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Acessado em: 20/01/2026 - 18h58

Empresas do Parque Tecnológico produzem pele artificial

Por: Marcelo Adifa - mlribeiro@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Zaqueu Proença - zbueno@sorocaba.sp.gov.br

Implante de pálpebra em cachorra demonstra sucesso da aplicação

 “Nós estamos transformando um sonho em realidade”, é assim que o cientista e empresário João Ferreira de Lima Neto costuma apresentar o seu projeto de produção de membranas sintéticas que podem ter aplicações em vários campos da medicina e da veterinária. João é parceiro de outros pesquisadores que foram acolhidos pelo Parque Tecnológico de Sorocaba, organismo ligado à Prefeitura de Sorocaba por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda. Juntos, João, Mário Henrique Scarpelli Calejo, Andreas Kaasi e Renato Murta são responsáveis por uma história emocionante de superação e recuperação de uma cadelinha com a obtenção de resultados impressionantes no campo da biotecnologia.

As empresas Call4Tech e a Eva Scientific, incubadas em projeto pioneiro do Parque Tecnológico, foram informadas pelos veterinários Mário Scarpelli Callejo e Renato Murta, este da clínica veterinária Clinvet de Sorocaba, que também é parceira nessa iniciativa, que a pequena Sofia, uma cadelinha sem raça que havia sido atacada em uma briga com outros cães tinha perdido parte da pele da cabeça e as pálpebras. Calejo, um dos sócios da Call4tech viu a possibilidade de ajudar o animalzinho e comprovar o sucesso do seu projeto de pele artificial, dando-lhe uma primeira aplicação: a reconstrução das pálpebras da cachorra, sem a qual a sua qualidade de vida estaria extremamente afetada. A decisão pelo implante só aconteceu depois que Calejo avaliou que um procedimento tradicional de reparação não seria suficiente para Sofia.

A Call4Tech e a Eva Scientific, empresas que operam incubadas pela Hubitz no Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) aceitaram o desafio. A Hubiz, por sua vez, é um programa pioneiro de apoio à criação de negócios focados em inovações tecnológicas e coordena as empresas iniciantes no Parque Tecnológico.

Sofia recebeu a membrana desenvolvida pelos cientistas sorocabanos e teve um tempo de recuperação rápido. Quarenta dias após o procedimento ela já se recupera em casa e a área afetada apresenta nascimento de pelos e normalização na circulação de sangue. Sua rotina exige apenas o acompanhamento dos especialistas da Clinvet.

Não houve a rejeição do tecido e o organismo da cadelinha reconheceu rapidamente a área implantada, no que pode ser um avanço para processos similares aplicados a humanos.

 

Técnica é pioneira

O norueguês Andreas Kaasi, da Eva Scientific, é quem mais se entusiasma com todo o projeto. Ele explica que a solução adotada, optando por usar uma impressora 3D na confecção de tecido vivo, é considerada como revolucionária.

“Desenvolver novas tecnologias e servir à população através dos seus serviços”, assim Roberto de Machado Freitas, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, resumiu o papel do Parque Tecnológico de Sorocaba, presidido por ele. “As empresas incubadas no Parque Tecnológico produzem muito conhecimento, isso pode se transformar em inovações, conquistas econômicas e sociais muito importantes para Sorocaba; temos orgulho do Parque e das empresas que são nossas parceiras. Vamos avançar com o sucesso delas e logo estaremos gerando emprego e renda, produzindo conhecimento e insumos que chegarão em vários outros países”, concluiu o secretário.

 

Aplicação em seres humanos

As pálpebras foram confeccionadas a partir de biomembranas absorvíveis sintetizadas, processo dominado por Andreas. Altamente ricas em colágeno e biocompatíveis, as duas membranas tem 7×3 cm de dimensão e foram confeccionadas a partir de impressão 3D, no Laboratório do Instituto Nacional de Biofabricação da Unicamp, em Campinas. O implante gerou melhora sensível na qualidade de vida da cadelinha, e além de contribuir com a saúde e bem-estar animal, a médio e longo prazo, esse tipo de técnica poderá ser expandida e ganhar novas aplicações, inclusive para procedimentos em seres humanos. As membranas desenvolvidas pelas empresas incubadas podem revolucionar procedimentos médicos e devem ser utilizadas, futuramente, para o tratamento de queimaduras ou outras aplicação. A produção desse material deve atender ao mundo todo, já que somente outra empresa, com comercialização restrita ao Canadá e Estados Unidos, desenvolve um insumo similar.

A mesma equipe que realizou o procedimento em Sofia está desenvolvendo diversos outros estudos no campo da biotecnologia e, segundo João Ferreira de Lima, “precisamos de mais investimento, a Prefeitura nos ajuda muito com o Parque, mas precisamos de linhas de crédito e investimentos dos governos do Estado e da União, além de parcerias com outras empresas”.