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Acessado em: 15/01/2026 - 00h05

Encontro atualiza profissionais sobre Leishmaniose Visceral

Por: Evenize Batista - ecbsilva@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Emerson Ferraz - eferraz@sorocaba.sp.gov.br

Profissionais e gestores de saúde participaram nesta quarta-feira (28) do Encontro para Atualização em Leishmaniose Visceral promovido pela Prefeitura de Sorocaba. A proposta do evento foi oferecer informações e orientações atualizadas sobre a doença e um alerta de sensibilização tendo em vista que ela já vem sendo identificada entre cães e teve o primeiro caso em humanos na região no início do ano.

O evento foi organizado pela Secretaria da Saúde de Sorocaba, por meio da Vigilância em Saúde. Cerca de duzentas pessoas participaram do encontro e acompanharam as explanações de especialistas na doença, convidados e autoridades em Saúde Pública. “Tendo havido um caso humano na região, nosso alerta foi dado e os participantes orientados e atualizados com informações credenciadas para que estejam atentos e preparados para fazer diagnóstico”, comentou Solange Ismerim, gestora da Vigilância em Saúde de Sorocaba.

Segundo Solange, apesar da Leishmaniose não ser, até pouco tempo, uma doença registrada na região, já vinha recebendo atenção. “Não era uma doença do nosso meio, mas o processo vinha sendo observado primeiro com a presença do vetor (mosquito palha), depois com os casos em caninos e agora com o primeiro caso em humano”, frisou. Com esta ocorrência, explica a gestora, chegou o momento de fazer o alerta, como recomenda o próprio Ministério da Saúde.

Durante o encontro, as principais participações do público com perguntas foram ao médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Marcos Vinícius da Silva, doutor em doenças infecciosas. O convidado abordou as características da leishmaniose, quadro clínico e tratamento. Em sua palestra comentou que a sensibilização da rede de saúde é essencial. “O fato de haver um caso identificado é um alerta importante de que algo já aconteceu. Pode ser a ponta de um iceberg, então, sensibilizar os profissionais de saúde deve ser constante”, frisou.

Outra palestrante bastante esperada foi ministrada por Aparecida Helena de Souza Gomes, médica do Instituto Adolfo Lutz, doutora em pesquisa laboratorial em Leishmaniose, que abordou o diagnóstico laboratorial da doença. Em sua participação, a especialista falou sobre os estudos atuais e também expôs condutas de investigação e acompanhamento dos casos, tipos de exames existentes, onde podem ser feitos e como deve ser o acompanhamento dos pacientes por meio de testes programados.

O encontro reuniu principalmente servidores municipais de Sorocaba, mas também foram cedidas vagas à Prefeitura de Votorantim, à Associação dos Veterinários de Sorocaba e à disciplina de Infectologia da Faculdade de Medicina de Sorocaba (PUC-SP). Também palestraram a infectologista Priscila Helena dos Santos, da Vigilância Epidemiológica Municipal, sobre fluxos e protocolos, Isaías Ribeiro da Silva, pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e o veterinário Ricardo Guimarães Rangel que falou sobre a doença na espécie canina.

Doença de cães e humanos

A Leishmaniose é uma doença que pode acometer cães e humanos, é causada por diferentes espécies do protozoário denominado Leishmania, a partir da picada do mosquito palha (Flebotomíneos) – vetor presente na região de Sorocaba.

A doença se apresenta em dois tipos, sendo a Leishmaniose Tegumentar Americana caracterizada pelas lesões cutâneas, que ocorrem geralmente em áreas do corpo expostas à picada do mosquito. Já a Leishmaniose Visceral é a forma considerada mais grave, por causar aumento de órgãos como baço e fígado e, se não tratada no início, pode evoluir ocasionando, por exemplo, emagrecimento e alterações no sangue como anemia, queda dos glóbulos brancos e plaquetas. Com esse quadro, o paciente torna-se suscetível a outras infecções, podendo morrer.

Em Sorocaba, a forma cutânea da leishmaniose vem sendo registrada há alguns anos, já a forma visceral vem sendo detectada em cães desde 2015, mas não foi observada até o momento em humanos. A cidade vizinha de Votorantim registrou um caso autóctone (local) de leishmaniose visceral em humano neste ano de 2017.