Trabalho vai mudar a paisagem de um dos mais bonitos cartões-postais da cidade, no trecho entre a Ponte de Pinheiros e o Parque das Águas
A população pode observar o trabalho de restauração ecológica que a Prefeitura de Sorocaba realiza às margens do rio Sorocaba, num trecho que vai da Ponte de Pinheiros até o Parque das Águas, no Jardim Abaeté. Trata-se de uma iniciativa ambiental pioneira no Brasil capitaneada pelo poder público municipal, denominada de Programa “Refúgios da Biodiversidade”.
Realizado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o objetivo principal desta ação está na criação de “ilhas” de manejo controlado da vegetação das margens e bancos de areia do rio, criando um ambiente adequado tanto para o desenvolvimento de espécies arbóreas quanto para a proteção e alimentação de exemplares típicos da fauna do rio Sorocaba, especialmente as aves.
“A interação entre o homem e a biodiversidade é um caminho sem volta. Cada vez mais estamos respeitando o meio ambiente. Sorocaba tem tudo a ganhar e mais uma vez estamos à frente nos projetos ambientais”, enfatiza Welber Smith, diretor de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente.
O desenvolvimento do município é responsável pelos impactos sofridos em alguns trechos das margens do rio Sorocaba em perímetro urbano. Esta vegetação muitas vezes não possui mais mecanismos para retornar naturalmente ao seu estado original ou, caso conseguisse, seria de forma muito lenta. O “Refúgios da Biodiversidade”, num trabalho realizado com critérios e respeitando as características do rio, vai restaurar esta mata ciliar, que é muito importante para a fauna local, que vive e se reproduz nestas áreas.
De acordo com Welber, a iniciativa é um laboratório natural. “As universidades, pesquisadores e os alunos de graduação podem usar esse espaço para realizar pesquisa. Este programa faz parte de uma sucessão natural da mudança do ambiente, tanto da vegetação, quanto da fauna”, comenta.
O trabalho é realizado em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (SAAE) e a Secretaria de Serviços Públicos (Serp).
Como funciona
Este trabalho será permanente, feito de três maneiras. Em alguns trechos a roçagem ocorrerá de forma mais criteriosa, respeitando onde os animais estão ou se reproduzem. O capim será mantido alto, possibilitando o estabelecimento de ninhais de aves ribeirinhas a abrigo para os peixes, pequenos mamíferos, anfíbios e répteis. “E isto não significa que está sendo mal cuidado. Aqui tem ninho, tem tartaruga, cobra, capivara”, alerta Welber.
Para isto, a Secretaria do Meio Ambiente orientou as equipes que realizam a roçagem nestes trechos. “Muitas destas pessoas elogiaram esta ação, pois muitas vezes eles mesmos percebem que na roçagem acabam destruindo ninhos de aves e espantando alguns bichos que vivem aqui no rio Sorocaba”, comenta. “Fica tudo ‘limpo’, mas muitos pais acabam abandonando seus filhotes nesta roçagem e procurando outro refúgio, daí vem o nome do nosso programa: ‘Refúgios da Biodiversidade’”, explica o diretor de Educação Ambiental da Sema.
Os primeiros “refúgios” estão localizados em frente ao Centro de Educação Ambiental do Rio Sorocaba (CEA Rio Sorocaba), próximo ao Poupatempo, onde além da importância ecológica, há também o papel educativo, inserido no discurso como atração do CEA. Quem passar pelo local pode observar bandeiras amarelas e uma placa educativa explicando o que é o programa, implantada também em todos os trechos ondem serão criadas mais “ilhas” de manejo.
Em outros pontos serão plantadas árvores nativas para recuperar a vegetação. Um dos locais que recebeu este manejo é a região entre o Jardim Botânico e o Parque das Águas. A Prefeitura de Sorocaba plantou 2 mil árvores de espécies nativas, que variam de 1 metro a 2 metros, às margens do rio. O trabalho foi finalizado na última terça-feira (dia 7), fruto de um Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental.
Em locais que tenham árvores será feito o enriquecimento, com o plantio de outras espécies arbóreas, e substituição de espécies exóticas ou invasoras, como as leucenas (Leucaena leucocephala), por exemplo.
Conscientização da população
Uma das tarefas desse programa é também promover a conscientização ambiental da população. “Esta interação entre o ser humano e a natureza está aumentando e as pessoas têm que estar preparadas. Por isto é fundamental o trabalho de conscientização que estamos fazendo”, ressalta Welber.
A paisagem aos poucos vai mudar com a realização do “Refúgios da Biodiversidade”. “Vamos substituir a paisagem de grama e concreto por uma paisagem mais bonita, num local de muito tráfego de veículos. O ganho ambiental será enorme. Cada vez mais a população vai ter a oportunidade de observar esses animais”, garante o diretor de Educação Ambiental.
Com a inauguração do Centro de Educação Ambiental do Rio Sorocaba e o lançamento do programa, no último mês de março, o tema está sendo trabalhado, por exemplo, no Roteiro Educador, projeto da Secretaria da Educação (Sedu). O assunto também é abordado no Tour do Rio Sorocaba. “Uma das novidades será um tour noturno guiado, feito a pé, para a observação da fauna que habita o rio Sorocaba, e que vamos lançar em breve”, adianta.
“Estamos mudando paradigmas. Aquela impressão que as pessoas têm de ver a grama roçada à beira do rio Sorocaba é muito bonita, mas para a conservação da biodiversidade não é. Este trabalho vai conciliar o que é bom para o homem com o que é bom para a nossa fauna e flora. Espero que a população entenda e participe”, finaliza Welber Smith.