Uma série de passeatas de orientação à população, promovidas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da Prefeitura de Sorocaba, foram destaque nesta sexta-feira (27) na cidade, como parte do encerramento oficial da Semana Estadual de Mobilização Contra a Dengue. Nesse sentido, entre outras iniciativas, cada UBSs realizou uma programação específica, em parceria com entidades, escolas e outras organizações da sociedade e do poder público. A Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde (SES) também esteve responsável por um cronograma extra de ações, também voltadas à conscientização do munícipe quanto à importância de adotar iniciativas para evitar a dengue.
A feira livre do bairro foi o destino final de um grupo ligado à UBS da Vila Haro e da Escola Estadual “Escolástica Rosa de Almeida”, que saiu pelas ruas na manhã desta sexta-feira (27). “A ideia era fazer muito barulho e atrair a atenção das pessoas quanto ao perigo da dengue”, destacou Célia de Moraes, funcionária daquela unidade de saúde. O feirante Hélio da Silva Santana, 56 anos, entendeu a mensagem e elogiou a iniciativa. “A gente faz a nossa parte, mas tem outros que nem ligam. Isso precisa mudar e só com ações de conscientização como esta”.
A estudante Lidiane Thais da Silva Dias, 13 anos, era uma que saiu em passeata, entre tantos outros alunos, pelas ruas da Vila Haro. “Sei bem da importância desta ação, já tive dengue e não desejo isso pra ninguém. Isso não é brincadeira e muita gente ainda trata a doença dessa forma”.
Mas tem quem colabora, exemplifica o feirante Hélio. “Uma cliente disse que desmontou um sofá velho inteiro e deu destinação correta para cada parte, espuma, madeira e tal. Podia simplesmente, como muitos fazem equivocadamente por aí, jogar num terreno qualquer, porém sabe do risco de virar foco de dengue”.
Enquanto isso, na Vila Fiori, outras vinte pessoas ligadas à UBS do bairro também estavam nas ruas. Distribuíram panfletos educativos sobre a dengue. A passeata estava inicialmente programada para a última quarta-feira (25), mas foi adiada devido à chuva daquele dia. O mesmo ocorreu no bairro Sorocaba 1. Quem não mudou a data e, mesmo debaixo de chuva, foi as ruas naquele dia foi a equipe da Unidade de Saúde da Família (USF) de Aparecidinha, juntamente com estudantes do bairro. “O grupo foi de guarda-chuva na mão e andou durante uma hora e dez minutos. Um dos estudantes até se vestiu de morte, para simbolizar o risco que a dengue pode ocasionar”, frisou Gizela Oliveira, coordenadora da USF Aparecidinha.
A Secretaria da Educação (Sedu) não ficou de fora da campanha e realizou, nesta sexta-feira (27), orientações e distribuição de materiais informativos no comércio e empresas próximas ao Centro de Referência em Educação (CRE), no Jardim Saira. Participaram vinte educadores, divididos em três grupos. “Entregamos faixas e folhetos, além de uma planilha que o dono do imóvel pode usar para registrar o andamento das vistorias semanais e que pode fazer para verificar se há possíveis criadouros de dengue”, destacou Luís Gustavo Maganhato, do Programa Escola Saudável.
O auxiliar administrativo Raul Rezende Carvalho, 21 anos, trabalha numa empresa de transporte e distribuição localizada no Jardim Saira e conversou com a equipe da Sedu. “Acho a iniciativa excelente. Qualquer atitude para favorecer a prevenção à dengue é válida, ainda mais nesta época do ano, para evitar uma noiva epidemia em 2016”, alega. “E não é só a dengue. Tem ainda a chikungunya e a zika, que também são transmitidas pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti”, acrescentou Luís Gustavo.
Com as crianças
Entre as atividades da Semana de Mobilização Contra a Dengue há desde orientações e palestras dirigidas a quem está no aguardo de consultas nas UBSs, assim como vistorias em busca de possíveis criadouros, mutirões de limpeza e até apresentações teatrais nos postos de saúde, escolas e demais locais públicos. A conscientização das crianças é fundamental nesse sentido, para que atuem como agentes multiplicadores, a fim repassar informações para pais e a população em geral quanto à necessidade de manter os imóveis livres de possíveis criadouros de larvas do Aedes aegypti.
Cerca de 120 crianças do Centro de Educação Infantil “Aluísio de Almeida” (CEI 13), em Brigadeiro Tobias, puderam aprender um pouco sobre dengue nesta sexta-feira (27), por meio de um teatro em parceria com a UBS e a escola do bairro. A enfermeira Geisa Santana aponta que muitas crianças já tem conhecimento ou ouviram falar algo sobre a doença. “Dizem que em casa usam raquete elétrica para matar pernilongo e que viram as garrafas para não acumular água”, comenta a profissional da saúde. “É tem muita criança que faz muito mais que um adulto para se precaver”, completa a estudante Sthefany Duran, 14 anos, que participou da peça teatral.
Zoonoses
A sexta-feira (27) também marcou o último dia da exposição itinerante sobre a dengue realizada a cada dia da semana numa Casa do Cidadão. Uma equipe da Divisão de Zoonoses detalhou à comunidade informações relativas à doença, como sinais e sintomas, eliminação de criadouros do Aedes, situação atual do município e distribuição geográfica dos casos, bem como as ações adotadas pelo poder público. A Casa do Cidadão Itavuvu, no Parque das Laranjeiras, foi a última receber a mostra.
A Divisão de Zoonoses ainda realizou, durante a semana, aulas teóricas sobre sintomas e prevenção da dengue para alunos da Guarda Mirim e familiares. Já a Vigilância em Saúde, com o apoio da Urbes – Trânsito e Transportes, distribuiu material informativo e orientou a população nos Terminais Santo Antônio e São Paulo. Ocorreram ainda vistorias nas empresas Grace Brasil Ltda. e Case, pelos próprios trabalhadores, com distribuição de panfletos informativos.
A campanha chega ao fim, mas as ações preventivas são permanentes, reforça Rafael Gonçalves Reinoso, chefe da Área de Vigilância em Saúde da SES. A Divisão de Zoonoses da SES mantém diariamente as visitas de casa em casa, para acabar com criadouros e conscientizar os munícipes. Os arrastões são realizados por três equipes ligadas à SES e os inservíveis recolhidos são levados para o aterro de Iperó. Caso as condições climáticas sejam favoráveis, também terão sequência as nebulizações, por meio da aplicação de inseticida assim que concluído trabalho de remoção de criadouros.