Produção de mudas alicerça o programa de arborização da cidade

Por: Antonio Carlos Pannunzio

Foto: Assis Cavalcante

Artigo publicado em 06/03/2016 no jornal Diário de Sorocaba

É muito grande o número de cidades brasileiras que, tendo perdido as árvores que compunham sua cobertura vegetal originária para os processos de ocupação e partilha do solo urbano não adequadamente conduzidos, se ressentem da ausência do verde em suas ruas e praças. A elas se somam aquelas que, por este ou aquele motivo, não dispõem de um sistema de parques públicos ou de programas mais afetivos de defesa das suas áreas de preservação.

O caso de Sorocaba é bem diferente, como demonstra a sua permanência, ano após ano, na lista de Municípios Verde-Azul do Estado, sempre em posições destacadas e na liderança do grupo daqueles com mais de 500 mil habitantes.

A presença de uma arborização bem definida, cuja densidade e qualidade vem aumentando de ano para ano, decorre um conjunto de programas-meio, conduzidos pelas Secretarias Municipais do Meio Ambiente (SEMA) e dos Serviços Públicos (SERP). Entre outras coisas, eles viabilizam, sob o ponto de vista do investimento, programas de reforço e ampliação à arborização pública, que se repetem ao longo ano, a formação e sustentação de parques e unidades ecológicas e o apoio ao plantio de árvores em áreas particulares – quintais, calçadas -, por meio da distribuição de mudas aos munícipes.

Isso que parece, a um primeiro exame, algo muito simples exige, na realidade, um amplo trabalho de planejamento, desenvolvido a médio prazo.

O município, através de diferentes organismos da Prefeitura, produz algo em torno de 120 mil mudas por ano, graças a uma somatória de projetos que envolvem, além de técnicos ambientais e mão de obra especializada, o trabalho de reeducandos das duas penitenciárias de Sorocaba: a “Danilo Pinheiro” (P1), localizada no bairro do Mineirão, e “Antônio Souza Netto” (P2), em Aparecidinha. Os reeducando são remunerados pelo trabalho, adquirem capacitação profissional e têm as suas penas reduzidas – o que amplia a dimensão socioambiental de tais programas.

A arborização não é um simples programa de decoração urbana, destinado a melhorar o aspecto paisagístico de cidade. Ele tem tudo a ver com a qualidade do ar que a população respira e com o clima vigente no Município.

Em Sorocaba, por exemplo, ele articula dois planos diferentes: o de Arborização Urbana, que acabamos de mencionar, e o da Mata Atlântica, bioma que, neste Município, se entrelaça ainda com as primeiras formações do Cerrado.

O aumento do número de árvores em áreas públicas e particulares se associa, também, ao fortalecimento da fauna urbana, especialmente as aves. Por isso, as formações vegetais da cidade há muito deixaram de ser constituídas apenas de árvores exóticas e, hoje, incluem um número cada vez maior de em espécies nativas e frutíferas.

A variedade de espécies produzidas nas áreas de plantio e multiplicação de mudas da Prefeitura surpreende os menos familiarizados com a questão. No total, são 179 espécies arbóreas, das quais 141 nativas e 38 exóticas.

A produção em viveiros próprios contribui, em muito, para tornar os grandes plantios urbanos viáveis, pois o custo de cada muda fica muito abaixo do valor de mercado. O valor investido pela Prefeitura para obter uma muda com pouco mais de 1 metro de altura é de apenas R$ 5, por unidade.

Essa autêntica “sinfonia do verde”, que cada vez mais se faz presente nos parques, ruas e jardins de Sorocaba tem, como base, a harmonia entre os diferentes “naipes” que nela atuam.

Tudo começa no viveiro de mudas do Parque Natural “Chico Mendes”, que tem aproximadamente 4 mil metros quadrados de área e fica aos fundos do espaço ecológico. Lá são formados exemplares de árvores frutíferas, como acerola, fruta-do-conde, cedro e araçá-do-cerrado, bem como 50 tipos de plantas medicinais, como hortelã, sálvia, bálsamo, cavalinha, boldo, entre outras. A produção mensal de 3 mil mudas de ervas medicinais é viabilizada por meio do Projeto Fito Sorocaba, em parceria com a Secretaria da Saúde, sendo as plantas usadas também para a educação ambiental.

Com o uso de diferentes meios e modos, essas mudas se desenvolvem até alcançarem o ponto ideal para o plantio nos pontos a que se destinam ou suprirem a demanda de munícipes que querem arborizar seu quintal ou seu jardim.

O habitante dos centros urbanos brasileiros se habituou a supor que o asfalto, as calçadas ou o solo nu são a paisagem normal das ruas. Sorocaba vem se esforçando em modificar esse conjunto, agregando a tais elementos, inermes, as plantas de todo tipo, decorativas ou frutíferas, nativas ou exóticas, que resgataram a presença do verde e atraem e abrigam um número cada vez maior de aves, pássaros e outras formas de vida nativa.

Tudo isso exige um grande empenho de múltiplos agentes, mas certamente é um dos trabalhos mais gratificantes para o governo e para o conjunto dos sorocabanos que têm, nesse retorno acelerado da vida vegetal e das aves às vias públicas um forte estímulo aos seus laços de afeição para com a terra em que trabalham, residem e cuja grandeza constroem diuturnamente.

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