Lobos guarás são monitorados no Zoológico Quinzinho de Barros

Você já imaginou um “big brother” num zoológico? Pois é exatamente isso que está acontecendo com quatro lobos guarás (dois adultos e filhotes machos) que vivem no Zoológico Quinzinho de Barros de Sorocaba. Os animais estão monitorados 24h por dia como parte de uma pesquisa inédita no Brasil, na busca por informações valiosas sobre seus comportamentos.

Segundo o veterinário Rodrigo Teixeira, diretor do Zoológico, o objetivo é coletar informações sobre a interferência da visitação no Zoológico mais diretamente na vida dos animais. ”A proposta da pesquisa é um tanto quanto audaciosa. Tentar descobrir o grau de interferência do público sobre os animais cativos e, de repente, poder estipular um número máximo de pessoas que o Zoológico pode receber”, explica.

Para o veterinário, assim como os estádios de futebol ou teatros que contam com capacidade máxima, o Zoológico também pode começar a discutir esse assunto. “Quantas pessoas cabem dentro de um Zoológico num domingo de sol. De repente teremos com essa pesquisa informações técnicas para poder balizar e chegar a um número que seja bom para os visitantes, bom para os animais e para a equipe técnica que cuida deles” pondera.

Teixeira conta que a pesquisa cientifica, inédita no Brasil, foi uma proposta da pesquisadora Angélica Vasconcellos, professora da PUC-MG, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e prontamente aceita por toda a equipe técnica do Zoológico. Foram instaladas 8 câmeras entre o ambiente em que os animais dormem (16m2) e o de exposição (250m2). 

Uma câmera adicional vai captar quantas pessoas tem em frente ao espaço onde os lobos ficam. O “Big Brother Animal” deve se encerrar nesta quarta dia (21). Segundo o diretor do Zoológico, o tempo será suficiente para conseguir fazer uma correlação direta do nível de ruído, através dos decibéis, quantas pessoas estão presentes e o comportamento do animal em relação a isso.

A previsão é a de que a pesquisa completa seja concluída em aproximadamente 10 meses, sendo que encerrada a captação de imagens, os vídeos serão analisados pelos pesquisadores e os pesquisadores poderão observar, por exemplo, os movimentos, a biologia comportamental do lobo guará em relação ao barulho emitido pelos visitantes.

Paralelamente há um trabalho mais cientifico, que vai permitir aos pesquisadores dosar o cortisol das fezes dos lobos. “É um método moderno, pelo qual se obtém informações sem precisar sedar o animal, um método não invasivo. Com o exame das fezes, é possível medir o nível de cortisol, que vai indicar se ele está bem de saúde ou mal adaptado, se está mais ou menos contente”, conclui.

 

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