Grupo auxilia diabéticos no controle da doença na UBS Cajuru

Com a proposta de envolver o diabético em ações educativas e informativas, o Grupo de Apoio ao Diabetes da Unidade Básica de Saúde (UBS) Cajuru vem conquistando resultados efetivos no controle da doença entre os participantes. Existente há quatro anos, a equipe adotou nova estratégia em janeiro do ano passado e tem verificado melhorias na integração e na motivação dos pacientes, além de maior controle da doença à medida que eles criam um vínculo com a equipe e com os colegas.

Para comemorar um ano do novo grupo e os resultados obtidos, os participantes e os profissionais envolvidos reuniram-se nesta semana. No encontro, dados foram apresentados e foi reforçada a função do grupo que é apoiar e fortalecer individual e coletivamente os pacientes. Para o ano de 2017, a meta do grupo é promover uma maior integração com familiares dos pacientes, fortalecendo o apoio ao tratamento e à dieta também nas residências e envolver mais a comunidade com a unidade, propagando informações sobre diabetes para ampliar diagnósticos.

“Eu descobri que tinha pré-diabetes em um exame de rotina e entrei em desespero, chorei muito mas, com o pessoal aqui da unidade, aprendi que não estou sozinha e que consigo me cuidar”, comemora a dona de casa, Damiana Francisco Vieira, de 49 anos. Para ela, além da consciência de que há muitas pessoas como ela, o maior benefício que as reuniões periódicas proporcionaram foi ensinar como lidar com a doença. Damiana administra a medicação e os novos hábitos com dedicação e garante que faz tudo direito. “Sou organizada e fiquei mais esclarecida, era o que eu precisava. Esse grupo foi maravilhoso para minha saúde”, diz.

Embora reconheça ter dificuldade com a dieta restritiva aos doces, Sidney Custódio, de 61 anos, também enaltece a importância das reuniões para sua autoconfiança e, principalmente, para sua informação. A aula sobre cuidados com os pés e uso de calçados adequados devido ao diabetes foi uma das mais marcantes para ele, que elogia também a dedicação da equipe da unidade, especialmente da médica que o acompanha. Waldirene Maldonado é citada facilmente pelos participantes como uma das grandes motivadoras do trabalho. “Ela convidou e sempre ajuda explicando o que precisa”, comentou Sidney.

Além da “Doutora Wal”, o grupo contou com uma figura marcante que foi Jéssica Santos de Almeida, residente de enfermagem e portadora de diabetes há 20 anos. “Tenho diabetes desde os cinco anos e sempre reforcei para o grupo que tudo na vida tem que ser enxergado como oportunidade”. Seus depoimentos e a forma de ver a vida foram importantes com os adultos, mas principalmente com o grupo de crianças e jovens. “A doença não me impede de nada”. Foi com essa visão positiva que ela conseguiu ajudar a melhorar a aceitação da doença e adesão ao tratamento entre os participantes.

Como parte de seu trabalho de conclusão de curso, Jéssica monitorou de maneira mais próxima uma parte do grupo com avaliações sociais e exames. Entre os pacientes acompanhados, 83% estavam com a doença mal controlada no início de 2016. Ao longo do ano, 17% alcançaram a meta de controle e mais 41% dos pacientes reduziram drasticamente os índices de açúcar no sangue. Também foram observados resultados relacionados à adesão ao tratamento e à determinação para a mudança de hábitos.

Jéssica tem consciência de que ajudou aos pacientes, mas afirma que também lhe fez muito bem todo o trabalho desenvolvido, encerrando um ciclo profissional e proporcionando realização pessoal. Na reunião desta semana, ela se despediu do grupo, já que está finalizando a residência e retorna à sua cidade, São Miguel Arcanjo, para coordenar uma unidade de saúde.