano e agora são intensificadas”, aponta Lilian Cristina de Freitas, diretora da escola.
Ainda nesta segunda-feira (26), outra turma de alunos, desta vez de crianças da Educação Infantil e dos 4º e 5º Anos do Ensino Fundamental, assistiram à peça. Ao todo, 297 alunos dessa unidade foram contemplados. Na terça-feira (27), outros 294 estudantes vão assistir ao espetáculo, mas na E.M “Amin Cassar”, no Jardim São Camilo. No dia 28 será a vez de 197 alunos do Centro de Educação Infantil “Prefeito José Crespo Gonzales” (CEI 104), no bairro Morada das Flores.
Além da peça, o Projeto “Rio Que Passa Lá” inclui um livro sobre o espetáculo, distribuído a cada estudante após a apresentação. “O livro é do aluno, que poderá levá-lo para casa, mas o assunto também será trabalhado na escola”, complementa a diretora Lilian.
O Grupo
Criado em Goiânia e radicado em Campinas há dezessete anos, o Grupo Último Tipo atua há 25 anos. Soma extenso repertório de peças que misturam teatro e música, sempre de uma forma inusitada e poética. O bom humor, a interatividade e a irreverência são marcas fundamentais do “Último Tipo”, que tem no seu espírito o teatro mambembe e o clown, fazendo frequentemente espetáculos de rua e apresentações itinerantes à moda dos trovadores medievais.
O espetáculo tem texto assinado por Velu Carvalho, direção e figurinos de Déo Piti, direção de atores de Newton Murce, preparação corporal de Renata Oliveira, iluminação de André Salvador. As músicas são de Déo Piti e Jara Carvalho. Mais informação sobre o “Último Tipo” e a peça “Rio que Passa Lá” podem ser conferidas no site www.ultimotipo.com.br[1] inclusive detalhes da trajetória da carreira do grupo, prêmios recebido e curiosidades sobre cenários e figurinos.