Biblioteca Infantil terá bate-papo sobre “Os Sertões”, de Euclides da Cunha

Por: Mariana Campos – macampos@sorocaba.sp.gov.br
Foto: Divulgação

Considerada uma das obras-primas da literatura brasileira, o livro trata da Guerra de Canudos, ocorrida na Bahia entre 1896 a 1897

Nesta quinta-feira (dia 12), das 14h às 16h, acontece mais uma edição do Projeto “Encontros com o Mito” na Biblioteca Infantil Municipal “Renato Sêneca de Sá Fleury”, no Centro de Sorocaba. O bate-papo desta semana será sobre a obra “Os Sertões” (1902), do escritor Euclides da Cunha (1866-1909). A entrada é gratuita.

Promovido pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), o “Encontros com o Mito” ocorre semanalmente, sempre às quintas-feiras, e pode ser frequentado por qualquer pessoa com idade acima de doze anos, sem limite de idade e necessidade de inscrição prévia. O objetivo do projeto é de tratar de temas relacionados à cultura em geral, especialmente mitologias, artes e literatura.

Ao final do bate-papo sobre “Os Sertões”, José Rubens Incao, coordenador da Biblioteca Infantil, ainda apresentará ao público algumas músicas da MPB que registram a questão da vida do sertanejo e da seca.

A Biblioteca Infantil fica na Rua da Penha, 673, no Centro, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3231.5723.

Sobre a obra

Publicado em 1902, “Os Sertões” mostrou ao Brasil a insanidade nacional que foi a então denominada Revolta de Canudos, conflito ocorrido entre 1896 a 1897, no interior da Bahia, onde um grupo de moradores, liderados por Antônio Vicente Maciel (1830-1897), chamado de Antônio Conselheiro, construiu um arraial, gerando conflito com os grandes proprietários de terra da região.

A República brasileira, então com pouco mais de oito anos de existência, temendo sua integridade e desconhecendo por completo a realidade do sertão e de seus moradores, encaminha uma expedição militar para combater os seguidores de Antônio Conselheiro.

Entretanto, esta primeira expedição foi repelida pelos moradores. A situação toma proporções alarmantes e novas expedições são enviadas sem sucesso. Ao final de quatro ações militares, Canudos é arrasada, a maioria de seus moradores vitimada pela “insânia nacional”, nas palavras de Euclides da Cunha.

Euclides da Cunha, republicano convicto, é contratado pelo jornal O Estado de São Paulo, para acompanhar a Campanha de Canudos. Chega ao local poucos meses antes do fim e fica estarrecido frente a uma realidade até então desconhecida para ele e a maioria dos brasileiros: o sertão, a seca, o homem sertanejo e sua luta de sobrevivência, gerando toda sorte de misérias e, entre elas, uma religiosidade beirando ao fanatismo como única alternativa à sobrevivência.

Voltando a São Paulo, enquanto trabalhava como engenheiro, Euclides da Cunha escreveu o livro “Os Sertões”, resultado de intensa pesquisa, síntese de várias teorias científicas (e equivocadas) da época e a visão do autor, que questiona, principalmente, as ações do governo brasileiro frente à miséria nacional.

“Os Sertões” desde sua publicação gerou importantes estudos e obras, dentre elas a obra “A Guerra do Fim do Mundo”, do escritor Vargas Lhosa, o filme “Os Sertões” e a peça “Os Sertões”, de José Celso Martinez Corrêa, entre outras.

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