PROGRAMA SUPER SERVIDORES – Com um sistema criado por colaborador setor da Sedu ganha agilidade e eficiência
Por: Bruno Rodrigues
Diversos profissionais fazem muito mais do que suas atribuições pedem e muitas vezes trazem resultados. Este é o caso do servidor Ubiraci Lage Brandão Júnior, de 47 anos, e funcionário da Prefeitura Municipal de Sorocaba há 10 anos.
Ubiraci, também conhecido como Bira, nasceu em Fortaleza, e aos 17 anos se mudou com sua família para Curitiba. Em 2001 passou a morar em São Paulo e posteriormente em Carapicuíba até 2003. De lá pra cá, o servidor mora em Sorocaba.
Bira é formado em Educação Artística pela Universidade Federal do Paraná e em Administração de Empresas pela Fundação Universidade do Tocantins. Além das formações acadêmicas, ele possui Curso de Tecnólogo em Informática, pela Escola Técnica Fernando Prestes em Sorocaba. Durante o período de formação acadêmica, o Bira percebeu-se um autodidata em programação de computadores.
Em 2003 ele começou a desenvolver o que seria uma biblioteca de funções genéricas que teriam o objetivo de facilitar o desenvolvimento de aplicações comerciais. Esta biblioteca tinha funções que são gerais e que aparecem em diversos sistemas diferentes (independente de suas especificidades) tais como: tela de login, aparência dos controles visuais, regras de negócio padrões como tipos de conversões e arredondamentos, entre outros.
Quando passou a ser Chefe da Seção de Controle Orçamentário na Secretaria da Educação, em outubro de 2013, Bira explica que já havia parado e retomado diversas vezes esta biblioteca de componentes visuais devido a ser um projeto privado, feito nas horas de lazer. “Comecei a realizar os diversos acompanhamentos no orçamento da Sedu utilizando planilhas eletrônicas, como era prática comum entre os diversos funcionários da prefeitura e percebi alguns problemas com este tipo de acompanhamento devido à necessidade de colocarmos as planilhas na rede para fácil acesso aos funcionários da seção e chefias”, disse.
A dificuldade se dava quando um funcionário estava com a planilha aberta para alteração e o outro só conseguia abrir em modo ‘somente leitura’, isto dificultava quando o outro queria também alterar a planilha. Era necessário pedir para um fechar a planilha para o outro poder abrir para alterar e o primeiro abria novamente ‘Somente Leitura’ para continuar o que estava fazendo, ou seja, uma bagunça que não tinha como resolver já que era uma limitação do próprio programa utilizado (Excel/Calc).
Bira conta que a decisão de começar a criar um sistema veio no ano de 2014, após alguns meses trabalhando com planilhas. “Pensei comigo, estou com este problema e sei como posso resolver”, e explica, “Sou programador de computador, crio aplicativos do zero então porque não criar um aplicativo que substitua as planilhas, permita que várias pessoas acessem ao mesmo tempo sem a necessidade de fechar o programa e ainda ter vantagens adicionais como relatórios diversos que cruzem as informações e gerem outras visualizações de dados que facilitem a tomada de decisões?”.
A princípio quando lançou a ideia para sua chefia à época não teve uma boa receptividade. Eles acharam uma boa ideia, porém não houve incentivo para desenvolver. No entanto, Bira perseverou em seu projeto e foi desenvolvendo o sistema aos poucos em sua própria casa. Quando sua chefia e os assessores técnicos mudaram, ele tentou novamente, mostrando quais vantagens que seu setor teria com o uso das sistema de sua autoria. “Após conversar com nova equipe gestora da Sedu tive boa receptividade do sistema e me foi permitido continuar o desenvolvimento e instalá-lo nos computadores do meu setor”, relembra. Depois da adesão da Sedu, Bira procurou o chefe da divisão de TI e teve a permissão logo na primeira conversa.
Inicialmente, Bira trouxe o aplicativo para a prefeitura, mas o sistema funcionou local na máquina dele (não estava em rede). “Nesta época eu tinha uma funcionária que fazia o lançamento dos dados nas planilhas e eu fazia o lançamento dos dados no sistema concomitante. Quando tivemos certeza de que o sistema estava estável, paramos de usar as planilhas e passamos a usar apenas o sistema”, revela. O sistema vem sendo desenvolvido desde esta época até agora. À medida que ele vai ficando estável e atendendo às necessidades, vai havendo menos necessidade de intervenção ou novas atualizações.
O sistema criado por Bira também possui identidade visual, relatórios que são salvos em um formato próprio (mas também exportam para Excel e PDF), possui links para uma pasta na rede onde é possível visualizar o pdf das notas fiscais cadastradas, conta com gráficos gerados, tendo por base os dados do sistema, permite a manipulação do sistema por diversos usuários ao mesmo tempo, utiliza um sistema de banco de dados livre (Open-Source), é desenvolvido em Delphi e diversos outros recursos.
O sistema está online desde 2015, o banco de dados, apesar de pequeno, nunca deu problema que inviabilizasse a sua utilização. “Atualmente dedico de duas a três horas por semana para desenvolvimento no sistema realizando manutenções e desenvolvimento de novos recursos sem nenhum custo para os cofres públicos”, disse o servidor.
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