ESPECIAL DIA DO MÉDICO – Entre a burocracia e a prática médica, vence o cuidado com o outro
Por: Marcelo de Almeida Júnior - marcalmeida@sorocaba.sp.gov.br
Nunca se evidenciou tanto a necessidade do olhar acolhedor, atencioso e respeito nas relações humanas. E ela é ainda mais buscada no cotidiano do atendimento em saúde, no cuidar com o outro. Tomando-se a definição de Baraúma (2005 P1) “a humanização é um processo de construção gradual, realizada através do compartilhamento de conhecimentos e de sentimentos” (…) e, portanto, o humanizar congrega uma pré-disposição contribuitiva em reconhecimento a quem é o outro, seus limites, conhecimento e modo de viver, podemos dizer que o serviço público municipal conta com bons exemplos de profissionais aptos a lidar com o ser humano.
Na data em que se celebra o Dia do Médico – 18 de outubro, um desses servidores, vocacionado e apaixonado por sua profissão, conta de sua escolha pelo cuidado com o ser humano e reforça a ideia de que as mudanças nas relações médico-paciente é um caminho a ser construído por todo mundo.
Médico da Secretaria Municipal de Saúde (SES) há sete anos, Lúcio Neves se divide como gestor técnico da pasta e atendendo pacientes acamados do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). Para ele, o desafio em atuar nas duas áreas é recompensador, pois, além do aprendizado em gestão pública em saúde, é possível dar continuidade no atendimento de seus pacientes.
Em maio de 2018, quando recebeu o convite para ser gestor técnico da Secretaria, condicionou a aceitação à continuidade da assistência aos seus pacientes acamados e oncológicos inscritos no SAD. Todas as segundas e sextas-feiras, no período da tarde, o médico deixa sua mesa cheia de papéis para realizar as visitas. “Trabalhar nessas duas áreas é um privilégio. Ter a possibilidade de participar dos planejamentos da Secretaria, sem perder o contato com a parte assistencial, é algo desafiador e cativante”, ressalta.
Ao receber um paciente na porta do consultório, ou realizar uma visita domiciliar, Lúcio conta que procura sempre demonstrar o carinho que sente pelo usuário, justamente, porque considera que é ali, naquele momento, que se inicia um exame clínico. “É na primeira impressão nessa relação médico e paciente que a gente pode mostrar a importância do vínculo. E ele vai ficando cada vez mais refinado a medida que o paciente retorna outras vezes. Dessa forma, o diagnóstico sensitivo fica mais forte com o passar do tempo e acaba gerando facilidade para saber se o assistido está bem ou mal, apenas observando a expressão corporal do mesmo”, relata.
O médico considera que o SUS (Sistema Único de Saúde) vem evoluindo, mas precisa se adequar periodicamente a cada nova realidade, por meio da união entre gestores, profissionais assistenciais e a população. “Esta união tem que transcender às salas de reuniões e se mostrar no dia a dia, tanto nas ações institucionais e coletivas, quanto nas ações individuais. Todos são responsáveis. Todos devem ter um papel ativo e, acima de tudo, todos devem entender que precisamos tratar diferente os diferentes. Mas, este tratamento tem que ser na medida, nem a mais, nem a menos, para que não falte para ninguém”, explica o médico.
Atendimento Humanizado
Popularmente chamado de “Dr. Lúcio”, o médico é sempre lembrado pelos pacientes e servidores por conta do seu jeito atencioso, calmo, carinhoso e humano de tratar as pessoas. Segundo a paciente Beatriz Alves, de 65 anos, o médico visita sua casa há um ano. “Não trocaria o Dr. Lúcio por nenhum outro médico no mundo”, comenta francamente aos risos. “Ele é um profissional diferenciado. Além do atendimento humanizado, toda vez que vem em minha casa me enche de ânimo para enfrentar a doença”, completa.
Dona Beatriz trabalhava como diarista e sempre se queixava de dor nas costas. Um dia, após voltar de uma consulta médica para investigar a causa do problema, parou de andar e no dia seguinte estava acamada. Desde então, investiga um possível câncer de pulmão e, por ficar na cama, foi inscrita como paciente do SAD, recebendo visitas médicas e de enfermagem.
Natural de Itaí, e desde 1968 em Sorocaba, dona Beatriz mora na Vila Mineirão e conta com duas cuidadoras, suas irmãs Bernadete e Ângela. Elas moram juntas desde sempre e se ajudam em todas as situações da vida. “Foi um grande susto quando eu parei de andar e elas precisaram cuidar de mim. A família é a base de tudo e, com muito amor, elas me ajudam todos os dias. São meus anjos”, relata a paciente.
Em certa ocasião, dona Beatriz estava muito amuada e quieta. Não queria conversar e a irmãs não entendiam o motivo. Coincidentemente, Lúcio apareceu para a visita de rotina e constatou que sua paciente estava com febre alta. Naquele momento o médico acionou o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e ela foi levada ao hospital. Diagnosticada, dona Beatriz apresentava uma forte infecção urinária. “Ele salvou a minha vida. Se não fosse sua visita naquele dia, não sei se ainda estaria aqui”, conta.
“A dona Beatriz é uma paciente muito especial e carinhosa. Estamos dando todo o suporte que é possível: medicando; capacitando; orientando; entendendo e acolhendo”, relata o médico. Segundo Lúcio, apesar das críticas sobre o sistema público de saúde, a Secretaria da Saúde de Sorocaba possui inúmeros médicos apaixonados e qualificados para atender a população. “Como gestor e profissional da assistência, sei da existência de diversos médicos que são dedicados e possuem amor pela profissão para assistir a população com qualidade e dignidade”, ressalta.
Dia do médico
18 de Outubro foi escolhido em homenagem ao nascimento de São Lucas, um dos seguidores de Jesus que, segundo a tradição, escreveu um dos livros do Evangelho e o livro dos Atos dos Apóstolos. Neles contou muitas histórias de Cristo, inclusive algumas das muitas curas e milagres que presenciou. São Lucas estudou medicina em Antioquia (atual Turquia) e foi chamado pelo apóstolo Paulo de “amado médico” na epístola aos Colossenses. São Lucas é considerado patrono dos médicos desde o século XV.
Atualmente, a Prefeitura de Sorocaba conta com 456 médicos concursados na rede. De janeiro a agosto de 2019 foram realizadas 609.936 consultas médicas por meio dos profissionais das áreas de Atenção Básica, Especialidades, Urgência e Emergência. Se forem somados os atendimentos realizados por terceiros, o número de consultas chega a 1.100.553.
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