Escolas desenvolvem Projeto de Musicalização com estudantes
Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br
Foto: Zaqueu Proença
Aulas de fanfarra e baliza farão parte do cotidiano dos alunos
Desde abril deste ano, a Prefeitura de Sorocaba voltou a oferecer aos alunos entre 6 e 18 anos de idade, da educação básica das redes municipal e estadual de ensino, o Projeto “Musicalização nas Escolas”. O trabalho dá continuidade a um projeto que já era desenvolvido há dez anos em Sorocaba.
Promovido pela Secretaria da Educação (Sedu), o projeto de musicalização integra o Programa “Escola Viva” e prevê a criação e manutenção de bandas e fanfarras, corpo coreográfico, unidades de canto coral, além da criação de Escola Livre de Música.
O objetivo da “Musicalização nas Escolas” é desenvolver e incrementar a sensibilidade dos alunos, potencializando seu acesso ao universo da música, difundindo a tradição musical popular brasileira aos alunos da Rede Pública de ensino – seja por meio da ampliação do conhecimento dos elementos musicais, da percepção auditiva e do corpo, ou pelas experiências musicais ligadas à prática instrumental – além da execução de repertórios em apresentações públicas.
De acordo com a Secretaria da Educação, atualmente já estão sendo beneficiadas quarenta escolas municipais que estão dando continuidade ou iniciando o projeto. A partir do segundo semestre deste ano novas unidades serão integradas ao projeto, totalizando oitenta escolas públicas municipais e estaduais.
Na E.M. “Profª Josefina Zilia de Carvalho”, no Jardim Guadalajara, por exemplo, alunos do 5º ano já participam de aulas de fanfarra e baliza às segundas e quartas-feiras na Oficina do Saber do bairro. Este trabalho atende a Lei nº 11.769, de 18 de Agosto de 2008, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica, e a resolução SEDU/GS nº35, de 01 de Outubro de 2014 (Diretrizes da Secretaria Municipal de Educação).
“A música tem a capacidade de aproximar as pessoas, estimula o intelecto da criança, a coordenação motora, a sensibilidade, a criatividade, a comunicação, o trabalho em grupo, a alfabetização, o raciocínio lógico-matemático, entre outras”, explica Patricia Callado, Gestora de Desenvolvimento Educacional do Projeto de “Musicalização nas Escolas”.
Para a realização deste projeto, o Governo Municipal contratou a empresa Rariz Cultural. O investimento é de R$ 998 mil reais para um trabalho de 49.360 horas em que, durante 12 meses, os profissionais contratados desenvolverão aulas teóricas e práticas para as bandas e fanfarras, além da Escola Livre de Música e Arte de Sorocaba. O maestro responsável pelo projeto é Jonicler Real.
Durante as aulas o contexto do processo ensino-aprendizagem ocorre de maneira integrada com a construção do conhecimento sobre partituras, inserindo concomitantemente o aprendizado técnico/rítmico e melódico, aspectos da história da música brasileira e universal, bem como o folclore, dentre outras inserções culturais.
O programa “Escola Viva” – que integra a musicalização – é uma política educacional de ampliação do tempo, dos espaços e das oportunidades educativas na rede municipal de Sorocaba, que visa, por meio da vivência/aprendizado, do diálogo entre a educação formal e não formal, a ocupação de diversos espaços educativos da escola e da cidade de forma que professores e alunos possam explorar toda a riqueza cultural, social e ambiental do município, garantindo aos sujeitos o direito de uma educação que promova as múltiplas dimensões da formação humana.
Na Fanfarra
No início das aulas de Fanfarra as pequenas mãos vão se ajustando aos instrumentos para ensaiarem “Aquarela”, de Toquinho. Na E.M. “Profª Josefina Zilia de Carvalho”, 27 crianças do 5º ano tocam surdos, timbas, caixas, pratos e liras sob o comando do professor Junior Leocádia Conceição.
“Há um mês, aproximadamente, retomamos as aulas aqui na escola. Muitos deles já participaram da Fanfarra em 2014 e já sabem tocar algumas músicas, mas temos alunos novos também”, explica Maria do Carmo Belanga Gimenes Ferreira, professora responsável pela Oficina do Saber.
De acordo com ela, a principal apresentação deles acontece no já tradicional desfile das escolas durante as comemorações de aniversário de Sorocaba, no dia 15 de agosto. “No ano passado a apresentação desta turminha no desfile foi maravilhosa. Mas eles também se apresentam em eventos na própria escola, como na Mostra Literária e formaturas”, afirma.
João Henrique Santos da Silva, de 10 anos, é um dos garotos responsáveis pelo surdo. “Ano passado tocava timba, mas como sou um dos maiores da turma o professor me perguntou se eu toparia tocar o surdo, que é um instrumento mais pesado. Eu gosto bastante. Aqui não fico parado. Gosto de música e em casa ouço bastante”, comentou. Apesar de ser fã de música e de uma família que gosta de samba e pagode, João adora aula de Ciências e seu sonho é fazer Robótica.
Uma das poucas garotas a integrar a fanfarra é Lívia da Silva, de 10 anos. Neste ano ela toca lira e está gostando de participar das aulas do ’Musicalização nas Escolas’. “Aqui eu sinto uma coisa boa. Aprendo um instrumento e me desenvolvo. Já pensei em ser musicista, minha tia é e também toca lira”, conta a estudante. “Minha mãe sempre me diz para prestar atenção no professor e ser alguém na vida. Se não for musicista quero ser professora”, disse Lívia.
Coreografia
No pátio da Oficina do Saber, ao lado da turma da Fanfarra, acontece a aula de Baliza, que conta atualmente apenas com garotas do 5º ano. No total são treze meninas comandadas pela professora Crislaine Priscila Mariano. “Estamos bem no início, por isto estamos treinando bastante a flexibilidade e o alongamento das alunas. Apenas duas desta turma participavam das aulas no ano passado. No final do mês já começaremos com a coreografia de fato”, comenta.
Larissa da Silveira Souza, de 10 anos, moradora do Jardim Tatiana, faz parte deste grupo que acompanhará a Fanfarra com as coreografias. “No ano passado tocava lira na fanfarra, mas este ano quis participar da Baliza. Eu gosto de aprender coisas novas”, afirma a garota.
Outra integrante da baliza é Sophia Cristina Alves Camargo, de 10 anos, moradora do Jardim Refúgio. “Eu adoro dançar. Já faço balé há cinco anos na ACM do Jardim São Paulo e preferi fazer aula com a professora Crislaine”, conta a menina.
Para a professora de baliza, além do lazer a atividade traz outros benefícios para a garotada. “Ajuda no comportamento, na disciplina, na saúde, no desenvolvimento do corpo e da mente, além da socialização”, garante Crislaine.
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