Na ocasião, o secretário da Saúde anunciou que aumentará o número de UBSs que oferecem atendimento em saúde da família no município
Os integrantes da terceira turma do Programa de Residências Médicas e Multiprofissional, da Secretaria da Saúde (SE) de Sorocaba, assistiram à aula inaugural que marcou, na manhã desta terça-feira (1º), o início das atividades do grupo. Na ocasião, no Salão de Vidro localizado no andar térreo do prédio da prefeitura, o secretário da Saúde, Francisco Fernandes, aproveitou para anunciar o aumento no número de Unidades Básicas de Saúde (UBS) que oferecem Programa de Saúde da Família às comunidades dos bairros. Atualmente, esse tipo de atendimento está disponível em 14 UBSs. Até o final do ano haverá mais seis operando nessa modalidade.
O Curso de Especialização em Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade 2016, desenvolvido pela Área de Educação em Saúde da SES, terá duração de dois anos e foram oferecidas 28 vagas (10 de Enfermagem, 02 de Odontologia, 02 de Psicologia, 02 de Serviço Social, 02 de Fonoaudiologia, 02 de Fisioterapia, 02 de Farmácia, 02 de Educação Física, 02 de Terapia Ocupacional e 02 de Nutrição). Já o programa de Residência Médica disponibilizou 03 vagas para profissionais na área de Psiquiatria, com duração de três anos, e mais 10 de Medicina de Família e Comunidade, com duração de dois anos.
“A Residência é um processo de renovação e novos conhecimentos. Alia o estudo, propriamente dito, à prática no dia a dia. O desafio é preparar profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde (SUS)”, frisa o secretário. O enfoque será a importância do trabalho multiprofissional e em equipe, voltado às ações de reabilitação de pacientes e à qualidade de vida da população em geral. “Esses profissionais vão discutir e vivenciar tudo isso”, completa.
Nesse sentido, o secretário adianta que, com os 10 médicos residentes em Medicina da Família e Comunidade, haverá aumento de 44 para 49 no número de equipes que atuam nessa área, mais especificamente nas Unidades de Saúde da Família (USF) que hoje atendem nas UBSs Aparecidinha, Vila Barão, Brigadeiro Tobias, Cajuru, Cerrado, Habiteto, Lopes de Oliveira, Nova Esperança, Paineiras, São Bento, Ulisses Guimarães, Vitória Régia, Wanel Ville e Vila Sabiá.
“Onde tem USF e atua o pessoal das residências, o índice de satisfação do público é maior. É um atendimento completo em saúde, onde o usuário resolve suas necessidades ali mesmo. Apesar da época de contenção de gastos, a ampliação do atendimento multiprofissional não vai parar”, acrescenta o secretário. As UBSs que serão transformadas em USF ainda estão sendo definidas pela SES.
A aula
O médico sanitarista Nicanor Pinto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) fez a aula inaugura do Programa de Residências 2016 e elogiou o modelo adotado. Citou que o atendimento profissional garante uma melhor abordagem terapêutica do paciente: “Não é um modelo engessado. É muito dinâmico, com apoio pedagógico de universidades e demais programas de apoio, sejam locais ou de outros municípios.”
E foi por este motivo que o dentista Geraldo Rossi, 29 anos, escolheu Sorocaba. Veio de Araraquara para fazer o Programa de Residência Multiprofissional e está otimista: “Ainda estou me familiarizando com a cidade, mas considero um lugar tranquilo e promissor”. Já André Macedo de Oliveira, 33 anos, formado em Psiquiatria no ano de 2012, resolveu deixar o trabalho em Fortaleza para adquirir novos conhecimentos em Sorocaba. “A cidade tem uma história ligada à saúde mental e está passando por uma completa restruturação da rede de atendimento. Não há lugar melhor para se aprender.”
Aos residentes, Nicanor lembrou que muitos dos ensinamentos transcendem a técnica. “O diálogo entre as redes de serviços é fundamental na assistência mais ampla. Estudar não é só ficar sentado anotando tudo, mas trabalhando e tendo contato com o povo e com profissionais mais experientes.” Antes de tudo, orienta que o profissional da área médica precisa saber ouvir, conversar e examinar o paciente, e depois dar retorno a ele. “Assim, seremos melhores profissionais. Mas é preciso se desvestir de preconceitos para definir a melhor forma de assistência a ser feita.”
Coordenador na Área de Educação em Saúde da SES, Diego Garcia Diniz, explica que nas duas primeiras edições do Programa de Residências Médica e Profissional de Sorocaba participaram, ao todo, cerca de 170 profissionais. “Agora, mais uma vez, além de gente de Sorocaba, temos representantes de vários Estados brasileiros e de diferentes universidades, não apenas daquelas mais tradicionais.”
As atividades de integração prosseguem ao longo da semana. Ainda nesta terça-feira (1º), os residentes participaram de discussão quanto à rede municipal de saúde. Nos próximos dias, saberão detalhes sobre os regulamentos do programa, conversarão com preceptores e profissionais da segunda turma do curso, além de receber orientações e definições quanto à primeira atividade prática a ser executada por eles. “Precisamos preparar o profissional. Fazer com que acredite no SUS, o modifique e o adapte às necessidades locais, trazendo qualidade ao serviço público”, finaliza o secretário da saúde.