Meninas são empoderadas e ganham voz em Sorocaba

Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br

Juntas, elas elaboraram a Carta Manifesto das Meninas, com reflexões, demandas e reivindicações sobre o tema. Encerramento do projeto ocorre nesta terça-feira (21)

Questões culturais ainda impedem que muitas mulheres tenham acesso à educação, sejam forçadas a casar, não ocupem algumas vagas no mercado de trabalho e sejam vítimas de violência. Para tentar desconstruir esta cultura, a Prefeitura de Sorocaba realizou uma iniciativa para empoderar suas garotas. Num trabalho inovador, utilizando metodologia lúdica, adolescentes da cidade ganharam voz e tiveram a oportunidade de refletir sobre seus direitos e a igualdade de gênero. Intitulado “Viva Meninas – Empoderamento e Cidadania”, o projeto está sendo encerrado nesta terça-feira (21) com um evento especial na Biblioteca Infantil “Renato Sêneca de Sá Fleury”.

Realizado pelas Coordenadorias da Juventude e da Criança e do Adolescente da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), o “Viva Meninas” visou empoderar garotas de 12 a 17 anos em 18 espaços de bairros em situação de alta vulnerabilidade de Sorocaba, promovendo fortalecimento, autoestima e autonomia.

“Este é um projeto extremamente inovador e saiu muito melhor do que imaginava. A questão da violência com as mulheres é extremamente preocupante e percebemos que precisávamos trabalhar desde cedo com as nossas meninas, fazendo com que elas percebessem a importância que elas têm e que podem ser o que quiserem. Isso parece óbvio, mas não é tão óbvio assim”, destacou a vice-prefeita Edith Maria Di Giorgi, secretária de Desenvolvimento Social, na abertura do evento, após a apresentação musical de Luane Tejo.

A titular da pasta ainda agradeceu a parceria com a mentora contratada para desenvolver as ações do projeto, a socióloga e educadora Flavia Biggs, do Girls Rock Camp Brasil, e as voluntárias do projeto. “Vocês fizeram um trabalho maravilhoso. Sonho com um mundo em que meninos e meninas sejam criados da mesma forma, para termos uma sociedade mais igualitária e as mulheres não aceitem mais a violência. Estamos dando o exemplo para o Brasil e para o mundo”, completo.

Continuidade

De acordo com a vice-prefeita, a ideia é que o projeto tenha continuidade no próximo semestre. Desta vez, com recursos do Governo Federal, serão beneficiadas meninas de famílias provenientes do Programa Bolsa Família e ocorrerá nas unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Sorocaba.

Para Flavia Biggs o trabalho foi árduo, mas muito gratificante. “Esta experiência foi muito rica e empoderadora, não apenas para as meninas, mas para todas nós. O resultado foi muito legal. Estou muito feliz, com sensação de dever cumprido”, declarou.

José Roberto Rosa, presidente e fundador da Pastoral do Menor, também participou do evento de encerramento do “Viva Meninas”. “Temos que dar uma atenção especial às nossas meninas e dar espaço a elas. Até hoje o mundo foi liderado pelos homens e vimos que muitas coisas não deram certo. Agora está na hora de vocês mulheres assumirem estes espaços. Abram o caminho de vocês, se valorizem sempre e não deixe que ninguém rotule vocês”, declarou. Os Centros Educacionais Comunitários (CECs) da Pastoral do Menor foram também espaços utilizados para a realização do projeto.

Em seguida, foram exibidos 18 vídeos elaborados em cada um dos núcleos do projeto. Para encerrar o evento no período da manhã, três adolescentes fizeram a leitura da Carta Manifesto das Meninas, elaborada pelas próprias participantes do “Viva Meninas”.

Bruna Oliveira da Silva, 16 anos, moradora de Aparecidinha, foi uma das garotas a ler a Carta Manifesto das Meninas. Ela frequenta a Pastoral do Menor do bairro há um ano e meio e participou da iniciativa municipal. Criada numa família bastante tradicional, Bruna disse que sempre acabava reprimindo seus sonhos. “Este projeto foi maravilhoso, amei. Passei a refletir, a questionar o porquê das coisas. O ‘Viva Meninas’ me incentivou a me libertar, a saber quem eu sou, a me desprender de uma sociedade patriarcal, de tudo o que é imposto pela sociedade. Hoje sei que posso ser quem eu sou, pois sou livre, posso andar de skate, tocar guitarra, jogar futebol, sou livre para ser quem eu quero, sem ninguém me impor”, afirmou a adolescente.

A programação do evento de encerramento do “Viva Meninas” prossegue até as 21h na Biblioteca Municipal. Quem for ao local pode conferir a Expo “Viva Meninas Sorocaba”, com todo o material desenvolvido nas vivências com as garotas. A partir das 19h, acontecem mais apresentações musicais, desta vez com as artistas Paula Cavalciuk, Fernanda Teka e Banda Orgânica. Além disso, serão apresentados vídeos do projeto. A Biblioteca Infantil está localizada na Rua da Penha, 673, no Centro.

Sobre a Carta de Manifesto das Meninas

“Somamos 270 meninas de 18 pontos da cidade de Sorocaba, provenientes de diversas realidades, mas que compartilhamos de um mesmo sonho: de ser feliz, respeitada, de poder nos desenvolver de maneira saudável e de mudar o mundo, e já começamos, porque quando a gente muda o mundo muda com a gente! E é hoje que vamos mudar o amanhã!”. Este é um dos trechos da Carta Manifesto das Meninas, elaborada pelas adolescentes que participaram do “Viva Meninas”.

Em cinco páginas, o documento ainda traz as experiências que as garotas tiveram em cada oficina do projeto, as dificuldades que enfrentam diariamente, as principais reivindicações ao poder público e à sociedade, e o que cada uma delas deve fazer para colaborar na transformação do ambiente social.

Como foi o projeto

Iniciado em agosto de 2015, em nove meses, o “Viva Meninas” atendeu mais de 220 adolescentes de doze bairros de Sorocaba, em unidades da Pastoral do Menor (Parque São Bento, Júlio de Mesquita Filho, Manchester, Vila Astúrias, Parque das Laranjeiras, Nova Esperança e Aparecidinha); do Território Jovem (Jardim Ipiranga, Nova Esperança, Maria Eugênia, João Romão, Cajuru, Aparecidinha, Habiteto, Iporanga 2); e no Grupo Teens.

Por meio de vivências socioculturais, elas aprenderam a andar de skate, fotografar, fazer um vídeo, tocar guitarra, estêncil e até um fanzine. A ideia foi estimular o desenvolvimento de potencialidades de cada uma e a abertura de caminhos possíveis para a promoção da cidadania e o reconhecimento de seus direitos.

Para isso, Flavia Bigs e voluntárias do projeto realizaram dez encontros consecutivos com dezoito grupos de meninas, que passaram por oito vivências com três horas de duração cada. Para promover essas vivências foram utilizados diferentes tipos linguagens, propiciando uma experimentação diversificada e descoberta de habilidades, como a escrita, a música, o esporte, a música, o desenho, a fotografia, o vídeo e a troca de ideias.

***Segue em anexo a Carta Manifesto das Meninas

 CARTA das Meninas

Tags:,