Programa de residência multiprofissional faz a diferença nas UPHs Norte e Oeste

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Atualmente, os munícipes que procuram as Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) Zona Norte e Zona Oeste contam com um atendimento diferenciado, além da assistência de emergência e urgência, muitas das vezes os quais extrapolam os muros da posto de saúde, implementado também atividades práticas de atenção e assistência social aos pacientes. Muito disso se deve Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência, implantado desde abril de 2014 numa parceria entre a Secretaria da Saúde (SES) e a PUC Sorocaba, pelo qual uma equipe multiprofissional acolhe o paciente, identifica suas necessidades e direciona ao atendimento específico, conforme a demanda apresentada.

O Programa de Residência Multiprofissional é uma especialização para profissionais da área de saúde, visando ao processo de educação continuada. A equipe multiprofissional é composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, dentistas, assistentes sociais e farmacêuticos, parte vinculada ao Programa de Residência Multiprofissional. Nos demais setores dessas duas unidades (medicação, observação, emergência, coleta de exames, recepção e consultórios clínicos), o trabalho é feito com o apoio dos funcionários, trabalhando de forma ampliada.

Nas duas unidades atuam 32 residentes, sem contar aqueles atuam ligados ao Programa de Saúde da Família (PSF) e dos Programas de Residência Médica. Neste caso, a interdisciplinaridade, a interação e a troca de experiências entre os profissionais, acabam tendo ainda foco na qualificação dos trabalhadores em saúde, com maior impacto na resolução de problemas de saúde da população.

“O objetivo é oferecer um atendimento mais amplo e humanizado, muito além daquele restrito apenas às questões médicas de urgência e emergência”, destacou Camila Jurado, 27 anos, residente em Serviço Social na UPH Zona Norte. “Utilizamos de outras estruturas municipais, como as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e os Cras (Centro de Referência de Assistência Social), para dar o melhor encaminhamento ao paciente. Cria-se uma rede completa de apoio”, complementa Roberta Holtz Rachid Ferreira, 31 anos, residente em Psicologia.

Casos

Entre os assistidos com esses atendimentos amplos e integrados nas UPHs, destaca-se o apoio a moradores de rua, a idosos abandonados e às famílias que situação de vulnerabilidade social. “Vale ressaltar que a prioridade é a questão da saúde. Mas já fizemos pesquisa para saber de onde um morador de rua veio, bem como identificar familiares de idosos abandonados”, frisa Lívia Pero Canavezi, psicóloga. Ela é preceptora do programa, ou seja, um dos profissionais, com formação mínima de especialista ou residência concluída, responsável pela supervisão direta das atividades práticas realizadas pelos residentes nos serviços de saúde.

Caso recente e que chamou a atenção da equipe foi da munícipe Bruna Rafaela, que está na 41ª semana de gravidez. Ela deu entrada no dia 3 de dezembro de 2015 na UPH Zona Norte, trazida pelo Corpo de Bombeiros, que atendeu a ocorrência após incêndio casa dela. Estava muito fragilizada e assustada. Neste caso específico, a equipe que realizou o acolhimento, se sensibilizou com a situação e se mobilizou para auxiliar na reposição de alguns bens materiais perdidos, principalmente quanto ao enxoval do bebê.

Em consonância com a proposta de trabalho, buscou-se a articulação com a rede socioassistencial, a garantir assim os seus direitos como cidadã. Nesta segunda-feira, as residentes Roberta, Lívia e Camila, além de Miriam De Oliveira Mesquita, 42 anos, preceptora de assistência social, entregaram o novo enxoval ao marido de Bruna, Alexandre. “Só tenho a agradecer todo o cuidado com a minha esposa e esse apoio, seja por parte da equipe da UPH, como o dos meus amigos. Ainda não deu tempo de agradecer a todos”, frisa Alexandre, que é pai de Ryan e agora aguarda pela chegada do seu caçula, Renan Vítor.

“Não se trata de assistencialismo, mas de um trabalho de uma equipe toda, inclusive mobilizando parceiros e empresários, um grupo que muita gente nem sabe que atua nas UPHs”, explica Luís Cláudio Zanzarini, gestor administrativo da UPH Zona Norte. A meta é beneficiar o paciente em sua integralidade, articulando os demais serviços municipais para expandir o atendimento. “Com isso, os serviços se comunicam com maior eficiência, garantindo o acesso da população aos diferentes segmentos institucionais”, finaliza.

Os residentes do programa, definidos mediante seleção, recebem bolsa mensal do ministério da Educação (MEC), viabilizada somente mediante o cumprimento de 100% de frequência da carga horária prática e de, no mínimo, 85% da carga horária teórica, pelo período de 24 meses. As faltas de qualquer natureza precisam ser justificadas e recuperadas.

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