Projeto Marca na Rosa começa a percorrer escolas de Sorocaba

Por: Sandra Fonseca

Relacionamento abusivo é o tema central dos debates em sala de aula

O sinal da Escola Estadual Antônio Vieira Campos, no bairro Júlio de Mesquita, na Zona Oeste de Sorocaba toca, os alunos do terceiro ano do ensino médio entram na sala, mas nesse dia, o formato tradicional das carteiras em fileiras é substituído por um círculo, uma roda de conversa. O relacionamento abusivo é o tema do bate papo. A conversa é mediada por Ana Miragaia, da Coordenadoria da Mulher, ligada à Secretaria de Cidadania e Participação Popular (Secid), da Prefeitura de Sorocaba. Ela exibe um vídeo, onde a jovem Estéfany Saez, (19), conta a história de vida por trás de um relacionamento abusivo, onde o namorado passou a ter controle excessivo sobre a vida dela determinando as roupas que iria vestir, as músicas que iria ouvir, os amigos que andaria ou não, e até a cor do batom. A jovem relata também, que demorou muito até entender as ações do namorado e só quando sofreu abuso, no término da relação, que compreendeu tudo que estava vivendo. Ela confessa no vídeo, que só então, desabafou com a mãe e uma amiga. Estéfany termina o vídeo deixando uma mensagem para os alunos das escolas por onde o Projeto Marca na Rosa vai passar: “E o meu recado, pra vocês, meninos, homens, é pra que nadem contra essa maré de violência, para que vocês criem forças para mudar o que já está enraizado na nossa sociedade, para que vocês criem forças para tratar as mulheres diferente, para que possam seguir um novo caminho para esse mundo que temos hoje”. O vídeo encerra com uma mensagem também para as meninas: “E o meu recado para vocês, meninas, mulheres é que vocês sejam fortes, que possam mudar o que já está pré-estabelecido, que vocês possam se proteger, tomar atitude e falar não a esse tipo de violência, não a violência psicológica, não a violência sexual, para que vocês possam mudar uma geração toda e dizer não ao relacionamento abusivo”, conclui Estéfany no vídeo.

Quando as luzes da sala se acendem de novo, os alunos estão em silêncio, olham uns para os outros, ouve-se suspiros de desconforto e começa um longo bate papo na roda de conversa. Aos poucos a classe se solta, os estudantes falam abertamente sobre o tema, alguns desabafam, outros relatam que amigos já sofreram em silêncio o mesmo que a jovem Estéfany contou no vídeo. A mediadora interfere por diversas vezes, explica os indícios de um relacionamento abusivo, que pode virar um círculo de violência, explica ainda que alguns casos, podem terminar em grave violência doméstica.

O projeto

O mesmo debate, será levado para 60 escolas municipais e estaduais de Sorocaba até o dia 05 de novembro. “Nas primeiras escolas que visitamos, já sentimos que o projeto terá efeitos muito importantes na vida dos alunos. Esse trabalho tem o objetivo de diminuir o número de violência doméstica. Queremos que esses jovens reflitam sobre o que é um relacionamento abusivo, porque muitos, vivem essa situação e não tem a informação sobre ela. Essa conversa e reflexão são esclarecedoras e preventivas”.

O professor de matemática Fernando Massayuki, da Escola Estadual Antônio Vieira Campos diz que a sala é ambiente ideal para discutir esses problemas sociais. “A violência está em todos os lugares, em relação as mulheres ela é muito crescente. Por isso, é importante ampliar o debate a partir da escola para que a consciência se multiplique lá fora. O conhecimento trazido pela coordenadoria da mulher aprofunda o diálogo, além de orientar os alunos quanto ao relacionamento abusivo”, avalia o professor.

A aluna Karen Cristina Soares (19), disse que o debate foi muito importante para a turma.

Foi bom ouvir aqui na sala de aula tudo que ouvimos, agora eu posso levar para outras amigas também. Tenho certeza que muitas jovens passam por isso. No relacionamento abusivo, já começa a agressão e ela pode crescer bastante, em outros espaços”,

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