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Acessado em: 21/01/2026 - 02h31

“Mães Azuis” fizeram confraternização de final de ano

Por: Natasha Amaral (programa de estágio)

Foto: Fernando Abreu

Grupo é formada por servidoras da Prefeitura de Sorocaba, mães de filhos autistas, que se reúnem durante o ano todo para trocar experiências e falar das ansiedades e dúvidas sobre o tema

Cuidando de quem cuida” é o nome do projeto promovido pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Recursos Humanos (Serh), que reúne servidoras com redução de jornada por terem filhos autistas. O objetivo principal é promover um espaço para que elas troquem experiências e possam falar sobre ansiedades e dúvidas a respeito do desenvolvimento dos filhos. Nesta quarta-feira (27), o grupo se encontrou para uma confraternização de final do ano no clube do Sindicato dos Servidores Municipais, no Alto da Boa Vista.

Batizado como “Mães Azuis”, em homenagem à cor que representa o autismo, o grupo foi criado em abril de 2016, após pedidos de redução de jornada feito por servidoras municipais.

De acordo com o assistente social do Ambulatório da Prefeitura de Sorocaba, Luís Albino, em cada visita nas casas das servidoras, ele e a psicóloga Cibele Moretto presenciavam as dificuldades enfrentadas na criação dos filhos autistas. Foi então que sentiram a carência em conversar sobre o assunto. Após pedido aprovado pela Serh para a possível criação do grupo, eles entraram em contato com essas mães para oferecer o projeto.

Com encontros mensais, as servidoras participam de palestras e conversas com profissionais que ajudam na criação dos filhos. Durante o ano, as funcionárias receberam orientações de uma nutricionista, para facilitar a introdução de alimentos na rotina das crianças, sem que elas notem o que estão comendo. Uma professora da rede municipal também participou de alguns encontros que renderam explicações sobre o aprendizado de crianças autistas em relação às atividades diárias.

Para Luís, é gratificante ser o idealizador do projeto, pelo fato de ver o que foi proposto retornando de maneira positiva. “Vê-las trocando experiências e dicas é fundamental para continuar nisso, e o mais gratificante é ouvir delas que o grupo é o espaço em que elas podem ser ouvidas e entendidas. O projeto está dando certo e vamos continuar”, comenta.

Márcia Regina é gestora do ambulatório e também ajuda na organização dos encontros e afirma que isso é muito positivo para ambos os lados. “É bonito ver a amizade que essas servidoras fizeram, elas realmente criaram um vínculo, é uma rede de apoio muito importante. Foi fazendo as visitas nas casas que o Luís e a Cibele pensaram em fazer algo positivo para essas mães, o nome do projeto já diz o queremos: ‘cuidar de quem cuida’”, finaliza.

O grupo conta com a participação de oito servidoras. Elas afirmam que depois dos encontros passaram a pensar mais nelas e que a troca de experiências é o momento que elas podem desabafar sem receberem olhares de preconceitos. Além de sair da rotina para refletir sobre as mais diversas situações que enfrentam, as funcionárias contam que hoje elas passaram a precisar desses encontros e que é a hora em que se sentem importantes e especiais por terem filhos autistas.

Débora Ramos, servidora há sete anos, trabalha na Secretaria de Cidadania e Participação Popular e é uma das participantes do “Mães Azuis”. Ela conta que antes de engravidar não sabia nada a respeito do autismo e que participar do grupo não só traz benefícios para ela, como também para seu filho, de 6 anos de idade. “Eu entrei vivendo em uma escuridão e o ‘‘Cuidar de quem cuida’’ foi uma luz que apareceu para mim, que clareou todas as inseguranças e medos que eu sentia, hoje eu vivo sem medo do futuro e tenho uma perspectiva de vida melhor para mim e para meu filho”, declara.

Com a redução de jornada, além de participar dos encontros do grupo, Agda Fernandes, auxiliar de educação há seis anos, relata que também consegue participar mais da vida do filho, pois o acompanha nas sessões de terapia. “Aqui a gente sente que não estamos sozinhas e isso nos dá uma motivação para continuar na luta”, revela.

Em 2018, deve-se abrir mais um grupo com oito servidores que solicitaram redução de jornada. Após o pedido, elas serão convidadas a participar do projeto.