Área terá alta prioridade para conservação e recuperação
Sorocaba já conta com sua terceira Unidade de Conservação (UC) de proteção integral: a Estação Ecológica Municipal do Pirajibu. A instituição da unidade foi oficializada por meio do Decreto nº 22.023/15, publicado no jornal Município de Sorocaba da última quinta-feira (dia 29). A nova UC vai garantir a preservação de importantes fragmentos de Mata Atlântica e a realização de pesquisas científicas numa área pública de aproximadamente 450 mil metros quadrados, localizada na Rua Flor de Carvalho, no bairro do Éden, na bacia do rio Pirajibu.
A Estação Ecológica será administrada pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e visa proteger a biodiversidade local, garantir a manutenção dos serviços ecossistêmicos, e contribuir para a estabilidade ambiental da região. A unidade é definida pela Lei Federal nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) e não será aberta para visitação pública, exceto com objetivo educacional de acordo com regulamento específico.
Situada numa região de floresta estacional semidecidual, com vegetação predominantemente de Mata Atlântica, a nova UC faz parte das metas do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica e está inserida no corredor de proteção e recuperação ambiental, que se estende desde a região sudeste do município, próximo ao Reservatório de Itupararanga, percorrendo parte da calha principal do rio Pirajibu, até a confluência com o rio Sorocaba, seguindo até a divisa com o município de Iperó. A Estação Ecológica abrangerá áreas com prioridade extremamente alta e muito alta para a conservação e recuperação.
De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, a área pública abrange parte de um dos maiores fragmentos florestais do município, com potencial para a realização de pesquisas, considerando a possibilidade de ser uma das áreas com maior riqueza em diversidade biológica da cidade, já que está inserida no corredor ecológico e na bacia do rio Pirajibu. Além disso, a Estação Ecológica está próxima ao Parque Natural “Mario Covas” e a uma área elencada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) – que se estende até a Serra do Japi, em Jundiaí – como de importância e prioridade de conservação extremamente altas, o que pode influenciar a diversidade da biota e qualidade ambiental da UC.
“Nosso objetivo, com o Plano Municipal de Mata Atlântica, é garantir a função ecológica dos fragmentos existentes em Sorocaba, fazendo a conexão e criando sistema de corredores biológicos para o fluxo gênico de animais e de vegetação”, explica o secretário do Meio Ambiente, Clebson Ribeiro.
A criação de uma Estação Ecológica é indicada para área em bom estado de conservação, rica em diversidade biológica, com ocorrência de espécies endêmicas, raras ou em processo de extinção e com potencial para realização de pesquisas.
Clebson Ribeiro ainda ressalta que a criação da modalidade Estação Ecológica, por ser uma unidade de conservação, facilita também a obtenção de recursos, tanto federais quanto estaduais, para realizar ações no parque.
A partir de agora, a Secretaria do Meio Ambiente trabalhará na consolidação da Estação Ecológica, com cercamento da área, enriquecimento dos fragmentos de vegetação encontrados no local e a restauração ecológica de trechos degradados. “Inicialmente pretendemos direcionar pra essa unidade de conservação os plantios de árvores de espécies nativas, como os gerados por Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRAs). Além disso, vamos atuar de modo articulado com pesquisadores da região, visando ampliar os estudos científicos já existentes sobre a área, que são importantes para orientar as políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade”, explica Sara Amorim, diretora da área de Gestão Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente.
Sobre o Plano Municipal de Mata Atlântica
Lançado em fevereiro de 2014, o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica foi elaborado pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, em parceria com universidades da cidade, consistindo num importante instrumento de gestão ambiental e de estratégias de conservação e recuperação da Mata Atlântica na cidade.
O objetivo do Plano é o de proteger os fragmentos ainda existentes em Sorocaba, restaurar as áreas que hoje se encontram degradadas e recuperar as áreas importantes de serem vegetadas. O instrumento atende à Lei nº 11.428 de 22/12/2006 (Lei da Mata Atlântica) e pode ser conferido no link: http://goo.gl/I7Qhrp[1]
A Mata Atlântica é o bioma brasileiro mais rico em diversidade de espécies, mas também o mais ameaçado. Sorocaba se localiza dentro desse bioma e, apesar de toda a degradação, o município ainda conserva importantes fragmentos de vegetação que devem ser preservados e protegidos.