Alunos do CEI 50 atuam no combate ao Aedes aegypti

Por: Ana Carolina Chinelatto (Programa de Estágio) - Supervisão: Tânia Franco – ttferreira@sorocaba.sp.gov.br

Olhos atentos ao telão no qual Chaves e seus amigos percorrem a Vila à procura de possíveis criadouros do Aedes Aegypti. A cada passo dos personagens as crianças de cinco anos, apreensivas, comentam com o coleguinha que o mesmo é feito por eles em suas casas.

E todos os dias é assim. Para incentivar o combate ao mosquito, diariamente um vídeo educativo relacionado ao tema é exibido aos alunos do Pré-2 B do Centro de Educação Infantil – CEI 50 “Professor Alípio Guerra da Cunha”, localizado no Jardim Ipiranga. Mas não para por aí. Nesta escola, os cuidados que devem ser tomados para prevenir a reprodução do mosquito fazem parte da matriz curricular.

Durante o mês de fevereiro, todas os dias as professoras trabalharam o tema com seus alunos. Em cima da mesa, a atividade do dia mostra uma mulher que carrega no colo seu filho, contaminado pelo mosquito. O trabalho das crianças é encontrar o caminho correto que os leve ao Posto de Saúde. E todas encontram rapidamente. Mas a sabedoria não fica só no papel. Quando a professora pergunta aos alunos as doenças que o Aedes pode transmitir, a resposta vem em coro: “Dengue, Chikungunya e Zika Vírus”.

Para ensinar aos pequenos, a linguagem é adaptada de modo a facilitar a compreensão das informações, mas não é porque são crianças que o tema é abordado superficialmente. Renata Mariana da Costa Santos, professora do Pré-2 B, se enche de orgulho ao pedir que as crianças expliquem tudo o que sabem sobre o tema. Além de detalharem os sintomas de cada doença transmitida pelo mosquito, a garotada se mostrou afiada quanto às complicações causadas por algumas delas, como o caso de mulheres grávidas que pegam zika vírus durante a gestação e o bebê pode nascer com microcefalia. “Eles nascem com a cabeça pequenininha e não conseguem pensar direito”, explicam.

Como se não bastasse, as crianças mostram que sabem mais do que muitos adultos ao explicarem sobre a Síndrome de Guillain-barré, outra infecção que pode ser provocada pelo Zika Vírus. “As pernas paralisam, a respiração também e pode até causar a morte”, contam. De acordo com Renata, os alunos captam as informações rapidamente e com a mesma velocidade passam adiante. “A nossa intenção é que eles falem sobre tudo isso com as pessoas que conhecem, para reforçar todo cuidado que deve ser tomado”, ressalta.

Na sala ao lado, os dizeres na lousa anunciam a intenção da turma com os ensinamentos do dia: “Xô, Aedes aegipty”. E a criançada faz de tudo para manter o mosquito longe. Quando a professora pergunta quem sabe o que deve ser feito para acabar com o inseto, as mãozinhas rapidamente se levantam. “Tem que virar as garrafas de ponta cabeça”, grita uma menina no fundo da sala. “Também tem que deixar a caixa d’água bem fechada”, complementa um garoto; “e lavar a calha”, completa outro aluno.

Segundo a professora da turma, Liana da Silva, o trabalho de conscientização dura o ano todo. “Nós reforçamos mais no início do ano por conta de ser um período mais propício para a reprodução do mosquito, mas durante todo o ano letivo procuramos lembrá-los que são soldadinhos no combate ao mosquito e que cada um deve fazer a sua parte”, explica.

De acordo com Ednilson Ferreira, diretor da unidade, as crianças fazem parte da sociedade, sendo assim, também devem participar de discussões como esta. “Eles têm muita coisa para ensinar, não podemos simplesmente excluí-los deste processo. As crianças são um grande meio de transmissão de conhecimento, e é isso que esperamos com este trabalho que fazemos”, afirma. E o retorno é breve, garante. “Muitos pais voltam aqui e comentam que as crianças colocam em prática tudo que ensinamos e isso é muito gratificante”.

Conscientização externa

Na instituição, Ednilson conta que todos os cuidados são tomados. Diariamente, as funcionárias fiscalizam o prédio para garantir que não há água parada, mas, segundo ele, isto não é suficiente. “Nós queremos que este cuidado seja retransmitido à comunidade”, frisa.

Com esta intenção, além das atividades desenvolvidas em sala de aula, os alunos do Pré-2 farão uma passeata na próxima sexta-feira (4). Duas turmas percorrerão o bairro a partir das 8h30 e outras duas às 13h30 distribuindo panfletos e informando a população sobre as precauções que devem ser tomadas. Foram confeccionadas máscaras do mosquito e adesivos que identificarão a “Turminha Caça-Dengue”. “As crianças têm muito o que ensinar para a comunidade. Esperamos que com a ajuda delas as pessoas se conscientizem mais”, diz.

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