Resultado positivo da atividade poderá se traduzir em novas edições visando a troca de brinquedos usados e em bom estado, para o natal.
De gatinha cor de rosa, Sophia, de três anos, pegou sua Peppa de rodinhas e levou para trocar. Ela mesma nem sabia o que escolher, apenas que outra criança poderia brincar com seu brinquedo.
Desapegar da personagem do desenho animado que encanta os pequeninos, aqui no Brasil, foi um processo construído dentro de casa. Durante a semana, ela ouviu da mãe o quanto partilhar é importante. E na manhã deste sábado (3), junto como pai, Carlos Eduardo Thomaz, foi participar da Feira de Troca de Brinquedos e Livros usados que aconteceu na Praça “Frei Baraúna”, no Centro da cidade. “É importante que ela pratique o desprendimento. Cabe aos pais ensinar que um mesmo brinquedo pode fazer feliz outras crianças”, disse Carlos Thomaz.
Como ela, dezenas de outras crianças fizeram o mesmo e se entusiasmaram diante da possibilidade de ter um novo usado brinquedo. Ágatha, de 8 anos, levou vários ursinhos de pelúcia e a todo tempo era chamada para ir até seu lugar de exposição. Interessada numa caixa colorida com artefatos para desenho, ela não queria perder a chance da troca. “Vai lá na sua querida, já anunciaram que você quer trocar com esse. Daqui a pouco a dona vem”, insistia a avó, Lourdes Lazarin, que saiu do Jardim Simus com a neta para conhecer o projeto organizado pela Coordenadoria da Criança e do Adolescente da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), da Prefeitura de Sorocaba.
“Deveria ter muito mais feiras assim. É muito bom para que as crianças aprendam a dividir, a doar aquilo que tem em excesso”, disse Lourdes à titular da Sedes e vice-prefeita, Edith Di Giorgi, que visitou a atividade que faz parte de um movimento nacional do Instituto Alana, cujo objetivo é fazer com que os pequenos vivenciem a ideia do Dia das Crianças de modo diferente, pensando nas práticas de consumo colaborativo entre a garotada.
A partir do que considera mais um resultado positivo da Feira de Brinquedos, Edith disse que buscará viabilizar outras edições no mês de dezembro, pensando no natal. Essa expansão da feira chegaria aos bairros nos mesmos moldes, trazendo a comunidade a uma participação mais próxima de suas localidades. A secretária acha muito importante que as crianças sejam estimuladas a ações desta natureza, justamente, porque a elas não importa o valor comercial dos brinquedos usados. “A simbologia é outra. A criança não valora o brinquedo pelo tamanho ou pelo seu estado. É pela utilidade que ele terá naquele momento, pela emoção que ele pode trazer à ela”, enfatizou.
Edith Di Giorgi considera que atividades como esta são também muito enriquecedoras para os adultos: “somos nós que ensinamos a guardar as coisas, damos os valores que elas têm, e quando vemos que as crianças se desapegam com facilidade e valorizam de outro modo um brinquedo que pertenceu a outra criança, temos a oportunidade de rever nossos conceitos”, disse.