Este é o momento de eliminar criadouros do Aedes

Por: Eduardo Santinon – esantinon@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Assis Cavalcante

A iniciativa visa evitar nova epidemia de dengue no município. Período de estiagem, com intervalo de chuvas, é o prazo ideal para eclosão de ovos e crescimento de larvas

A Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES) faz um alerta à população sorocabana pedindo para que neste período pós-chuvas, quando a estiagem já dura quase uma semana, todos possam vistoriar seus quintais e suas casas para eliminar qualquer possibilidade de criadouros do Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da dengue e das febres chikungunya e zika.

A adesão por parte da população, somada as ações públicas diárias de combate ao mosquito, e a prevenção a essas doenças, é determinante para se evitar, sobretudo, uma nova epidemia da dengue no município.

“A participação da população é fundamental para diminuir os efeitos dessas doenças na cidade. Parada a chuva, onde tem água acumulada e o mosquito deposita seus ovos, após uma nova chuva, em cinco a sete dias, o ovo sai de larva e vira mosquito. A dengue deve ser uma preocupação de todos nós. Este é o momento de combatê-la”, frisa o secretário da Saúde, Francisco Fernandes.

Daí a importância em se vistoriar semanalmente a casa e acondicionar bem o lixo, dispensando-o em local adequado para a coleta. “Terreno baldio não é lugar de lixo. Quem joga nesses locais e, sobretudo se mora nos arredores, está construindo um problema pra si e para sua comunidade. Além de arriscar na proliferação do mosquito da dengue, isso contribui para o aparecimento de ratos, escorpiões e outros animais que podem causar mal à população. O ideal é colocar em frente de casa, no dia de coleta. É questão de educar parte da população, pois ainda temos ‘bairros teimosos’ no município”, complementa o titular da SES.

Morador da Vila Barão há 30 anos, Marco Antonio dos Reis, 57 anos, concorda. Sua casa recebeu visita na última semana dos agentes de vigilância em saúde e não havia focos do mosquito. “Faço a minha parte, inclusive levo os entulhos e materiais dos carretos que faço ao Ecoponto ou ao Aterro de Inertes, embora tenha cliente que fale para jogar em qualquer lugar.” mesmo assim, pelo descuido de outros, sabe que não está imune de ficar doente. No terreno baldio em frente de sua casa a equipe da Divisão De Zoonoses da SES localizou mais de 35 focos de larvas do Aedes. “Todos tem que contribuir”, acrescenta.

O agente de vigilância em saúde Ivan Vieira destaca que a maioria dos focos de larvas ainda é encontrada dentro das casas, sobretudo em calhas, caixas d´água, vasos de plantas, pneus, baldes e inservíveis nos quintais. “Temos achados muitos focos. Até repelente usamos para evitar que gente mesmo pegue alguma doença durante o trabalho”, conta. Seu colega de trabalho, Adilson Rodrigues, cita que a maioria dos populares colabora com a equipe da SES: “Mas tem gente que diz que não tem foco de larva em casa e depois de alguma insistência, ao verificar o local, achamos alguns. Deste jeito localizei um dentro de um banheiro, nos fundos do imóvel, e na calha de outra casa. Aí, sempre o dono fica surpreso”.

Dor e bloqueios

A professora Mari Shiomi, 63 anos, mora na Vila Barão e teve dengue no ano passado. Neste ano, foi a vez do seu filho e do marido contraírem, apesar da “Zonoses” não ter identificado focos de larvas na casa onde a família mora, durante vistoria feita na última semana. “A dor é indescritível, não dá para sair da cama. Foi uma semana horrível e ninguém merece isso.” A doença não poupou nem o filho dela, que é esportista e pratica jiu-jitsu. “Ele ficou entregue e meu marido ainda está se recuperando. O jeito é se hidratar com muita água de coco, para não agravar a saúde”, conta.

Segundo o secretário da Saúde, a recomendação em caso de febre ou dor no corpo, é que o munícipe beba muita água, como forma de diminuir o agravo da doença. Procurar atendimento médico é imprescindível para notificação da ocorrência, realizações de ações de bloqueio da região de residência e início de tratamento. “A hidratação vale no caso, inclusive, de suspeita de dengue ou outra patologia viral e contribui, e muito, no tratamento.”

As ações diárias das equipes da Divisão de Zoonoses estão concentradas em regiões onde há casos suspeitos ou confirmados de dengue, chikungunya e zika, como forma de bloquear o avanço dessas doenças.

As visitas de casa em casa, com remoção de criadouros e orientações preventivas, acontecem nesta semana na Vila Barão, no Trujillo, Jardim Paineiras, Santa Lúcia, Jardim Marcelo Augusto, Wannel Ville e Barcelona. Já a nebulização, com aplicação de inseticida dentro dos imóveis, estão programadas para ocorrer no Parque das Laranjeiras, Jardim Abaeté, Vila Barão, Wannel Ville, Cajuru e Alpes.

Tags:,