Arrastão contra a dengue recebe apoio da Polícia Militar
Objetivo é sensibilizar população para abrir suas casas aos agentes de saúde
As equipes da Divisão de Zoonoses da Prefeitura de Sorocaba contam, desde segunda-feira (dia 23), com o apoio da Polícia Militar nas ações diárias de prevenção à dengue. Os policiais atuam como mediadores entre os agentes e a população nos casos em que moradores se recusam a abrir suas residências para as vistorias preventivas.
Até o momento não há registro da necessidade de intervenção policial nas ações. A presença dos PMs nos arrastões tem dado mais confiança à população e sensibilizado os moradores a abrirem suas casas para que os profissionais da saúde examinem os imóveis para constatar se há possíveis criadouros de larvas do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, e orientar a comunidade quanto à importância em adotar ações para evitar a proliferação da doença na cidade.
A ação da Polícia Militar nos arrastões da dengue é de retaguarda. A primeira abordagem do munícipe é feita pelo agente de saúde e, caso o morador não colabore, o coordenador da equipe é quem tenta convencer o cidadão sobre a importância do trabalho preventivo. “Em último caso, acionamos a guarnição que nos acompanha, para que os policiais conversem com o morador”, explica o agente da Zoonoses Ivan Santos Vieira. Se houver resistência, mesmo com o apoio da PM, será registrada ocorrência a fim de que a Zoonoses tente conseguir judicialmente autorização para vistoriar o imóvel.
Douglas Ferraz, que hoje (26) coordenava outra equipe da Zoonoses, na região da Vila Hortência e Jardim Santa fé, também comenta o efeito positivo da Polícia na ação. “Ainda não precisamos acionar a PM. Mas quando alguém começa a criar empecilhos, dando sinais de que vai se negar a atender, a gente fala que pode chamar a Polícia para acompanhar e a pessoa muda de ideia”, revela. Tanto Douglas quanto Ivan acreditam que a população em geral tem contribuído na prevenção a partir do momento que descobriu a gravidade da situação em Sorocaba quanto à doença.
Ivan aponta que a presença na PM também é uma garantia de maior segurança aos agentes de saúde. “Na semana passada, no Jardim Betânia, eu mesmo deparei, durante uma vistoria, com usuários de drogas dentro de uma construção. Nunca se sabe o que pode acontecer”, disse.
Jardim Itapoã
No Jardim Itapuã, o arrastão ocorre desde segunda-feira passada e, em média, três criadouros com larvas do Aedes são identificados a cada dia. Ao menos cem casas são visitadas diariamente e em outras 50 o trabalho preventivo não é feito por que os imóveis estão fechados. “Achamos hoje (26) de manhã larvas em lona de piscina e até numa bica de água em uma construção. Em quatro dias de atuação do bairro, este é o quarto caminhão cheio de inservíveis que retiramos”, diz o agente Ivan, apontando para o caminhão lotado.
A dona de casa Luciana Cristina dos Santos, 33 anos, ficou de feliz em receber a visita da equipe de Zoonoses. “O pior é que a gente, que colabora, que mantém a casa limpa e toma todos os cuidados, corre o risco de pegar a doença da mesma forma que aqueles que não cuidam”, ponderou. Já o Pedreiro Paulo Cunha, 47 anos, também morador da rua João Pedro da Silva, elogiou a ação conjunta da Zoonoses e PM. “Tem que acontecer. Meu filho de vinte anos teve dengue e não vivemos mais sem repelente. Tem ainda que cuidar da casa.”
Jardim Santa Fé e Vila Hortência
Nesta quinta-feira pela manhã, a equipe do agente Douglas retornou ao Jardim Santa Fé para concluir a remoção de grande quantidade de inservíveis identificados ontem (25) numa das casas do bairro, bem como dar continuidade à vistoria nos demais imóveis. “O proprietário foi autuado hoje (26) e tiramos do imóvel o equivalente a meio caminhão. O dono se comprometeu com a fiscalização da Zoonoses em limpar a outra parte”, mencionou. Nesse imóvel foram encontrados pelo menos seis focos de larvas do mosquito na quarta-feira, ocasião que outro caminhão de materiais foi retirado.
A ação prosseguiu no Jd. Santa fé com a vistoria de prédios em construção. Também houve autuação, pois foram localizados focos de larvas em lajes, além de possíveis criadouros, como caixas d’água destampadas e betoneiras velhas acumulando água parada. Depois a ação foi retomada na Vila Hortência, um dos principais bairros da cidade, onde os arrastões acontecem diariamente desde a última quinta-feira.
Na Vila Hortência, a Divisão de Zoonoses tem recolhido o equivalente a um caminhão carregado de materiais inservíveis por dia, e identificado, em média, seis criadouros de larvas do Aedes Aegypti.
Os chamados arrastões, nos quais também são repassadas orientações aos moradores, também ocorreram esta semana na Vila Progresso, na Zona Norte.
Tiro de Guerra
Neste sábado (dia 28), 55 atiradores do Tiro de Guerra de Sorocaba atuarão como voluntários no arrastão que será realizado na Vila Hortência, Jardim Luciana Maria, Jardim Maria do Carmo e Lopes de Oliveira. Os arrastões acontecerão a partir das 8h e só não acontecem se chover.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Sorocaba, Coronel Roberto Montgomery Soares, nesta sexta-feira (dia 27) os atiradores assistirão à palestra sobre dengue, ministrada pela equipe de Zoonoses da Prefeitura. O Tiro de Guerra se colocou à disposição para ajudar nessa e em outras ações contra a dengue. “Eles estão sentindo na pele, pois quinze atiradores tiveram dengue”, comentou.
Na semana retrasada, os atiradores da turma de 2015 participaram de uma ação voluntária para manutenção e limpeza na área interna do Tiro de Guerra de Sorocaba, bem como de um mutirão de limpeza e remoção de lixo e entulho de áreas e vias públicas no entorno da unidade do Exército, informa o chefe de instrução do TG, o subtenente Éwerton Alfredo Kaercher Rosa.
Mais arrastões
Os arrastões da Zoonoses serão realizados nesta sexta-feira (dia 27) nos bairros Vila Hortência, Luciana Maria e Maria do Carmo. No sábado (28) será a vez da Vila Hortência, Jardim Luciana Maria, Jardim Maria do Carmo e Lopes de Oliveira.
Na próxima semana, nos dias 30 e 31 de março, a ação continua na Vila Hortência, Jardim Luciana Maria e Jardim Maria do Carmo.
Conforme levantamento da Secretaria da Saúde (SES), somente no mês de março foram recolhidas 32 toneladas de materiais inservíveis em arrastões promovidos na Vila Assis, Barcelona, Vila Helena, Itapemirim, Vila Melges, Jardim Rodrigo, Mineirão, Guadalupe, Colorau, Jardim Betânia, Vila Progresso, Itapuã, Vila Hortência e Luciana Maria.
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