Agravante é que há, inclusive, registros de casos de hostilização por parte dos moradores. Em contrapartida, o trabalho preventivo foi executado em 227.945 imóveis, no período em questão
Em plena época de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e das febres chikungunya e zika, ainda tem morador de Sorocaba que impede a entrada dos agendes de vigilância em saúde nas residências.
Foram registradas 9.161 recusas em 2015. Esses profissionais, diariamente, fazem a vistoria dos imóveis à procura de possíveis criadouros de larvas do mosquito, orientam os munícipes e fazem aplicação de veneno (nebulização).
Lamentavelmente, há ocorrências onde o agente foi alvo de ofensas e outros tipos de hostilização. Mas, de acordo com a Área de Vigilância em Saúde (VE) da Secretaria da Saúde (SES) de Sorocaba, houve muito mais quem colaborou. Foram, especificamente, os moradores de 227.945 imóveis.
“O poder público municipal tem realizado uma série de ações para tentar evitar uma nova epidemia de dengue em 2016 e a disseminação dessas duas outras doenças, mas parece que não é todo munícipe que está disposto a ajudar”, destaca Rafael Reinoso, diretor da VE. “É importante que cada um faça a sua parte e, ao menos, vistorie seu imóvel uma vez a cada semana para eliminar os possíveis criadouros”, complementa.
Segundo o chefe de Divisão de Zoonoses da SES, Leandro Arruda, em 2015 foram 4.399 recusas relativas às atividades de bloqueio e controle de criadouros de casa em casa, frente aos 162.272 imóveis trabalhados. “Esses ‘trabalhados’ são moradias e comércios cujos proprietários autorizaram a entrada dos agentes, que puderam fazer o seu trabalho preventivo”, reitera. Houve ainda mais 4.762 recusas, quanto a nebulização domiciliar, serviço que foi executado em outras 65.673 moradias.
Desacato
Entre as ocorrências de hostilidade em que os agentes de campo foram vítimas, Rafael Reinoso destaca uma de desacato, ocorrida no último dia 17 de dezembro, e que virou caso de polícia. Uma agente de vigilância sanitária de 29 anos de idade, grávida, fazia vistoria em imóveis na Vila Carol e não foi autorizada por um dos moradores a entrar em sua residência. O morador se exaltou e agrediu verbalmente a funcionária pública, por meio de gritos e xingamentos, além de gestos ofensivos.
“Outros agentes que estavam presentes presenciaram a cena. O caso foi registrado no 8º Distrito Policial e está tramitando. Se houver outras ocorrências do tipo, o procedimento adotado será o mesmo e o morador terá que se explicar à polícia”, frisa Rafael Reinoso. Segundo ele, não havia motivo para ofensas, visto que a agente estava realizando o seu serviço diário. “O morador podia até não autorizar a entrada em sua casa, mas nada justifica o desacato”, completa.
Casos
A SES ainda trabalha com dados do boletim nº 23, divulgado no dia de 14 de dezembro passado. São 25 casos positivos de dengue neste segundo semestre. De chikungunya, no mesmo período, são três casos confirmados, importados de outros estados. A SES aguarda resultado de exames de seis notificações numa mesma família que veio de Pernambuco. “Estamos ainda à espera desses resultados, cujas amostras foram encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz”, aponta o diretor da Área de Vigilância em Saúde da SES.
O mesmo se aplica ao possível caso de microcefalia associado à zika em paciente gestante de bebê com suspeita de microcefalia e cujo material, também, foi encaminhado para análise laboratorial em São Paulo e o resultado ainda não saiu. A gestante de 22 anos de idade recebe acompanhamento na Policlínica, tem dois filhos e apresentou os sintomas para infecção pelo vírus Zika na 23ª semana de gestação. Sorocaba continua sem registro de casos de infecção pelo vírus Zika.
Além do apoio da população para evitar criadouros do Aedes, Rafael Reinoso alerta ainda sobre a importância da notificação à rede municipal de saúde dos casos suspeitos de alguma dessas três doenças. A medida permite que a SES agilize a realização de ações de bloqueio visando frear o surgimento de novos casos e a proliferação dessas moléstias. A notificação também deflagra iniciativas voltadas ao acompanhamento e tratamento do possível doente.
Em janeiro, a SES pretende emitir novo boletim epidemiológico com o fechamento dos casos identificados em 2015, atualmente em fase de apuração e consolidação. Rafael aproveita para reforçar a importância do apoio da população em combater do Aedes: “Ninguém, independente de classe social, religião, gênero ou etnia, está livre de pegar alguma dessas doenças transmitidas por esse mosquito. A nossa meta com essas ações educativas e preventivas é fazer com que essas pessoas mudem de ideia e passem a colaborar”.