Nos cinco primeiros meses do ano, dos 1.340 atendimentos oftalmológicos registrados na unidade, mais de um terço referem-se a pacientes com glaucoma
Do total de atendimentos oftalmológicos feitos na Policlínica Municipal de Especialidades nos primeiros cinco meses de 2016, mais de um terço foi destinado a pacientes acometidos por glaucoma. Nesse período foram atendidas, ao todo, 1.340 pessoas, sendo que 397 tinham a doença, o que representa 36%. Trata-se da única unidade de referência da Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES) para acompanhamento desses casos.
A médica oftalmológica Nyane Glace Doyle, do Programa de Glaucoma da Policlínica, afirma que a doença caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular. Grande parte dos casos, segundo ela, não apresenta sintomas. “Mas, quando acontece, há sensação de irritação ocular, vermelhidão dos olhos, dificuldade na visão noturna e halos coloridos ao redor das lâmpadas”, explica.
Para o coordenador da Policlínica, Rodolfo Machado de Araújo Filho, o número de atendimentos de glaucoma na unidade é considerável. Ele reconhece que existem limitações de recursos técnicos de trabalho, como equipamentos, por exemplo. “Mas mesmo com essas dificuldades ainda conseguimos atender essa quantidade de pacientes, o que merece elogios. Não fosse o trabalho da Policlínica, muita gente ficaria sem atendimento”, destaca.
Nyane explica que na Policlínica os pacientes de glaucoma passam por uma avaliação que verifica a pressão no fundo dos olhos. Determinados exames e cirurgias de alta complexidade, porém, precisam ser solicitados ao Estado. É o caso da campimetria computadorizada, que é encaminhada ao Ambulatório de Especialidades Médicas (AME). “E até preciso enaltecer esse trabalho do AME, que tem sido muito bom”, argumenta.
Todas as solicitações para procedimentos externos são feitas a partir de formulários preenchidos por Nyane. Isso vale, por exemplo, para os pacientes conseguirem colírios de tratamento à doença, medicamento que é recolhido na Farmácia de Alto Custo do Hospital Regional.
Na prática
Acompanhado da esposa numa consulta oftalmológica esta semana, o aposentado Pedro Soares da Silva, 66 anos, estava contente com o atendimento recebido na Policlínica. Começou a ser acompanhado na unidade em março do ano passado, após ser encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do Éden. “Graças a Deus a doutora Nyane tem sido muito boa, é uma ótima profissional. E não estou falando isso só por estar perto dela”, brinca.
Quem também se consultou foi a aposentada Marinildes da Silva Costa, 64. Recebeu o diagnóstico da doença há nove anos, quando ainda morava em São Paulo. Quanto ao atendimento recebido, ela “não tem do que reclamar. Desde que comecei a vir aqui, sou muito bem tratada”.
Embora a Policlínica exerça papel fundamental no que se refere ao atendimento de pacientes acometidos por glaucoma, muitas pessoas que têm a doença no município são encaminhadas para tratamento no Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), via DRS-16, após solicitações da Central de Regulação da SES.
De acordo com coordenadora técnica da Central de Regulação, Janet Junko, atualmente, ao menos 2.500 munícipes estão sendo acompanhados no BOS. “E recentemente mandamos mais uma lista de 590 pacientes para a DRS-16, também pedindo atendimento no BOS”, finaliza.
Risco de cegueira
Nyane aponta que, devido ao aumento da pressão ocular e à consequente compressão das fibras do nervo óptico, o glaucoma pode reduzir progressivamente o campo visual e até levar à cegueira. “Isso se a doença não for tratada adequadamente”, comenta. “Esse tipo de cegueira, infelizmente, é irreversível”, completa.
A médica relata que a doença pode se manifestar de maneira aguda, o que é mais raro, porém de forma mais “agressiva”. “Nos casos de glaucoma agudo, como a pressão sobe rapidamente, há dor forte nos olhos, turvação súbita da visão e vermelhidão. Também pode haver náuseas e vômitos”, ressalta.
Segundo a profissional de saúde, o glaucoma é mais comum após os 40 anos de idade, principalmente em indivíduos afrodescendentes, portadores de alta miopia, diabéticos e hipertensos. Há, ainda, a possibilidade de a doença ser hereditária, diz Nyane.
“A melhor prevenção para o glaucoma é o exame oftalmológico anual. No caso do glaucoma agudo, se o paciente perceber dor súbita nos olhos e na cabeça, acompanhada de turvação visual, deve procurar um oftalmologista para início imediato do tratamento”, informa a médica.
Quanto ao tratamento, Nyane menciona que consiste, basicamente, no controle da pressão ocular. “Na maioria dos casos, o controle é feito com colírios específicos em doses adequadas. Como a doença é crônica e não tem cura definitiva, o tratamento é para o resto da vida.” E acrescenta: “Em alguns casos indica-se a cirurgia, mas isso não exclui o uso dos colírios para manutenção dos níveis de pressão.”