Davi tem pouco mais de um ano e basta encontrar um caderno de publicidade em casa para começar a ‘ler’: “mamá, patata, bicoito”. Davi é o típico bebê do século XXI, que tem acesso aos mais variados meios de informação e, portanto, na construção de sua identidade, já reconhece aquilo que faz parte do seu cotidiano. E então, reproduzindo a fala dos pais, também constrói seu vocabulário reforçado pelas imagens.
Há pouco mais de um mês, como novo aluno do Centro de Educação Infantil “Áurea Paixão Rolim” (CEI-106), do Jardim São Guilherme, ele integra o grupo dos pequenos que passaram a contar, desde o início de setembro, com uma Bebeteca instalada na unidade.
Para os pais, Suze e Felipe Mariano, a instalação da Bebeteca potencializará o gosto que o filho já demonstra pelas imagens. “Com isso ele passará para os livros e poderá encontrar outras coisas do seu cotidiano”, acredita a mãe.
Enquanto isso, desfrutando da nova sala, Miguel de três anos fuça, vira e revira o livro que conta a história de uma vaca que botou um ovo, sem questionar qualquer dificuldade ou incoerência com a natureza do animal. A ele interessa sim, participar do enredo e, por isso, se transporta para dentro do livro.
Com pouco mais de dois anos, Aline não abre a boca para qualquer comentário, mas abre o livro pra grudar os olhinhos azuis nas figuras que mostram espanto, alegria e corre-corre de um pato meio estranho que não faz ‘quac-quac’, mas um ‘quéc’ estranhamente estranho.
O programa, que foi implantado no município há um ano, se traduz numa biblioteca especializada no atendimento à primeira infância, na qual se situam as crianças de zero a seis anos de idade. Seu objetivo é estimular os pequenos a apreciar os livros e, por consequência, se afinar com a leitura e assim desenvolver o gosto pela literatura. De fato, a proposta da Bebeteca transita numa abrangência cultural fundamentada, pois permite intervenções no universo da infância que asseguram o desenvolvimento neurológico, anatômico, de linguagem e emocional com mais qualidade.
Enquanto atividade social, o espaço dá a oportunidade de protagonismo aos alunos. A dimensão não está contida apenas nas palavras, ela avança pelas formas, pelas cores e pelos cheiros, oportunizando às crianças novas sensações.
Segundo o responsável da Secretaria da Educação (Sedu) pelas Salas de Leitura e pela Bebeteca, Pedro Luís Rodrigues, os professores que atuam no programa passam por formação específica para colaborar com o processo de desenvolvimento da infância. “Este é um espaço da criança, onde ela pode explorar o ambiente já a partir do engatinhar. Ela deve ficar livre para isso. Na outra parte do tempo esses professores são mediadores do processo de estímulo ao gosto pela leitura. Cada professor é orientado a vivenciar as histórias de modo que os pequenos consigam ludicamente aproveitar o momento valorando, em seu tempo, o espaço, a aquisição cultural, a história.
Sorocaba conta com outras duas Bebetecas: uma – a primeira – instalada no Centro de Referência em Educação (CRE), localizado no Jardim Saira, e outra, no CEI-105 “Dra. Maura Robert”, que fica no Jardim Nova Ipanema. “Ainda não é possível mensurar os efeitos do programa diante dos alunos, mas logo teremos condições de uma checagem a partir dos próprios professores”, explicou Pedro Luís.
Jardim Botânico
Uma equipe do Jardim Botânico “Irmãos Villas Bôas” também participou de uma oficina de formação para mediadores da Bebeteca.
É que, em resposta a uma demanda popular, o espaço passará a reproduzir o ambiente da Bebeteca uma vez por mês. Segundo o técnico ambiental da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), José Carmelo de Freitas Júnior, a ideia é criar espaços integrados à natureza, onde a população se sinta à vontade para levar os filhos e interagir no processo, ajudando no desenvolvimento do gosto pela leitura. O Botânico fica na Rua Miguel Montoro Lozano, 340 – Jardim Dois Corações.