Nova Estação de Tratamento de Esgoto entra em operação nesta 4ª feira
Por: Carlos Lara - imprensa@saaesorocaba.sp.gov.br
Em cerimônia marcada para às 16h, a Prefeitura de Sorocaba, e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), colocam em operação nesta quarta-feira (28/09) a Estação de Tratamento de Esgoto Aparecidinha, que juntamente com as ETEs S 1; S 2, Pitico, Itanguá, Quintais do Imperador e Ipaneminha, todas em pleno funcionamento, compõem o Programa de Despoluição do Rio Sorocaba.
Com a inauguração da ETE Aparecidinha, responsável pelo tratamento de todo o esgoto produzido nos bairros pertencentes às regiões de Brigadeiro Tobias e Aparecidinha, e mais a conclusão do coletor-tronco do córrego Pirajibu, cujas obras serão entregues em novembro próximo, Sorocaba alcança capacidade instalada para tratar 100% do esgoto atualmente coletado na cidade, cujo percentual é de 98%.
Além das sete Estações de Tratamento de Esgoto, o complexo de obras do Programa de Despoluição inclui ainda 28 quilômetros de interceptores de esgoto implantados nas duas margens do rio e 17 estações elevatórias (bombeamento), todas também em funcionamento. Com essa estrutura instalada, a autarquia consegue coletar, afastar e tratar todo o esgoto que antes ela lançado diretamente no leito do rio Sorocaba.
Implantada em área localizada às margens da rodovia “José Ermírio de Moraes”, a Castelinho, a ETE Aparecidinha tem capacidade para tratar até 100 litros de esgoto por segundo, atendendo uma população de 50 mil habitantes. O processo de tratamento da nova ETE é do tipo misto, combinando tratamento aeróbio, com injeção de oxigênio para a proliferação das bactérias que fazem a decomposição da carga poluidora, e anaeróbio, que não necessita de oxigênio para a multiplicação dos micro-organismos que digerem a matéria orgânica.
Basicamente, a ETE Aparecidinha é composta por uma estação elevatória do esgoto de chegada; gradeamento mecânico; reatores anaeróbios; filtro biológico; decantador secundário; sistema de desidratação de lodo; sistema de cloração e seus sistemas de controle de operação.
No processo de tratamento, todo o efluente de entrada da estação é direcionado para a estação elevatória de esgoto bruto, composta por três conjuntos de moto-bombas, onde é bombeado para um sistema de gradeamento mecânico, que retira os sólidos, e para um sistema de desarenação, que retira areia, descartando-os em caçambas. A partir daí, o efluente peneirado segue para um tanque digestor anaeróbio, sendo exposto às bactérias contidas na camada de lodo, que já iniciam o processo de degradação da poluição (matéria orgânica), e para os filtros biológicos aeróbios, onde o esgoto é exposto às bactérias do tipo aeróbias, que consomem o oxigênio contido na superfície do lodo, degradando a carga orgânica.
Após passar por filtros biológicos, o efluente é separado em duas fases: na primeira, o lodo é enviado ao sistema de desidratação, por meio de duas centrífugas, e transformado em “tortas” homogêneas, que são descartadas em caçambas e enviadas ao aterro sanitário; na segunda etapa, o efluente tratado passa por cloração e pode ser utilizado como água de utilidades ou em outras atividades, como irrigação de plantas. O restante vai para o curso do rio, com sua demanda biológica de oxigênio apresentando valores dentro dos padrões determinados pelos órgãos ambientais.
Três interrupções
Embora esteja entre as menores estações projetadas para o Programa de Despoluição do Rio Sorocaba, a ETE Aparecidinha não pôde ser entregue nos prazos inicialmente estabelecidos devido a três paralisações ocorridas. A primeira delas aconteceu logo no início das obras, quando foram encontrados vestígios de um sítio arqueológico na área de sua implantação, fato que obrigou a autarquia a suspender os trabalhos e contratar uma empresa especializada em arqueologia, respeitando-se as etapas de prospecções do solo e coleta dos materiais encontrados, e de elaboração de relatório detalhado pela empresa contratada, cuja conclusão foi a de se tratar de fragmentos de utensílios e objetos diversos, como louças, do período pré-colonial.
Após a conclusão desse trabalho e a retomada das obras, uma nova interrupção foi necessária, desta vez para adequação do projeto executivo, uma vez que ocorreram alterações por parte da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no que diz respeito às especificações do concreto para utilização em Estações de Tratamento de Esgoto. Finalmente, a última paralisação ocorreu com o abandono das obras por parte da empresa vencedora da licitação – ECL Engenharia -, fato que obrigou a autarquia a passar por um longo processo para definir o inventário da obra, determinando exatamente o que já havia sido cumprido do projeto e o que restava para a conclusão. Tão logo essa etapa foi concluída, a autarquia lançou a licitação para a contratação de empresa especializada para a conclusão da ETE, processo que foi finalizado com a assinatura do contrato com a empresa vencedora e o início das obras em fevereiro deste ano.
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