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Acessado em: 18/01/2026 - 10h24

Combate à dengue: cada um cuidando do seu quadrado

Por: Ana Carolina Chinelatto (Programa de Estágio) - Supervisão: Tânia Franco – ttferreira@sorocaba.sp.gov.br

Foto: Zaqueu Proença - zbueno@sorocaba.sp.gov.br

Funcionários da Seção de Serviços Internos da Sead realizam vistorias frequentes no Paço Municipal

 

Com os casos das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti cada vez mais frequentes, vistoriar as casas para evitar acúmulo de água se tornou dever de cada cidadão. Vasos de plantas, ralos, pneus, brinquedos e outros objetos que possam servir de abrigo para as larvas do mosquito têm de ser mantidos longe de locais aberto e, pelo menos uma vez na semana, conferidos para se descartar a possibilidade de qualquer proliferação.

Para se certificar de que o trabalho é feito corretamente e orientar a população acerca do combate às doenças, a Vigilância em Saúde, da Secretaria da Saúde (SES) de Sorocaba, visita frequentemente cada bairro da cidade. Mas o cuidado não deve ser tomado apenas pelos munícipes. O Poder Público, que atua no controle da prevenção por meio de ações como nebulização ou orientação, também faz a sua parte.

Para garantir que os servidores municipais se empenhem no combate ao mosquito da dengue foi criado o Comitê de Combate à Dengue, vinculado à Defesa Civil de Sorocaba. Cada secretaria elegeu um responsável para vistoriar o local de trabalho. Após a fiscalização de todos os itens exigidos pelo Comitê, o funcionário deve preencher uma planilha na qual serão marcados os locais conferidos e a situação de cada um.

De acordo com Genilson Antunes Pedroso, chefe de Divisão da Defesa Civil, a vistoria deve ser realizada uma vez por semana devido ao ciclo de reprodução do mosquito. Ainda segundo ele, no final do mês, cada unidade municipal deve enviar o relatório ao órgão. “Fazemos isso para incentivar o funcionário a cuidar do ambiente de trabalho e evitar que, por algum descuido, determinado objeto sirva de criadouro de larvas do mosquito”, ressalta.

A fim de facilitar o trabalho no controle das fiscalizações, a planilha, que antes era preenchida pelos servidores no papel, no início desta semana começou a ser disponibilizada na versão digital. “Assim não precisaremos ficar repassando os dados para o computador, vai ficar mais fácil e mais rápido”, explica.

 

Lição de casa

Além dos integrantes do Comitê, a Seção de Serviços Internos da Prefeitura, vinculada à Secretaria da Administração (Sead), também atua no combate ao Aedes aegypti. Entre outras obrigações, de acordo com Leandro Lopes Santos, a Seção tem responsabilidade de vistoriar o prédio no mínimo duas vezes por semana, mas este número aumenta em épocas de chuva. “Todo dia que chove nós precisamos andar pelo prédio e procurar os locais que acumularam água”, conta.

Todos os andares são fiscalizados. Os funcionários observam desde ralos até a laje do prédio. Nos locais onde a água fica parada eles depositam sabão em pó para evitar a reprodução do mosquito. “Muitas pessoas pensam que só ralos e pneus vão servir de criadouro, mas não é bem assim. Nós subimos na laje do prédio do Paço todo dia que chove para ver a situação e sempre tem muita água acumulada. Nesses casos, nós jogamos o sabão para combater”, relata Leandro.

O trabalho de fiscalização do prédio, conforme Felipe Efraim Rodrigues de Andrade, que também é funcionário da Seção de Serviços Internos, é auxiliado pelas colaboradoras da empresa da limpeza. Segundo ele, além da tabela confeccionada pela Defesa Civil, elas preenchem uma tabela interna de cada local que foi vistoriado. “Elas acabam ajudando muito. Na maioria das vezes, o problema não chega nem até nós, pois as próprias funcionárias da limpeza já resolvem”, comenta.

Todas as orientações da Vigilância em Saúde foram seguidas no Paço Municipal. O dreno do ar-condicionado de alguns setores, por exemplo, que desembocavam água no chão, foram prolongados até os ralos para escoamento.

 

Todo cuidado é pouco

Mas os munícipes também têm feito a lição de casa e cuidado de suas casas e comércios, como é o caso do Wilson Luiz dos Santos, proprietário de uma borracharia na Vila Progresso.

De acordo com ele, a Vigilância vistoriou o local, que estava em boas condições, mas orientou que fosse feita uma pequena cobertura externa e na lateral do prédio para proteger ainda mais os pneus que ficavam expostos. “Nós já estávamos cuidando disso, mas depois que eles (Vigilância em Saúde) estiveram aqui nós aceleramos o trabalho e terminamos a cobertura”, frisa.

No estabelecimento, todos os pneus ficam empilhados na área coberta e não há risco de acúmulo de água, mas, mesmo assim, Wilson garante que os funcionários são orientados a vistoriar todo o material ao final de cada dia. “Quando fechamos a loja, todos ajudam a olhar os pneus e a guardar o material que fica exposto na calçada, assim, confirmamos que não há água acumulada.”

Wilson conta que ninguém do estabelecimento, ou conhecido, pegou dengue, Zika ou Chikungunya, mas ele reconhece o dever que tem como cidadão. “Eu sei que eu preciso fazer a minha parte e fazer as vistorias frequentes, mas de nada vai adiantar se o vizinho não fizer a parte dele”, declara.

É disso que Silmara Camargo Gomes Prado Zucolo foi vítima. No ano passado, por conta do descuido de um vizinho, a professora contraiu a dengue.

Depois de um caso de Chikungunya no condomínio onde mora, no Alto da Boa Vista, e mais outros casos de suspeita de dengue, a Vigilância em Saúde foi vistoriar o local e encontrou, em um vaso de planta, focos de larvas do mosquito. De acordo com Silmara, em sua casa eram tomados todos os cuidados necessários. “Eu sempre olhei bem os ralos e tudo que pudesse empoçar água em casa, por isso eu pensava que eu e minha família estávamos protegidos, mas não foi isso que aconteceu”, conta.

Conforme a professora, os 14 dias que ficou acamada por conta da doença foram muito difíceis. “A dor no corpo era horrível, eu não conseguia levantar da cama. Alguns dias precisei até ser internada para receber medicação para dor”, lembra. Por vistoriar a casa frequentemente, Silmara imaginava que teria contraído a doença em Brigadeiro Tobias ou no Centro, bairros nos quais ela trabalha. “No Posto de Saúde, quando me pediram para falar em qual região eu possivelmente teria sido picada pelo mosquito, eu disse que era no Centro, justamente por seguir sempre as orientações para combater o mosquito em casa. Quando eu descobri que o criadouro estava na casa de um dos meus vizinhos, eu fiquei indignada”, conta.

Depois de ter passado por essa situação, Silmara começou a ser ainda mais rigorosa na prevenção. A orientação, que antes era passada somente para sua família, agora é compartilhada com parentes, amigos e, principalmente, com a vizinhança. “Logo que eu descobri que o criadouro estava no condomínio, avisei todos os moradores para que eles reforçassem a vistoria nas casas. Porque não é justo nós fazermos a nossa parte e contrairmos a doença por conta de outros cidadãos que não fazem a parte deles”, frisa.

E que não se engane quem acha que Silmara está apenas na falação. Atenta, confessa que está de olho nas coisas ao redor. E se perceber algo que possa se traduzir em perigo, não pensa duas vezes para chamar a atenção para o fato e dar um jeito de fiscalizar o local. “É uma ação de saúde, não só para mim, mas para todos”, encerra.