Arquivo de documentos históricos de Sorocaba está disponível para consulta da população
O acervo reúne muitas curiosidades históricas do município, livros de registros de cemitérios e recortes de jornais antigos
Muitos sorocabanos podem não ter conhecimento, mas existe um tesouro histórico ocupando uma sala ampla do 2º andar do Palacete Scarpa, sede da Secretaria da Cultura (Secult). Um amplo arquivo com documentos que vão de atas da Câmara Municipal – que na época era como se fosse a Prefeitura de Sorocaba (antiga Prefeitura até 1942) – recortes de jornais antigos, até livros de registros dos Cemitérios da Saudade e da Consolação.
Todo este material faz parte do acervo do Centro Cultural “Antônio Francisco Gaspar”, criado em 1995 e que funcionava no Museu Histórico Sorocabano (MHS). E, para acondicionar os documentos de forma adequada e oferecer aos pesquisadores um espaço mais apropriado, em local de mais fácil acesso, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), transferiu em 2013 o acervo para o Palacete Scarpa.
“A preservação da memória é muito importante para criarmos a nossa própria identidade, nossas raízes. Não somos nada sem saber a nossa história, a nossa identidade ferroviária, têxtil, fabril, e assim conseguimos criar um vínculo com a nossa cidade”, destaca Claudia Tavares Ribeiro, chefe de Seção de Próprios Culturais da Secretaria da Cultura.
De acordo com ela, a intenção de disponibilizar o arquivo histórico de Sorocaba no Palacete Scarpa foi para facilitar e ampliar a procura. “Não adianta ter um acervo se ele não for procurado, não for utilizado. Ele tem de ser vivo. Daqui saem muitos TCCs, pesquisas e até curiosos que ficam conhecendo um pouco mais da nossa história”, enfatiza.
A chefe de Seção de Próprios Culturais conta que até a reabertura ao público, em março de 2014, o trabalho de transferência e organização do acervo durou cerca de um ano e foi liderado pelo historiador José Rubens Incao, chefe de divisão de Patrimônio Histórico da Secretaria da Cultura, juntamente com servidores públicos da Biblioteca Infantil “Renato Sêneca de Sá Fleury” e do Museu da Estrada de Ferro Sorocabana. A equipe uniu esforços e fez toda a higienização deste rico material, organizou e neste momento está catalogando todo o arquivo.
A ideia é que futuramente todo este material do acervo seja digitalizado. “Estamos analisando essa possibilidade, pois digitalizando os arquivos vamos preservar melhor todos estes documentos e facilitar a pesquisa ainda mais”, explica Claudia.
História preservada
Quem for pesquisar as atas da Câmara Municipal vai se deparar com uma estante com vários livros de tamanhos diversos, que vão de 1811 a 1926, com todo tipo de registro, como balanços, livros de imigrantes, listagem da Escola Estadual “Antonio Padilha”, entre outros.
Um deles, por exemplo, registra um balanço da arrecadação de um mercado de Sorocaba de 1888, com a fatura da venda de milho, feijão e outros produtos. “Quem vem até aqui para pesquisar as atas da Câmara Municipal é um público bem específico. Normalmente são estudantes de faculdades para fazerem TCC e mestrado”, comenta Claudia.
Já os livros dos Cemitérios da Saudade e da Consolação são os mais procurados no Arquivo Histórico. Os motivos também são diversos, seja para tirar cidadania de um país, para conseguir uma herança, para regularizar documentação da família, para fazer a árvore genealógica e até mesmo para refazer a inscrição da lápide e colocar todas as informações a respeito do familiar.
“Além de podermos observar a caligrafia da época, o que é muito interessante, nestes livros também conseguimos perceber o contexto da época como, por exemplo, saber quais foram as doenças que atingiram a cidade num determinado período, qual era a taxa de mortalidade infantil”, completa Claudia. A chefe de Próprios Culturais explica que a busca deve ser feita por data. Em setembro de 1939, por exemplo, foram verificados inúmeros registros de falecimento de crianças.
O local também abriga uma hemeroteca (coleção de jornais) organizada em ordem alfabética. No local, a população pode facilmente encontrar notícias sobre os bondes da cidade, sobre Achilles de Almeida e outros personagens da história de Sorocaba. “Tudo isso teve início com o trabalho de historiador Adolfo Frioli”, conta Claudia Tavares Ribeiro.
Uma das regras para mexer em todo o arquivo é utilizar luvas e máscaras. Além disso, as pessoas só podem fotografar sem flash os livros dos cemitérios. Já o conteúdo das atas da Câmara Municipal deve ser copiado a mão ou digitado num computador pessoal.
Os historiadores e pesquisadores interessados em ter acesso ao Arquivo Histórico de Sorocaba podem fazer o agendamento pelos telefones (15) 3211.2911 e 3211.2902. Para ter acesso aos livros dos cemitérios não precisa fazer agendamento, basta comparecer no Palacete Scarpa, que fica na Rua Souza Pereira, 448, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30.
