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Acessado em: 30/11/2025 - 07h30

Emoção marca alta de mais cinco pacientes do Hospital Vera Cruz

Por: Evenize Batista - ecbsilva@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Emerson Ferraz - eferraz@sorocaba.sp.gov.br

A manhã de segunda-feira (31) foi de bastante emoção no Polo de Desinstitucionalização Vera Cruz, em Sorocaba. Cinco mulheres tiveram alta e foram transferidas para a cidade de Itapeva, onde viverão em Residência Terapêutica. Depois de 18 anos internada, Alessandra Cristina de Oliveira, de 31 anos, conhecida por ser proativa, falante e por contar sua história de vida, foi uma dessas pessoas. A despedida de Alessandra levou às lágrimas funcionários do hospital, além de muitos outros pacientes e amigos que declararam que sentirão muito a falta dela.

Diversas malas e bolsas com os pertences de Alessandra foram carregadas com cuidado e foi preciso um carro extra para acomodar tudo que ela juntou ao longo de sua internação, como bichos de pelúcia, peças de enxoval, como colchas e cobertores, roupas e sapatos. “Só malas de roupa ela tem três”, mostrou Roberto Carlos Halo, um dos principais amigos dela, sem esconder que estava bastante chateado com o adeus.

Para Alessandra, a alta foi uma das coisas mais esperadas nesses quase vinte anos, a outra é a possibilidade de reencontrar a filha que teve aos 14 anos e entregou à adoção, em um episódio conturbado no início da internação. “Com 12 anos, não tinha mais meus pais, com 14, engravidei. Eu era muito revoltada, descontrolada mesmo e me envolvi em uma briga lá em Itapeva, por isso me mandaram para um abrigo, briguei de novo e acabei vindo para Sorocaba, no Hospital Mental. Só agora vou ter liberdade de novo”, conta. Aceitar a condição de interna e o tratamento foram grandes desafios para Alessandra, mas ela conseguiu e considera que foram grandes vitórias, mencionando que atualmente toma menos remédios e está equilibrada.

Ir para Itapeva era o desejo de Alessandra, mas ela já não acreditava que daria certo. “Fui vendo tanta gente sair que eu achei que ficaria aqui sozinha, por último, para apagar a luz”, comenta. Essa falta de esperança foi algo marcante no comportamento de Alessandra nos últimos meses, a ponto de ela ter manifestado interesse de ir para qualquer localidade em vagas solidárias, caso não conseguisse voltar para cidade de origem. “Nossa alegria foi enorme quando confirmamos que voltaria para Itapeva”, explicou Valéria Correa, assistente social e coordenadora geral do Hospital Vera Cruz, destacando que Alessandra é uma pessoa muito querida e participativa, que fará falta. “Por isso já estamos programando uma visita no próximo feriado e levaremos o grande amigo dela”, contou.

Liderando a equipe de Itapeva que acompanhou as cinco pacientes na transferência, a enfermeira Jaqueline Moro, que é a coordenadora de Saúde Mental do município, explica que a cidade estava equipada com uma residência terapêutica e um Centro de Atenção Psicossocial e precisou providenciar a abertura de mais duas RTs para receber pacientes da região de Sorocaba.

As cinco mulheres que estavam no Vera Cruz, ficarão em uma RT feminina com outras pacientes saídas de uma clínica psiquiátrica de Salto. E no dia 31 de agosto a equipe voltará ao Vera Cruz para levar dez pacientes masculinos que ficarão em outra RT. Para o grupo de mulheres, Jaqueline informou que foi preparada uma recepção e acolhida em Itapeva. “Consideramos importante receber essas pessoas com muita atenção, é um momento muito esperado para eles e a transição para uma nova vida”, comentou.

A desinstitucionalização da Saúde Mental é um compromisso público firmado por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado entre municípios da região de Sorocaba, o Ministério Público, Secretarias Municipais e Estadual da Saúde e Ministério da Saúde. A atual coordenação da Saúde Mental da Prefeitura de Sorocaba tem atuado diretamente no processo ajudando a localizar a origem dos pacientes, fazendo contato com familiares e os municípios identificados.

A equipe da coordenação também auxilia os gestores das cidades contatadas para que possam tomar as providências necessárias, como abertura de residências terapêuticas de centros de atendimento psicossocial (Caps) para providenciar a alta e a transferência dos pacientes. Desde o início do ano 68 pacientes tiveram alta do Vera Cruz. Nesta semana estão previstas mais três altas, sendo uma para Guareí e duas para Guarujá.