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Acessado em: 30/11/2025 - 08h06

Obstáculos deixados para trás

Por: Esdras Felipe Pereira (Programa de Estágio) Supervisão: Tânia Franco – ttferreira@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Emerson Ferraz - eferraz@sorocaba.sp.gov.br

Parkour, esporte que tem oficinas em três Territórios Jovens de Sorocaba, é oportunidade de aliar consciência física e mental, destacam praticantes

Um esporte radical em que, mesmo quando tomados pelo medo, os praticantes não se intimidam em, literalmente, deixar obstáculos para trás. Salto após salto, treino após treino, o Parkour – atividade física que teve origem na década de 80, na França – traz a oportunidade de aliar tanto a consciência física como a mental. Ao menos é isso o que dizem os atletas da modalidade e que, em Sorocaba, praticam a modalidade nas oficinas do oferecidas nos Territórios Jovens (TJs) dos bairros João Romão, Ipiranga e Habiteto. O projeto da Prefeitura de Sorocaba é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

O jovem Guilherme Prestes de Oliveira, 19, pratica Parkour há mais de cinco anos. Curiosamente, teve a influência da mãe para iniciar a oficina. À época, o TJ Ipiranga era o único a oferecer o esporte. “Minha mãe chegou em casa falando que tinha um ‘negócio novo’ no Território, que eu precisava conhecer”, recorda. O encantamento, lembra, foi praticamente instantâneo. “Agora tenho uma ‘visão parkourizada’ de mundo”, declara.

Os muros, as barras, os corrimãos – alguns dos obstáculos do dia a dia de quem tem o Parkour quase como uma filosofia de vida – são transponíveis. Para isso, basta dedicação e treino, garantem os praticantes. Os preconceitos com o esporte, por outro lado, nem sempre são vencidos facilmente, admite Oliveira. “O Parkour ainda é mal visto pela sociedade. As pessoas pensam que estamos destruindo os locais, fazendo vandalismo, mas não é assim. Nós também temos cuidado. Não faz sentido querermos destruir nossos próprios picos (sic)”, diz.

A paixão pelo esporte, aliás, trouxe o desejo de expandi-lo. Hoje, conta Oliveira, os treinos já não mais se limitam apenas aos TJs e seus entornos. Agora, analogias à parte, o céu, realmente, é o limite. “Criamos o grupo Parkour Mauvais, futuramente queremos promover workshops, quem sabe criar uma academia especializada”, sonha. Enquanto o sonho ainda não vira realidade, o Parkour Mauvais divulga tutoriais em vídeo no Facebook (http://on.fb.me/1QXVkGb[1]).

Bom no Parkour, bom em casa

Na adolescência, é comum ver crescer a quantidade de desentendimentos entre mães e filhos. Não era diferente na casa do estudante Gabriel Aparecido de Carvalho, 18. Mas, quando passou a praticar Parkour, momentos assim reduziram consideravelmente, afirma o garoto. “Às vezes, minha mãe pegava no pé e eu era mal-educado em casa. Depois que vim para as oficinas, conheci muita gente do bem, todos educados, e isso refletiu no meu comportamento dentro de casa”, assegura.

Além da melhora na educação, o Parkour também trouxe outros reflexos positivos na vida do estudante. “Parece que fiquei mais criativo. E também era bastante tímido, agora isso mudou”, afirma. Questionado se pensa na possibilidade de viver do esporte, Carvalho é enfático: “Sonho com isso todos os dias, sem dúvida.”

A representatividade do Parkour

Para o estudante universitário André Quintiliano Filho, 21, o Parkour representa uma espécie de “ponto de equilíbrio” em sua vida. “O Parkour não é simplesmente para aprimorar o condicionamento físico. É para conhecer seus limites, enfrentar seus medos. As escolhas e a determinação do esporte também se aplicam na minha vida”, analisa.

Claro na exposição de suas ideias, Quintiliano aponta que o Parkour o torna funcional e lhe traz confiança. “O Parkour não é uma competição. É todo mundo se ajudando, com troca de energias e experiências”, argumenta ele, que se inspira numa filosofia do esporte: “A gente sempre costuma dizer que ‘para ser forte é preciso ser útil’”, emenda.

Mestre manda?

Formado em Educação Física, Henrique Alison de Barros, 24, é professor de Parkour no TJ João Romão. Segundo ele, pessoas de diferentes idades têm praticado o esporte no bairro. Na modalidade, indica Barros, não existe a máxima de que “professor sabe tudo”. “O meu trabalho aqui é, primeiramente, tentar evitar que eles se machuquem. Mas, muitas vezes, é uma troca de ideias. Um ensina o outro e dá motivação para que os limites sejam superados”, explica.

Inicialmente, a oficina é aplicada no interior do Território. E, quando os praticantes começam a se sentir à vontade e confiantes, há possibilidade de treinarem no entorno do espaço. “A intenção do Parkour é essa: não haver caminho fixo. Sempre buscamos novas rotas, aliando técnica, força e velocidade”, conta.

Paralelo entre Parkour e vida

É inevitável não pensar em um paralelo entre os desafios de transpor os obstáculos do Parkour e, por consequência, da vida. De acordo com a psicóloga do Ambulatório de Saúde Ocupacional da Prefeitura de Sorocaba, Cybele Moretto, a insistência em superar frustrações no âmbito esportivo também precisa ser levada ao cotidiano. “Quando se fala em obstáculo, faz parte da vida, não é de todo ruim. O ruim é desistir. Se no Parkour eles insistem, progridem, percebem que têm capacidade, acabam resgatando a autoestima e transferindo isso tudo para a vida”, contextualiza.

Serviço

As oficinas de Parkour são realizadas no TJ João Romão às terças-feiras, das 15h às 16h30 (mais informações pelo telefone (15) 3234-1025); às segundas-feiras, das 15h às 17h, e às sextas-feiras, das 13h às 15h, no TJ Ipiranga (mais informações pelo telefone (15) 3228-6880); e às quartas-feiras, das 13h às 14h30, no TJ Habiteto (mais informações pelo telefone (15) 3226-5029).

Endnotes:
  1. http://on.fb.me/1QXVkGb: http://on.fb.me/1QXVkGb