Artigo publicado no Jornal Bom Dia em 02/03/2016
Na semana passada, um dos mais antigos centros de educação infantil da Prefeitura – o de nº 16, que tem como patrona a saudosa educadora Beatriz de Moraes Leite Fogaça, ganhou novas dependências, cuja construção resultou de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre o Municípios e os empreendedores do Pátio Cianê Shopping. Isso permitiu que a escola trocasse suas acanhadas instalações na Avenida Afonso Vergueiro, em que funcionou durante muitas décadas, por dependências situadas num terreno muito mais amplo, na Rua Emma Zacchi Pollice, na Vila Carvalho.
A rede de unidades de educação infantil da Prefeitura de Sorocaba – compreendendo creches e pré-escolas – foi uma das primeiras a constituir-se no Estado de São Paulo. Seu pioneirismo, entretanto, teve um contraponto nem sempre positivo.
Naquele momento, a população das cidades brasileiras apenas começava a se dar conta da importância das unidades de educação infantil para o desenvolvimento cultural, físico e sociológico das crianças. A legislação de parcelamento da terra não dava às Prefeituras instrumentos para exigir, dos empreendedores imobiliários, terrenos bem situados para a construção de escolas. Resultado: sistema de ensino público recebia as piores áreas. São daquele momentos, escolas totalmente desniveladas em relação às ruas em que foram construídas, literalmente “enterradas” em desníveis acentuados dos terrenos.
Pior ainda foi a situação das escolas de educação infantil, “encaixadas”, do modo que foi possível, terrenos exíguos, ladeados por corredores de tráfego intenso.
Com as mudanças na legislação educacional e daquelas de partilha do solo urbano, essa situação está mudando rapidamente. A Prefeitura tem em fase adiantada de construção no Jardim Bethânia, neste momento, uma de quase 800 metros de área construída, erguida num terreno de mais de 2 mil metros quadrados. Na Rua Luiz Almeida Marins, no bairro de Nova Aparecidinha, em fase de construção ainda mais avançada, vamos encontrar um Centro de Educação Infantil com mais de 2,2 mil metros quadrados, dotado, inclusive, de um ginásio esportivo.
Isso demonstra que a era das escolas ocultas em terrenos desnivelados, que mal cabiam nos pequenos terrenos em que foram edificadas, estão dando lugar a edifícios escolares confortáveis, saudosos, de cuja existência os bairros que os abrigam justificadamente se orgulham.
As novas edificações escolares sorocabanas não traduzem uma rendição do governo da cidade ao monumentalismo das obras públicas. O que há é o reconhecimento de que, mormente nos primeiros momentos de sua vida escolar, a criança disponha de espaço não apenas para receber aulas, mas também para socializar-se, desenvolver seu potencial através das atividades lúdicas e aprender a reconhecer, nas dimensões dignas das edificações escolares um testemunho da importância que a nossa sociedade atribui ao processo educacional especialmente na primeira infância.